Era de madrugada quando Nick voltou para o apartamento, entrou tropeçando na mobília, até quebrou alguns vasos decorativos que tinham na entrada. Havia bebido tudo o que podia em um bar próximo ali, se alimentou dos humanos, mas a consciência no lugar ainda mais depois das palavras de Remo, não matou nenhum. Uma sombra estava sentada na poltrona próxima a janela, despertou quando ela entrou. Sirius a encarou, mas não disse nada, não enquanto ela fingiu não o ver ali e entrou no quarto batendo a porta, se atirando na cama.
Black suspirou, havia a esperando a noite toda, cochilado alguns minutos pensando no que falaria para ela. Mas ao vê-la chegar ali completamente bêbada as palavras não saíram, ele nem se levantou para ajudá-la, não conseguiu. As palavras sábias de Dumbledore soavam na sua mente ela pode e vai esperar. Ele sabia que ela iria, que deixaria Black pensar sobre o que quer que ele estivesse duvidando. Seu coração apertou.
- Eu a amo, tanto que chega a doer - ele sussurrou consigo mesmo.
Sabia que o que ela fez tinha um propósito, novamente as palavras de Alvo surgiram em sua mente. Ela está dez passos a nossa frente. De fato, Nick sempre agia pensando em todas as possibilidades futuras. Ela havia feito aquilo e não se arrependia, havia imaginado como eles ficariam, havia esperado por isso. Mesmo que as palavras usadas por Remo a pegaram de surpresa. Isso que dá deixar a guarda baixa, pensou ela.
⚜
Haviam se passado três dias do ocorrido. Os dois dividiam o apartamento em total silêncio. Nick esperou Black falar, esperou ele estar pronto, mas sua pouca paciência já estava se esgotando e aquele silêncio irritante dele estava a estressando. Ela estava enchendo seu copo com Bourbon e observando Black fumar na sacada, com os olhos fixos, mas a mente longe.
- Tá legal. O que quer fazer Black? - Ela perguntou e o viu se virar para ela de olhos arregalados surpreso com a repentina voz dela soando pelo apartamento. - Quer discutir? Quebrar as coisas na parede? Me xingar? Gritar comigo? Conversar? Só me diz o que quer fazer, e acaba com esse seu silêncio insuportável.
Ele a encarou não disse nada, pois não tinha nada a dizer, ou não sabia ao certo o que falar com medo de estragar tudo como geralmente fazia.
- Eu dei o seu tempo, fiquei longe e deixei que você pensasse, que absorvesse o que fiz. Mas preferia que gritasse comigo como Remo a esse seu silêncio - nada. - Se quiser se afastar de mim, acabar tudo então faça logo - o comando na voz, despertou Black.
- Não... não é isso que eu quero.
- Então o que quer? Desembucha logo!
- Eu não sei! - Ele respondeu devido à pressão que ela fez. - Minha mente está confusa, mas ao mesmo tempo não. Eu nunca vi você daquele jeito, foi novo para mim, ok? Não pode esperar que eu veja você agir como um monstro e fique normal depois!
- Finalmente entendeu o que sou então, um mostro - ele percebeu que as palavras dele a feriram, mas ela não demonstrou. Aquela confusão em que se tornava seus pensamentos falou mais alto.
- Não foi isso que quis dizer!
- Mas foi o que disse, o que pensou primeiro. A porra da sinceridade que eu esperava, Black.
- Não... eu... - ele não sabia o que dizer, mas se recusava a deixar ela ter a última palavra, mesmo que ela a tivesse todas as vezes. - Nunca te vi matar com aquele olhar, aquele olhar sombrio e assassino, sem sentimentos. Foi tão fácil para você, eu fiquei surpreso só isso.
- Admita que ficou com medo - ela jogou o copo que estilhaçou na parede próxima a sua cabeça, se aproximou dele, brilhou os olhos, deixou aquela imortalidade e poder sombrio sussurrasse até ele - eu sei que ficou, senti o cheiro, ouvi seu coração - ela se aproximou ainda mais, até estar a centímetros dele. Black não se afastou, não deu um passo para trás, nem piscou quando os cacos de vidro se espalharam pelo lugar, apenas a encarou de volta. Ele não havia sentido medo e ela sabia, só falava aquilo para desestabiliza-lo. - Sabe porque pareceu fácil? Por que foi. Vocês bruxos não sabem o que significa matar. Simplesmente atiram uma luz verde e o coração da pessoa para de bater. Você temeu meu olhar, temeu a forma como sujei minhas mãos, pois isso é matar. Sujar as mãos com sangue, maculá-las com sangue. Sentir o que faz. Quantos anos acha que levei para me acostumar com isso? Com a respiração lenta, os gritos, o sangue das minhas vítimas. E está certo se acha que eu gostei.
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Nick Mikaelson
FantasiNick Mikaelson é uma híbrida original, sua história complicada e encantadora será contada aqui, desde sua origem até seus momentos finais onde tudo será explicado. Em meio a reencontros e novas amizades, antigos sentimentos são trazidos à tona, ness...
