Capítulo 5: Vampiro Augustine

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Nick estava em um bar numa cidadezinha, tentando esquecer os acontecimentos passados. A dor em seu peito, o ódio dos que lhe fizeram mal a assombrava constantemente assim seus outros sentidos ficaram prejudicados. Um momento de distração foi o que lhe custou alguns anos de sua imortalidade, quando um homem qualquer se sentou ao seu lado. Ele era loiro, não tão jovem, usava óculos redondos, um chapéu coco preto assim como seu sobretudo. Ela o ignorou e quando estava saindo do bar, com uma garrafa nas mãos, o mesmo homem chegou sorrateiro por trás dela e injetou uma seringa com uma dose alta de verbena em seu pescoço.

Nick sentiu seu corpo arder, suas veias pareciam estar transportando fogo no lugar de sangue. Tudo ficou escuro e ela desmaiou. Acordou algumas horas depois dentro de uma cela mal iluminada e úmida. O mesmo homem estava a observando se levantar, só que agora estava sem chapéu e com um jaleco branco, as mãos unidas atrás do corpo.

- Olá, deve estar se perguntando o que está fazendo aqui. Bom, sou o Dr. Whitmore e você é minha mais nova cobaia, para o avanço da medicina com o uso de sangue de vampiro. Portanto, irei estudá-la, realizar alguns experimentos imediatamente – o homem respondeu e sem que ela tivesse chance de falar algo atirou um dardo de verbena em seu pescoço.

Novamente suas veiam queimaram, tudo escureceu e quando conseguiu abrir os olhos a luz forte de consultório invadiu-os. Tentou se mexer, levantar os braços e pernas, mas ela estava amarrada por tiras de couro e verbena a uma mesa cirúrgica. Tentou se libertar, mas estava fraca por conta da verbena em seu sistema, mal conseguia se manter acordada.

- Pegou o vampiro errado, seu idiota – ela disse ameaçadoramente.

- Sendo vampiro, não está errado. 1505, esse será seu nome de agora em diante. Agora se puder calar a boca, preciso me preparar.

Ele pegou um bisturi da mesa de metal ao lado, chegou perto dela, suas mãos enluvadas como de um cirurgião seguraram seu rosto mantendo seu olho aberto onde enfiou a lâmina, ela gritou a dor lhe atingiu de surpresa. Ele arrancou o olho esquerdo dela. Depois ele ergueu a camisa que ela vestia, e fez um corte em sua barriga onde enfiou as mãos sem nenhuma delicadeza, com força retirou alguns órgãos os colocando em caixas térmicas com gelo.

O sangue da híbrida pintava no chão, seus gritos preenchiam a sala. Cada vez a feriando mais, e mais fundo a dor se tornava insuportável e conforme ela se curava, mais lentamente que o normal, ele a cortava novamente. Tudo isso de novo, e de novo, se repetindo como um looping temporal, estava a enlouquecendo, era insuportável e extremamente doloroso.

- Monstros como você só deveriam ser criados para ajudar na medicina, não matar pessoas. Quero que entenda que estou fazendo isso para um mundo melhor, onde as pessoas possam viver mais – ele disse ao jogá-la em sua cela.

Todos os dias ele a pegava em sua cela e levava para a mesa de cirurgia naquele quarto iluminado. Tirava bolsas de seu sangue e a torturava friamente, ele parecia se divertir ao vê-la tremer e gritar todas as vezes que a feria brutalmente. Depois de um incidente, quando ela já se acostumava com as doses de verbena e quase arrancou a cabeça do assistente do Doutor em uma tentativa desesperada de se alimentar e fugir daquela prisão, aumentaram as doses para uma verbena mais concentrada.

Ele perdeu a noção de tempo naquele lugar, pois tudo era sempre igual como se revivesse aquele dia milhares de vezes, reprisando seus erros todas as vezes. Não sabia mais a quantos dias ou talvez anos estava ali. Só sentia dores por toda parte e seu corpo arder em chamar. No dia seguinte, quando o assistente estava trazendo seu copo se sangue diário, só o bastante para ela não dissecar, perguntou.

- Há quanto tempo estou aqui?

- Nove anos, o Dr. Whitmore me contou ontem.

- Nove anos.... Por favor precisa me ajudar a sair daqui eu prometo não te ferir... – ela disse ao perceber a pena e culpa nos olhos do jovem rapaz.

- Não posso, ele me mataria... sinto muito – saiu imediatamente com medo de chegar perto de liberta-la.

Então ela elaborou um plano. Guardou os copos de sangue, (bebendo algumas gotas para se manter acordada) até ter o suficiente para restaurar suas forças. Passados alguns meses ela cansou daquela rotina de tortura, resolveu usar seu último recurso para se fortalecer, fechou os olhos firmemente, acessou o interruptor em sua mente e desligou a humanidade, todos os seus sentimentos e emoções que antes assolavam sua memória, as dores que batiam forte em seu peito simplesmente desapareceram, agora só lhe restava raiva, e fúria. Antes do rapaz vir busca-la, bebeu todo o sangue estocado, sentiu-se mais forte seus olhos brilharam amarelos vivos.

Ela fingiu estar fraca, sentada em um canto com o olhar baixo. O garoto abriu a cela e entrou para aplicar a verbena, mas quando estava perto o bastante ela segurou seu pescoço, tirou a seringa de sua mão, enfiou as presas no mesmo antes de quebra-lo, o sangue a deixou ainda mais forte. Foi até a sala iluminada onde Dr. Whitmore a esperava. Ele tentou acertar dardos de verbena, mas a velocidade recém restaurada a ajudou a desviar facilmente de todos. Então se aproximou daquele homem que tanto a fez sentir dor, o ergueu pelo pescoço o empurrando sobre a mesa cirúrgica onde o amarrou com as mesmas tiras de couro que ele a prendia.

- Agora você vai sentir o que seus vampiros sentiam, só que infelizmente para você, não vai se curar – ela disse com um sorriso sombrio. Pegou o bisturi e arrancou o globo ocular esquerdo do homem, depois fez alguns cortes por todo o corpo dele, a cada um ele gritava, chorava de dor e Nick sorria. – Eu queria mesmo era te matar como fiz com seu assistente, mas quero que viva e todas as vezes que olhar para o espelho vai se lembrar de mim – o sangue dele escorria pelo chão. Nick lembrou das traições que sofreu, ou melhor por quem havia se apaixonado e foi completamente enganada e traída – E antes de ir, te darei um nome... Damon Salvatore.

Suas dores sumiram, sua consciência aliviou, estava livre novamente. Livre de suas mágoas e sentimentos agora considerados irrelevantes. A única coisa que lhe restou foi raiva e ironia. Nick Mikaelson estava de volta, em sua versão sem humanidade, o mundo que se prepare.

Nick MikaelsonOnde histórias criam vida. Descubra agora