" Dois dias!
Espere mais dois dias que logo estaremos juntos.
Sei que não devia, mas estou ansiosa.
Ansiosa por você. Por nós.
Nem mesmo cuidar de Guilherme te me feito cansar a ponto de ter uma noite de sono completa.
Ah, Rafael! Nossa garoto está crescendo.
A semana de adaptação na escola foi ótima. A professora diz que Guilherme é tímido, mas é muito esperto.
Antes que eu me esqueça, Haroldo permitiu o relacionamento entre a Arthur e Eloise. (Não é como ele pudesse impedir algo que já acontecia a tempos)
Estou feliz por eles. Por se declararem.
O mais engraçado é lembrar que você tem ciúmes do jardineiro. (Nem venha questionar, não sou cega, meu amor)
Eu tenho muito pra falar deles, então prefiro esperar que você esteja aqui para eles mesmo te darem a notícia.
O meu intuito nessa carta é falar sobre nós.
Pra começar, quero esclarecer algumas coisas que deixamos pendentes das cartas anteriores.
Em todas elas eu assinava o meu nome.
Sou uma Sanches agora, Rafael.
Não só de nome.
Agora eu sei o que significa fazer parte dessa família.
E como uma Sanches, vou esperar você não importa o que aconteça, não importa quanto tempo demore.
Mesmo depois de todo esse tempo ao meu lado, eu entendo o que sente sobre a maldita noite, porém quero dizer que você não tem culpa.
Se foi realmente algo planejado, você não está relacionado.
Querido, isso já acabou. O caso está fechado e os culpados estão pagando pelo que fizeram. Nós dois sabemos que se Marcos estivesse vivo, também pagaria por seus atos. Assim como meu pai.
Eu aprendi muito com toda nossa distância e toda a guerra de meu pai para nós afastar.
Muitas vezes estamos muito preocupados em ver o lado ruim das pessoas.
O que vou dizer pode te irritar, mas é a minha opinião.
Se Marcos estivesse vivo, ele teria a oportunidade de ser alguém melhor, mesmo depois do que ele fez.
Não. Eu não o perdoei, se isso que pensa.
Ainda imagino como seria soca-lo com minhas próprias mãos.
Mas já acabou.
Já passou.
Marcos não pode mais nos atormentar. Está morto.
Sobre suas culpas... Você precisa decidir, se vai deixa que elas o afogue, ou vai seguir em frente.
Eu sei que é difícil.
Pra mim também é.
Nem sei quantas vezes já fiquei pensando em como me apaixonei pelo irmão de meu agressor. (Não estou de comparando)
A resposta pra todas suas perguntas está dentro de vocês!
Você fez parte de um plano para me coagir a me casar com você, mas também moveu o tempo e o mundo para que eu tivesse uma vida estável.
Você evitou revirar minha dor e me trouxe novas lembranças.
Pode até se sentir culpado por ter "me privado de escolhe meu futuro", mas eu sei que o que sente por mim é algo maior que a culpa.
Pense em nós, Rafael.
Uma vez você disse que não poderia de jogar de cabeça em um sentimento tão raso quanto nossa amizade, porém eu me joguei de cabeça em seu amor e hoje eu te amo.
Esqueça sua razão, Rafael. Chega de imaginar o que pode ou não acontecer.
Eu estou aqui e não tenho a mínima vontade de ir.
Eu desejo você Rafael. Como nunca desejei algo antes.
(Espero que ninguém leia isso antes de chegar a você)
Assim como disse na última vez que estivemos juntos, minha alma, meu coração e meu corpo te desejam e eu nunca vou deixar que isso se apague.
Então por favor, meu amor, não deixe que seus pensamentos confundam você.
Estou lutando ao seu lado e não vou desistir até vencermos.
Eu amo você.
Estou contando as horas pra te ver.
Miranda Sanches"
Fechou os olhos, levou a folha de papel branca até a altura no nariz e inalou o perfume que exalava da carta.
Um longo suspiro surgiu de seu peito.
Está a pronto para enfrentar o júri.
Pronto pra provar que era inocente.
Abriu os olhos e encarou a fresta de sol surgir pela janela ao lado de sua cama.
Dobrou a carta e colocou-a no bolso do terno da cor preta.
Sua sorte foi o carteiro chegar uma hora antes da audiência.
— Espero que não volte, Rafael!— Almirante disse aproximando-se do empresário, fazendo um riso abafado surgir por entre seus lábios.
Rafael estendeu a mão para o homem velho que logo a apertou.
— Esse não é o fim da linha. Não percam a esperança.— o moreno disse antes de respirar fundo.
— Boa sorte lá, moreno!— Carlos disse ao ver o empresário caminhar até a porta.
O empresário apenas assentiu e virou-se para Joaquim, que virava um copo de café na boca.
— Espero que nos encontremos em outra oportunidade.— Rafael murmurou antes de ouvir a porta ser destrancada.
Respirou fundo e passou uma das mãos na barba recém feita.
Nem acreditava que o fizeram aparar a barba e cortar os cabelos antes de ir em audiência.
Ao contrário do que pensou, estava em paz.
Sua raiva não o corroía. Seu ódio não transbordava povo seus olhos.
Sua mente estava neutra.
Seu desejo não era descobrir quem o fez ser preso ou fazer vingança com as próprias mãos.
Seu objetivo era reencontrar sua família.
Caminhou em silêncio pelo corredores da penitenciária.
Seus olhos encaravam as grades dos portões sendo abertas e os guardas que o escoltavam caminhando a sua frente.
A única coisa que ouvia eram as batidas aceleradas de seu próprio coração.
Sua respiração descompassava o fazia aguçar seus sentidos.
Estava saindo de seu inferno para entrar em uma batalha. Uma batalha que decidiria se ele estava pronto ou não para viver uma nova vida ao lado de Miranda.
Rafael assinou o livro de réus antes de ser algemado e conduzido para a área externa da penitenciária.
Seus olhos encontraram as nuvens carregadas no céu.
Riu consigo mesmo ao se lembrar dos dias chuvosos que não dormia escutando as reclamações de Carlos.
As portas do camburão foram abertas e Rafael adentrou.
Em seu corpo residia apenas a louca vontade de ser livre e não mediria esforços para conseguir
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Amor Meu
RomanceDuas histórias. Dois traumas. Duas almas que, em um beco, presenciam um rumo diferente de seu futuro. Até onde você iria por amor? Rafael Sanches é um empresário forte no ramo da tecnologia em São Paulo. O Leão corporativo não abaixa a cabeça para n...
