Capítulo 13

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O silêncio no quarto de Rafael estava incomodando Miranda.
Já havia amanhecido e o homem não havia lhe dado sinal de que estava no quarto ou não.

Naquela noite Miranda havia deixado seu robe sobre a poltrona do quarto de Rafael e estava sem paciência para encontra-lo.

Aproximou-se da porta e ouviu uma voz desconhecida.

— Mas tio eu não quero ir pra lá!— a voz do garoto soou impaciente.

Rafael saiu do banheiro com a escova de dentes na boca e uma camiseta nos ombros.

— Eu te entendo, Bêh, mas ela é sua mãe. Não posso fazer nada se Catarina quer fazer sua festa de aniversário!— Rafael explicou encostando-se no beiral da porta.

Miranda abriu a porta e encarou o menino sentado na cama de Rafael.
O empresário a olhou surpreso quando percebeu o desespero do sobrinho.

Guilherme levantou-se e caminhou até o tio, escondendo-se atrás do homem.

Miranda encarou Rafael séria. A discussão de ontem a noite ainda estava fresca em sua memória. No entanto, ver os olhos cansados de Rafael fez com que seu coração apertasse.

A morena desviou os olhos pelo quarto sem encontrar seu robe. Caminhou pelo quarto sem encontrar a peça de roupa.
Bufou envergonhada por não encontrar nada.

Caminhou novamente em direção a porta e suspirou cansada.

— Eu sei guardar segredo, Guilherme!— a voz de Miranda soou como um sussurro, ainda de costas.

Guilherme encarou o tio que mantinha os olhos fixos nas costas de Miranda.
Era a primeira vez que a via com uma camisola tão chamativa como aquela. A cor vinho da peça de cetim realçava a pele da mulher e seus cabelos caiam delicadamente sobre a renda na parte superior do busto.

— Eu sei. Se meu tio confia a vida em você, então também posso confiar!— a voz de Guilherme soou confiante antes de receber ambos olhares dos tios.

Rafael tocou os cabelos de Guilherme, vendo o menino rir.

— Bom trabalho, Bêh!— o homem balbuciou antes de entrar novamente no banheiro, guardar a escova e vestir a camiseta preta.

Guilherme caminhou até Miranda e sorriu ao tocar suas mãos. A mulher abaixou-se e observou o menino com atenção.
O garoto havia passado a noite inteira ouvindo o tio contar sobre as histórias de infância ao lado da atual esposa.

— Bom dia, tia!— o menino disse em um sussurro antes de envolver o pescoço da morena, puxando-a para um abraço.
Mirada puxou os bracinhos pequenos do garoto e o abraçou.

— Bom dia, querido!— a mulher suspirou ao afundar o rosto nos cabelos cacheados do menino.

Pela primeira vez em muito tempo, Miranda se sentiu em um lar.
O garoto que havia chegado em pouco tempo já conquistara seu coração.

Batidas na porta atrapalharam o abraço de Miranda e Guilherme, fazendo com que Rafael saísse do banheiro, já vestido, e caminhasse até a porta.

— Rafael, não acho Guilherme em lugar algum!— a voz de Catarina soou preocupada.

Rafael abriu a porta, liberando para Catarina, a visão de Guilherme ao lado de Miranda.

— Ele dormiu comigo.— o empresário balbuciou justificando a presença do menino em seu quarto.

Miranda voltou os olhos para Guilherme, que mantinha a feição cansada.
Suas mãos acariciaram os cabelos do garoto que suspirou cansado.

— Você vai acabar me deixando louca!— Catarina praguejou adentrando o quarto de Rafael e alcançando o braço de Guilherme.
A mulher passou a puxar o filho para fora do quarto. Estava nervosa, como se já não bastasse Miranda ter Rafael, Catarina pensava que a mulher também queria seu filho.

Amor MeuOnde histórias criam vida. Descubra agora