Capítulo 20

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Após uma longa bronca em Guilherme e Arthur, Rafael passou o restante da tarde trançado em seu escritório.

Tinha que assinar alguns arquivos da empresa e reler a cláusula do caso de Guilherme.

Tinha medo de que, de alguma forma, Inácio tentasse "comprar" a guarda do garoto.
Não iria permitir que um homem da índole de Inácio tomasse partido na criação de Guilherme.

Não permitiria que o menino tivesse o mesmo destino que ele.

Seus olhos percorreram seu escritório e pararam sobre o arco e flecha feito a mão.

Seu avô havia lhe presenteado antes de morrer, no entanto só passou a praticar o esporte após os dezoito anos.

Levantou-se e caminhou até a peça de madeira.
Nem se lembrava a quantos anos aquela era sua terapia.

Tomou a peça nas mãos e buscou algumas flechas.
Seus nervos estavam o matando.

Caminhou pela mansão em silêncio.
Estava cansado.
Depois da audiência sua única vontade era socar o maldito advogado insinuando um golpe de sua mulher.

Fora o processo de Miranda, corria o risco de não conseguir a guarda de Guilherme por ser tio dele. Por mais que as provas aponte violência da parte de Inácio, será difícil provar que Catarina não é inocente.

Seguiu pelo gramado de seu quintal e encarou os alvos pintados de vermelho.

Em tantos anos no mundo das empresas nunca pensou que se tornaria o Leão Corporativo.
Cresceu muito rápido pra assumir a empresa da mãe e não permitir que o irmão acabasse com tudo.

Tomou uma flecha em mãos, a posicionando entre e arco.
Levantou-o e fechou os olhos.

Sua mente lutava em deixar tudo fugir de suas mãos e lutar como se nada mais importasse.

O misto de dor e amor por tudo que conquistou e tudo que ainda pretende conquistar.

Um frio percorreu sua espinha. Entraria em um jogo no qual não sabia de poderia ganhar.

O jogo do amor.

— Acha mesmo que consegue acertar o alvo de olhos fechados?— a voz doce da mulher cabelos castanhos soou por seus ouvidos.
Achou que estaria ficando louco ouvindo a voz de Miranda em sua mente.

Tinha que admitir que a notícia sobre a possibilidade dela ser infértil o abalou. Seu irmão tinha tirado mais que apenas a paz de Miranda.
Havia tirado seu sono, sua vida. Havia arrancado sua vontade de viver e jogado fora em algum lugar naquele beco.

— Vamos ver se acerta!— a voz de Miranda soou novamente, fazendo Rafael abrir os olhos e encontrar duas esmeraldas o observando.

Rafael soltou a flecha que atingiu o miolo do alvo certeiro.

A morena desviou o olhos e encarou a flecha afundada no alvo. Sorriu curioso.

Os olhos de Rafael passearam pelo rosto de sua esposa.
Gostaria de guardar cada mínimo pedaço de Miranda em seu coração.

— Vamos ver se faz melhor!— Rafael a provocou, estendendo o arco a Miranda.

A morena encarou o rosto do marido e riu preocupada.
Nunca havia feito nada parecido com aquilo.

— Eu te ajudo.— o homem murmurou ao ver a mulher tomar o arco nas mãos e virar de costas.

Rafael levou os pés aos de Miranda, os separando. Uma de suas mãos seguravam firmemente a mão da morena agarrada ao arco e a outra descansava sobre a cintura de Miranda.

Amor MeuOnde histórias criam vida. Descubra agora