Capítulo 54: Perseguição

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Corpos. Um homem e duas crianças, mortos, os olhos esbranquiçados e vítreos jogados naquele chão empoeirado. Havia sangue em suas vestes, o homem tinha cortes profundos em todo o seu corpo, cortes precisos de um feitiço, o sangue seco cobria-os. As crianças pareciam ter sido assassinadas com magia, e o sangue do pai as cobria, Remo percebeu. Uma trilha de sangue, como se os tivessem arrastados até ali.

Era a família da mulher lá embaixo. E a julgar pelo cheiro, estavam mortos a mais de um mês. Estavam se decompondo naquela casa, e a mulher vivendo com aquilo, sabendo o que aconteceu com as pessoas que amava, sabendo quem o fez.

Ele sabia que ela não teria feito tal coisa, era trouxa, não tinha magia. E agora tudo fazia mais sentido, o olhar apavorado em seu rosto, o sorriso bizarro, estava sob a maldição Imperius. O que significava que... ele precisava sair daquele lugar.

Fechou o alçapão e desceu as escadas, caminhou tentando fazer o mínimo de barulho até a porta, estava perto da maçaneta.

- Não! Quero dizer... onde está indo? O bolo está no forno – a mulher apareceu, estava completamente apavorada.

- Não era chá – Remo lembrou tentando se manter natural.

- Isso... não pode ir.

- Preciso, mas obrigado pela ajuda senhora.

- Não! – Ela gritou. – Não pode sair desta casa.

- Eu sinto muito... – apontou a varinha para a mulher - Petrificus totalus!

Ela pareceu congelar e caiu dura, imóvel no chão, somente os olhos se movendo com impaciência. Remo abriu a porta, tomou cuidado em fecha-la e saiu em disparada para onde Sirius esperava.

- O que aconteceu?

- Tem algo de muito errado com esse lugar, – ofegou - a família daquela mulher está morta no sótão, ela está sob efeito de uma maldição. Precisamos dar o fora daqui.

- Puta merda... – Sirius segurou a varinha firme, seu olhar estava na casa que Remo acabou de sair.

Sombras apareceram, e entraram na casa estilhaçando o resto das janelas, as paredes e o teto. Comensais. Por um momento os dois ficaram encarando o local ser destruído, Remo imaginando os escombros caindo sobre a mulher que ele obrigou a parar com um feitiço, então Sirius segurou o braço do amigo e disparou pelas ruas escuras, entrando no meio das casas.

- Temos que avisar a híbrida. Expecto patronum!

Um cachorro azul brilhante, parecido com seu eu animago, apareceu e saiu correndo sem que as patas peludas encostassem o chão pela floresta.

- Devíamos ter ido pela floresta Sirius!

- Não, temos que livrar os trouxas desses comensais idiotas, somos a ordem da fênix afinal – a voz repleta de coragem, coragem burra Remo pensou, típica de um grifinório arrogante como ele, típica de Pontas.

- O que nós dois faremos contra todos aqueles comensais – afinal viram mais de dez aparatarem lá.

- Nós três – corrigiu Black – a híbrida vai nos ajudar.

- Ela não tem magia seu imbecil, não vai aparatar aqui a tempo – xingou Remo enquanto corriam sem saber para onde ir.

- Nunca duvide, ela está sempre nos surpreendendo afinal – ele respondeu sorrindo, como se aquilo fosse divertido e não uma situação de vida ou morte.

Vozes soaram, acompanhadas de risadas. Os comensais estavam mais perto, aquela mulher os avisou de alguma maneira, estavam atrás deles.

Sirius reconheceu uma das risadas, uma aguda e escandalosa. Sua prima, Bellatrix, a lunática da família, ou a maior delas.

Nick MikaelsonOnde histórias criam vida. Descubra agora