Capítulo 63: Vermelho sangue

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Sirius despertou com a luz amarelada do amanhecer, com um sorriso preguiçoso virou para o lado, mas sua mão atingiu o espaço vazio nas cobertas. Ele vestiu sua calça, lavou o rosto e ao chegar na soleira da porta da sala viu sua híbrida, com uma camisa grande demais manchada de tinta, sentada em um banquinho com uma tela cinza azulada a sua frente. Quando se aproximou por trás notou ser uma tempestade que ocupava o quadro inteiro e olhando mais atentamente pode ver a marca negra em fumaça, o céu naquela maldita noite. Ele nem havia percebido que tinha prendido a respiração. Se aproximou dando-lhe um beijo na bochecha, Nick se deu um leve espasmo em surpresa. Devia estar extremamente concentrada para notá-lo chegando.

- Bom dia, híbrida - sua voz rouca lhe causou arrepios.

- Ah, bom dia - respondeu soltando os pincéis e se levantando. - Esqueci do café, eu ia te levar na cama.

- Não tem problema - ele riu - Podemos comer fora, e você se alimentar, está meio pálida.

Ela assentiu, precisava mesmo de sangue fresco. Os dois se vestiram e foram até um restaurante, já era quase meio dia, enquanto Black se servia no buffet Nick fazia o mesmo na jugular de um garçom, fora da vista de todos.

Nick voltou a trabalhar em sua tela, enquanto Black lia no sofá. Ele percebeu toda a concentração dela.

- No que está pensando?

- Desculpe, o que? - Ela perguntou, não havia ouvido, tinha algo errado pensou Black repetindo a pergunta. - Em muita coisa, pintar ajuda a colocar os pensamentos no lugar. Meu irmão faz a mesma coisa quando precisa elaborar suas estratégias.

- Então está pensando na guerra?

- Dumbledore deixou nas minhas mãos afinal, estou organizando meus planos. Tenho que ficar sempre dez passos à frente, lembra - ela sorriu de canto voltando-se para a pintura que aos olhos de Black já estava perfeita.

O dia se passou assim, ela pintando e seu cérebro matutando, enquanto Black observava fascinado e lia um dos livros na estante dela, Romeu e Julieta, estava gasto e as páginas manchadas, não duvidava que o próprio Shakespeare tinha lhe dado. Quando anoiteceu ela se alongou e deitou ao lado dele. Sirius fechou o livro passando a mão em seus cabelos.

Olhou em seus olhos, pareciam cansados e ansiosos, queria mostrar a ela algo bom, o que fizera enquanto ela estava trancada naquela mansão, queria mostrar que pensou no futuro apesar da incerteza se haveria um.

- O que se passa nessa cabecinha desgrenhada? – Brincou ela. Mas antes que ele tivesse a chance de respondeu, o celular dela tocou. – Ah! Inferno – ela o beijou rapidamente. – Nick Mikaelson falando – Sirius notou a expressão dela ficar séria. – Certo, estarei lá. Não se preocupe. Sim, Lúcifer, addio.

Ele travou o maxilar, sabia com quem ela estava falando e tinha ideia do que queria. Ela percebeu, desligou rapidamente. Ele cruzou os braços.

- Ele precisa de um favor amanhã à noite. Você precisa ficar, não quero que se envolva com essa gente.

- Que tipo de favor seria esse?

- Um favor ultrassecreto – ela voltou ao sofá, sentou em seu colo.

- Está tentando me distrair é?

- Está funcionando? – Ela jogou os cabelos para o lado segurou os dele e beijou seu pescoço.

- Sim – rosnou segurando seu quadril. – Eu odeio você.

- Engraçado, estou sentindo outra coisa.

- É tesão acumulado – ela gargalhou olhando para o sorriso preguiçoso e arrogante em seus lábios.

Nick MikaelsonOnde histórias criam vida. Descubra agora