Capítulo 59

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- Laura? - ouvi Bruno me chamar. Abri meus olhos com dificuldade e o olhei, ainda tentando me acostumar com a claridade do quarto - Eu e o meu pai vamos para o treino, mas se você quiser, fico aqui com você!

- Não precisa, Bruno! - eu disse, me sentando na cama.

- Meu pai trouxe seu café, assim você não precisa ir lá embaixo e ter outra crise de pânico igual a noite passada! - assenti - O pessoal do hotel vai trazer o almoço aqui para você!

- Obrigada!

- Tem certeza que não quer que eu fique? Vamos ficar o dia todo fora!

- Você tá tentando fugir do treino, Bruno Rezende?  - eu o questionei, rindo e ele sorriu.

- Você não sabe o quanto me deixa feliz ouvir a sua risada hoje! - se aproximou e me deu um selinho - Seu irmão deve chegar ainda cedo! - assenti.

- Tudo bem! - eu disse me ajeitando na cama e pondo café na minha xícara.

- Então eu vou descer!

- Tomou café já?

- Já, não se preocupa! - me deu outro selinho - Se cuida e qualquer coisa, QUALQUER COISA MESMO, me liga! - eu ri, ao ouvir ele frisar a frase.

- Tá bom, te ligo! - ele sorriu e beijou a minha testa.

- Te amo!

- Também te amo!  - ele sorriu e caminhou até a porta, saindo.

Tomei meu café e depois me levantei, indo até o banheiro. Fiz minhas higienes e aproveitei para tomar um banho. Depois de me ajeitar, me sentei na cama, pensando o que faria agora. Olhei meu celular em cima da cômoda e resolvi pegá-lo.

Tinha um monte de notificações. Ignorei todas, só focando na mensagem da Sâmia, a psicóloga da Seleção, perguntando se poderíamos conversar hoje. Suspirei fundo e a respondi, dizendo que sim e então logo ela me respondeu, me mandando encontrá-la no andar de cima. Sai do quarto, fechando a porta e subi as escadas, batendo na porta do quarto dela, que a abriu prontamente.

- Laura! - ela me abraçou.

- Oi! - eu sorri e adentrei no quarto.

- Pode se sentar! - ela disse, mexendo no seu notebook. Assenti e me sentei na sua frente - Podemos começar? - assenti - O que você me conta hoje? - comecei a falar, desde o início: como conheci Leonardo, como ele foi mudando e principalmente o que tinha acontecido nos últimos dias.

- Como dormiu essa noite?

- Bem, eu tomei um remédio que o Júlio passou! - sorri amarelo.

- Ele te passou esses remédios porque você estava se sentindo mal ou ele fez isso antecipadamente?

- Eu tive uma crise de pânico ontem antes do jantar, então o Bruno achou melhor o Júlio vir ver como eu estava e aí ele me passou alguns remédios! - ela assentiu, anotando no seu notebook algo.

- O por quê da sua crise? - eu contei tudo que estava sentindo e ela ia digitando. Eu falava e Sâmia sempre pontuava algo. Nossa sessão já durava quase duas horas, tanto que eu já até chorava.

- Eu estava pensando ontem a noite em voltar para casa! - comentei depois de um tempo em silêncio.

- E o restante dos jogos?

- Não sei se consigo jogar por um tempo! Quer dizer, ontem eu nem consegui ir lá embaixo jantar, imagina entrar numa quadra e ter aquele monte de pessoa me olhando e me julgando!

- Laura,  primeiro ponto que você precisa entender: a culpa não é sua! Segundo: o que aconteceu, eu sei que você nunca irá esquecer, mas cabe a você seguir em frente e enfrentar o que tudo que tem te assustado!

- Mas não é fácil! - eu sussurrei.

- Eu sei que não! Nunca é e eu te entendo, mas eu tô aqui para te ajudar, o Bruno, a sua família, os seus amigos, mas você tem que deixar a gente te ajudar, tá bem? - assenti - Ninguém vai estar te julgando e eu tenho certeza que a maioria vai estar te apoiando, como tem sido nas redes sociais! Já entrou no seu Instagram? - neguei com a cabeça - Quando você fizer isso, vai se surpreender então! Olha, pensa melhor sobre essa questão de ir para casa, não se entrega assim! 

- Tudo bem, vou pensar!

- Ótimo! Amanhã a gente conversa mais, pode ser?

- Pode! - me levantei e ela me deu outro abraço.

- Até então, Laura!

- Até, Sâmia! - abri a porta e saí. Desci as escadas e parei no meio do corredor, ao ver meu irmão parado ali, com o celular em mãos. Corri em sua direção, o assustando mas logo seus braços me envolveram num abraço apertado, enquanto ele beijava o topo da minha cabeça - Como você tá?

- Indo!

- Me desculpa, se eu não tivesse falado para você... - o interrompi.

- Não continuar essa frase, por favor! - ele suspirou.

- Passei na delegacia hoje! Ele vai continuar preso, mas fiz uma medida protetiva para você, por precaução! - assenti e nos separamos, adentrando no quarto. Ele deixou suas malas no canto.

- Como tá a mamãe e o papai?

- Arrasados, a coisa mais difícil foi ter que explicar para eles o que estava acontecendo com você - meu coração se apertou e eu voltei a abraçá-lo - Laura, olha eu sei que não tenho muita experiência nessa coisa de ser empresário, mas eu quero muito tentar isso, até porque eu já não confio em mais ninguém para fazer isso! O que você acha?

- Só se você quiser, Luan! Não quero que se sinta na obrigação de fazer isso só porque tudo isso aconteceu!

- Eu quero tentar, quer dizer não deve ser muito difícil - ele riu - Quer dizer, olhar e-mail, verificar se ninguém tá te dando calote, conversar com os patrocinadores e as melhores partes: viajar ao redor do mundo e receber um salário generoso da minha querida irmã! - eu ri.

- Não vou te pagar nada! - eu disse brincando - Vou só te dar gratidão!

- Gratidão não vai pagar uma Ferrari para mim, Laura! - gargalhei - Mas eu teria que ver como ia ficar a minha relação com a Joana, porque a gente vai se mudar, né?

- Eu sei que você ama ficar perto de mim... - ele mostrou língua para mim, me fazendo rir -  Mas não precisa estar em todo lugar que eu estiver! Você pode ficar no Brasil e entre uma reunião ou outra, você vai! Não vou deixar você e a Jô terminarem! - ele sorriu e uma ideia passou pela minha mente - Sabe o que eu acabei de pensar? - Luan negou com a cabeça - Joana tá fazendo Marketing e Social Mídias, né? - ele assentiu - E se ela cuidasse das minhas redes sociais? Ela leva jeito, bem mais que eu! - eu ri.

- Acho que ela vai amar a ideia! - meu irmão sorriu.

- Assim, quando ela acabar a faculdade no próximo ano, vocês vão poder estar sempre juntos, até trabalhando!

- Vou ver com ela, mas ela vai querer com certeza! - eu sorri.

- Espero que sim! - ficamos em silêncio por um tempo e eu me deitei na cama, de barriga para cima, pensando na vida. - Eu  estava pensando em voltar para o Brasil, mas acho que não posso parar no tempo e ignorar a minha oportunidade aqui na Seleção, eu tenho que continuar e superar isso!

- Eu também acho!

- Vai ser difícil! - suspirei - Hoje eu comecei a terapia! - comentei, olhando para o meu irmão, que sorriu.

- Que bom que está procurando ajuda! - assenti.

- Espero que a partir de hoje, seja um novo começo para mim!

Destino - B. RezendeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora