Nenhum dos dois se recordavam como chegaram até aquele ponto, mas ambos não queriam voltar atrás.
A meia hora atrás estavam chegando com as compras nas mãos e naquele momento ao menos se importavam com o que poderia acontecer.
Involuntariamente o homem molhou os lábios com a ponta da língua.
— O que pensa que vai fazer?— a voz de Alan soou descompassadas junto a sua respiração.
Hugo pressionava o corpo do menor no balcão da cozinha.
Não entendia o que acontecia quando estava perto de Alan. Era como um ímã o atraindo.
— Eu não sei.— Hugo murmurou entre os dentes.— Eu não consigo evitar!— sua voz quase sumiu.
Alan suspirou frustrado.
Sabia bem o que acontecia, mas tinha medo.
— Então se entenda primeiro! Não vou ser um passatempo pra você!— Alan disse empurrando o homem para trás, o afastando.
Hugo tomou a cintura de Alan, afundando uma das mãos em seus cabelos.
Seus olhos prenderam ao rosto do mais novo.
— Você não entende!— o mais velho balbuciou.— Eu quero você. Ninguém mais!— Hugo murmurou.
Alan suspirou contido.
Sentir o corpo de Hugo junto ao seu, fazia com que um fogo subisse por suas pernas.
Querendo ou não, dês do momento e que o viu, o desejou.
— Me quer? Como?— Alan o encarou.— Eu não sou um objeto que você usa e tem vergonha de assumir que gosta!— o mais novo praguejou novamente empurrando o corpo de Hugo.
O motorista o soltou, se afastando.
As palavras de Alan perduraram sua mente como agulhas.
Ele tinha razão. O queria, mas não pensou no que faria depois.
Nunca se sentiu dessa forma em relação a um homem e o que Alan o causava era melhor que tudo que já viveu.
— Não brinque comigo, Hugo. Não sou ingênuo. Sei o que você quer, mas não vai pagar o preço por isso! Você é como muitos que já conheci.— Alan murmurou antes de sair da cozinha.
Hugo encarou as costas de Alan. Odiava ser comparado a quem quer que seja, no entanto ele mesmo duvidava do que estava sentindo e guardar aquilo dentro de si estava o matando.
Seguiu em silêncio em direção a sala, em busca de encontrar Alan, porém o homem já havia sumido.
Seus olhos percorreram a extensão do saguão e encontraram a mulher de cabelos dourados que descia as escadas distraída.
— Baixinha, preciso de ajuda!— o homem gritou ao se aproximar de Eloise.
A empregada pulou de susto e virou-se para Hugo.
— Se for sobre Alan ou Arthur, não posso ajudar!— a mulher murmurou ao chegar ao pé da escada.— Enquanto não decidir o que quer vai continuar assim!— Eloise disse apontando para o homem.
Hugo respirava pesado.
Estava realmente desesperado.
— Você não entende, não é? Eu nunca passei por isso! Nunca senti isso!— o homem disse cerrando os dentes.
Seus olhos encontraram as íris claras da mulher a sua frente.
Havia decepção.
A loira avançou sobre o homem e o encarou.
Nunca pensou que sentiria tanta raiva dele.
— Devia ter pensado nisso quando saía por aí e dormia com uma a cada noite! Você nunca age com sua emoção porque tem medo de te machucarem como você fez com muitas.— Eloise apontou o dedo para o peito de Hugo.— Você tem medo de se apaixonar! Não interessa se é um homem, uma mulher ou o caramba a quatro! Você tem medo!— a loira diz alterada.
Hugo matinha os olhos presos ao chão.
Não era a primeira fez que recebia um sermão de Eloise, mesmo sendo mais velho que ela.
— Certo! Você tem razão! Mas o que eu podia fazer? Não sei viver de outra forma!— Hugo gritou alterado.
Um bufar soou por entre os lábios de Eloise, fazendo com que Hugo a olhasse.
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Amor Meu
RomansaDuas histórias. Dois traumas. Duas almas que, em um beco, presenciam um rumo diferente de seu futuro. Até onde você iria por amor? Rafael Sanches é um empresário forte no ramo da tecnologia em São Paulo. O Leão corporativo não abaixa a cabeça para n...
