Hoje eu levantei cedo porque meu dia seria inteirinho na fisioterapia. Jaque ainda dormia quando sai do quarto. As meninas fariam o último jogo antes das eliminatórias das olimpíadas e os meninos estavam de folga pelo resto da semana, então o Centro de Treinamento estava pouco movimentado hoje.
Tomei meu café sozinha e fui caminhando, sem pressa, até a sala de fisio. Alexandre era o fisioterapeuta do nosso time já me aguardava e me ajudou a me deitar na maca para iniciarmos com uma massagem.
- Como tem passado esses dias, Laura? Tem doido bastante? - ele perguntou tirando a bota do meu pé esquerdo.
- Tenho sentido um pouco de dor mas bem menos a cada dia!
- Ótimo! - ele começou a massagem e eu estava relaxando bastante.
- Vou acabar dormindo! - comentei rindo e o Ale riu também.
Ficamos conversando sobre o time e também sobre o meu tratamento até a massagem acabar. Ele colocou um elástico esticado nos meus dois pés e me instruiu a encostar e afastar os pés. Era para fazer aquele exercício 25 vezes mas era bem mais complicado do que eu imaginei porque meu tornozelo começou a doer muito.
- Não sei se consigo! - eu comentei, ao perceber que agora meu tornozelo doía cada vez mais.
- Laura, eu sei que dói mas a gente têm que tentar! - ele segurou meus pés - Pelo menos 10, pronta? - neguei com a cabeça - Ok, no seu tempo! - respirei fundo e assenti, movendo meus pés.
Aquilo doía demais e me desanimava ainda mais porque quanto mais dor eu sentisse, para mim significava que eu estava cada vez mais longe de voltar a jogar. Na quarta tentativa, eu pedi para parar. Me deitei na maca e comecei a chorar ainda mais.
- Tudo bem, vamos parar! Desculpa por isso mas em lesões como essa, temos que iniciar a fisioterapia mesmo que ainda tenha dor para ajudar na reabilitação do tornozelo! - assenti com meus olhos fechados - Vamos continuar amanhã! Eu vou te levar na enfermaria para tomar algum remédio para a dor! - Ale disse.
Ele me ajudou a sentar na maca e colocou a bota no meu pé novamente e me ajudou a ficar de pé para me assentar na cadeira de rodas. Ele me levou e explicou toda a situação para o Dr. Júlio, que estava ajeitando as coisas para o jogo.
O médico me receitou analgésicos e ao invés de passar o dia inteiro na fisioterapia, eu passei o dia todo na enfermaria. Júlio já tinha saído junto com o time feminino para o jogo, quando Camila, a enfermeira que ficava ali no CT, me liberou para ir para o meu quarto.
Eu preferi ir sozinha mesmo, apesar ainda estando meio dolorido mas eu estava com tanta vontade de chorar que eu quis ir devagar até chegar no meu quarto, deixando algumas lágrimas rolarem pelo meu rosto. Abri a porta do meu dormitório e quase cai ao ver quem estava sentando na minha cama.
- Que susto, Bruno! - eu disse me apoiando na porta, depois de fechá-la, tentando disfarçar a minha cara de choro. Ele riu da minha cara.
- Foi mal! - ele disse se levantando e vindo me ajudar a conseguir chegar na minha cama para me sentar.
- Você não tá de folga, Capita?
- Estou mas vim te ver! - ele sorriu.
- Não consegue viver longe de mim, né? - eu disse brincando.
- Para ser sincero, não! - ele se aproximou e me deu selinho - Como foi na fisioterapia hoje? - meu estômago revirou. Eu não queria falar que tinha sido horrível, dolorosa e ainda por cima sem nenhum progresso.
- Foi tudo de boa! - eu forcei meu melhor sorriso.
- Certeza?
- Sim! - eu cocei minha garganta - Vou tomar um banho e já volto! - eu disse depois de tirar a bota do meu pé e me levantando mas quase cai, mas Bruno me segurou.
- Tá bem?
- Sim, só estou meio cansada por conta de hoje! - ele assentiu.
- Você vai conseguir tomar banho?
- Vou ter que conseguir!
- Tudo bem! Qualquer coisa você me grita! - assenti e me ajeitei para voltar a andar - Não tranca a porta! - ele me alertou e eu assenti, voltando a andar mas agora com seu braço me envolvendo e me ajudando a chegar até meu guarda roupa para pegar minha roupa e depois chegar no banheiro.
Me apoiei na parede e fui tirando a minha roupa. Quando finalmente consegui chegar debaixo do chuveiro, fiquei uns cinco minutos só deixando a água cair sobre a minha cabeça e eu aproveitei para chorar pela minha frustração de hoje.
Por conta da minha crise de choro, acabei demorando mais do que o normal no banho e o Bruno percebeu isso porque bateu na porta.
- Tá tudo bem? - ele perguntou do outro lado. Engoli meu choro. Eu não queria perturbar o Bruno com os meus problemas.
- Tá sim! Já estou saindo.
- Ok então! - lavei meu rosto antes de desligar o chuveiro e suspirei fundo.
Me enxuguei e vesti a minha roupa com um pouco de dificuldade, como estavam sendo nos últimos dias. Peguei as muletas e me desapoiei da parede, caminhando de volta para o quarto.
- Tá estranha hoje! - Bruno disse assim que me viu abrir a porta - Tem certeza que tá tudo bem?
- Sim, só cansada! - eu disse penteando meus cabelos já sentada na cama. Ele me olhava, como se tivesse me analisando.
- Você estava chorando?
- Não! - eu disse desviando o olhar - Caiu shampoo nos meus olhos e por isso estão vermelhos! - eu dei uma risada sem graça e ele prosseguiu me olhando.
- Tudo bem, se você não quer me contar, não vou te obrigar! - ele disse pegando a toalha molhada que estava na cama e levando para o banheiro e a estendendo lá - Mas pode contar comigo para tudo e você sabe disso, né? - ele complementou e eu assenti.
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Destino - B. Rezende
FanfictionMal sabia ela que a primeira convocação para a Seleção Feminina de Vôlei traria muito mais mudanças além de sua carreira profissional.
