Parte 2: A estripadora

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(A partir dessa capítulo, Nick Mikaelson narrará sua própria história)

- Minha irmãzinha sanguinária está de volta? - Perguntou Klaus ainda a minha frente balançando a bolsa de sangue que tomei da sua mão.

- Por tempo indeterminado - o sangue escorreu pela minha boca, manchando a blusa preta que vestia.

Percebi que não estava como sempre que desligava. Minha sede era maior, minha vontade de matar ainda mais. E não sentia nenhuma emoção, nem raiva ou ódio, somente um vazio pulsante.

- É disso que estou falando. Vou deixar vc se divertir um pouco, depois precisamos conversar.

- Sobre sua querida duplicata? Poupe o fôlego Niklaus, lembro das minhas promessas, vou encontrá-la. Agora se me der licença preciso de um banho.

- É claro - ele sorriu de canto com uma leve reverência e saiu. Sabia que estava feliz por ter conseguido o que queria, e não podia me importar menos.

Após um banho quente e demorado, vesti roupas limpas e pretas, podia não sentir mais nada, mas continuava de luto por ele. Talvez um dia consiga dizer seu nome em voz alta. Seu belo rosto estampava minha parede em uma linda moldura, e quando o olhei, nenhuma lágrima escorreu, meu coração não parecia sequer bater. Desci as escadas para onde meus irmãos estavam reunidos, os olhares apreensivos para o sorrisinho arrogante de Niklaus.

- Bom dia família - falei abrindo a cristaleira e enchendo um copo de bourbon. Kol me encarou.

- Está bem irmã?

- Melhor impossível.

- Niklaus o que você fez? - Perguntou Rebekah naquele tom acusatório irritado.

- Trouxe nossa querida irmã de volta - respondeu com simplicidade.

- Não, você trouxe o monstrinho que tanto gosta - respondeu Kol. Klaus revirou os olhos.

- Tudo isso porque não consegue encontrar uma maldita duplicada por conta própria, não respeitou nem o luto da própria irmã! - Rebekah já gritava. Me escorei na mesa ouvindo a briga.

- Ela estava trancada naquele quarto a mais de uma semana sem se alimentar, ela me implorou para matá-la Rebekah, acha que isso é uma mera fase de luto? Ela nunca se recuperaria se não desligasse. Todos vocês pensaram o mesmo eu só tive a coragem de ajudá-la que faltou em vocês.

Revirei os olhos e virei o uísque.

- Pra onde vai? - Perguntou Elijah.

- Fazer uma tatuagem, cortar o cabelo, comprar roupas, quem sabe matar uns turistas - sorri para eles.

- Viu? Ela está até sorrindo agora - Klaus se jogou no sofá orgulhoso.

- Aquilo não foi um sorriso. Foi o seu sorriso, Niklaus - ouvi a voz de Elijah.

- Você não consegue entender que ela não é como nós sem humanidade Klaus, ela tem aquele probleminha - sussurrou Kol com raiva.

- Eu sei. Sempre achei divertido - consegui ver o sorriso idiota dele se formar. - Agora parem de me irritar se não quiserem voltar para os caixões, o que está feito está feito.

⚜️

New Orleans nunca muda. Repleto de turistas estúpidos que pagam caro por qualquer rabisco, música do nascer ao pôr do sol, colares coloridos pendurados nos fios elétricos, pessoas mascaradas dançando pelas ruas, aquela era minha cidade, eu amava aquele lugar, mas agora não parecia ter tanta graça. Nada parecia. Pelo menos ali todos respeitavam os Mikaelson, assim que entrei no lugar as pessoas se encolheram e vieram ver o que eu queria. Eu disse que faria uma tatuagem. Com minha excelente memória, lembrei de cada uma que preenchia a pele branca dele, lembrei daquela runa em seu peito, aquela com a forma de cálice no centro de seu peito, a copiei entre meus seios. Em meu pulso escrevi suas inicias com uma estrela de quatro pontas alongadas que parecia brilhar, como os olhos dele costumavam brilhar.

Nick MikaelsonOnde histórias criam vida. Descubra agora