Capítulo 35

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Thaísa alisava meus cabelos enquanto eu estava deitada em seu colo chorando feito bebê. A pior coisa que as pessoas podem dizer de você é que você não merece estar aonde estar e eu tinha a mente tão fraca, que até acreditava que eu não era boa o suficiente para estar ali. 

- Por quê as pessoas são assim? - eu perguntei depois de tomar um pouco de água que Macrís tinha pegado para mim.

- Porque elas são cúzonas e invejosas! - Thaísa disse e eu acabei rindo - Tô falando sério, Laura! Você é uma mulherona da porra, joga bem pra caralho e tá "namorando" o Bruno, você acha que o povo tá lá falando mal de você por quê? Porque estão tudo com inveja!

- Eu queria não ligar muito para o que o povo na internet diz! - eu suspirei, tentando não chorar novamente. 

- Não fica abalada com isso que vai ser pior, Laura! - Macrís disse e Thaísa concordou. Meu celular ainda vibrava freneticamente. Eu ia pedir para desligar o aparelho mas Thaí me entregou o celular, me mostrando que minha mãe tinha me mandado mensagem.

Ela me perguntou se que estava bem e se já tinha visto o que estava rolando no Instagram. A respondi com sinceridade, que já tinha visto e como eu estava me sentindo com relação à aquilo tudo. Fiquei um tempo conversando com a minha mãe, enquanto minhas companheiras de quarto guardavam as coisas delas do jogo.

Ouvimos batidas na porta. Eram Julia e Vitória.

- Oi! - a irmã mais velha de Bruno disse - Podemos entrar? - Thaísa assentiu e as duas adentraram no quarto - A gente viu o que tá acontecendo na internet... - ela começou dizendo e eu sequei algumas lágrimas teimosas que ainda caiam do meu rosto.

- A gente queria vir te dar um abraço! - Vi disse e eu sorri, abrindo os braços em sua direção, que prontamente veio retribuir. Julia também se juntou ao nosso abraço.

- Só queria dizer que o pessoal na internet é chato assim mesmo! Quando meu pai convocou o Bruno para a seleção na primeira vez, foi a mesma coisa. Não fica abalada com isso porque nada do que eles estão falando sobre você é verdade! - a ruiva ia dizendo e eu escutava tudo com meus olhos cheios de lágrimas, mas com o coração cheio de alegria por ter colocado pessoas como elas, tão maravilhosas na minha vida.

- Obrigada! - eu disse num sussurro.

- Eu e a Vi pensamos em assistir uns filmes, o que acha de vir com a gente? - Julia me perguntou, segurando a minha mão.

- Vai, Laurinha! - Macrís disse - Vai ser bom para distrair essa cabeça!

- Tudo bem! - eu concordei e me levantei - Deixa eu ir no banheiro primeiro! - elas assentiram e eu caminhei até o cômodo, fechando a porta. Fiquei um tempo me olhando no espelho, ainda sentindo meus olhos cheios de lágrimas. Respirei fundo e lavei meu rosto. 

Sequei com a minha toalha e amarrei meu cabelo num rabo de cavalo, suspirando pesadamente antes de sair dali. Eu fui na direção do meu celular na intenção de ver se minha mãe tinha me respondido mas fui impedida pela Thaísa.

- Você não vai pegar esse celular hoje mais, Laura! - ela disse, tomando meu celular novamente das minhas mãos e guardando na gaveta da minha mesa de cabeceira. Vitória pegou a minha mão e a segurou firme, me guiando para fora do quarto.

- Bruno disse que você não gosta muito de elevador! - Julia disse eu sorri.

- Não mesmo!

- Vamos descer de escadas então? É no andar de baixo mesmo! - eu assenti e voltamos a caminhar. Descemos alguns degraus até chegar no andar de baixo, sem muita demora.

- Oi, meninas! - Fernanda disse assim que nos encontrou no corredor, próximo ao quarto delas.

- Oi, dona Fernanda! - eu disse, dando um sorriso.

- Sem "dona", Laura! - eu sorri, envergonhada.

- Mãe, nós vamos assistir filme, tá bom? - Vitória disse e a mulher assentiu.

- Vão lá, daqui a pouco eu volto e assisto com vocês o filme! - a mulher disse e saiu andando. Nós fizemos o mesmo e adentramos no quarto em que os Rezendes estavam hospedados (com exceção do Bruno, claro). Era maior, tinha duas camas de casal, além dos móveis como guarda-roupa, a tv enorme e um banheiro.

- Conheço um filme que você deve gostar! - Julia disse ligando a tv e eu sorri - "Beleza Oculta", já viu?

- Nunca nem ouvi falar! 

- É bem bonito, me indicaram e eu amei!

- Espero não chorar! - ela riu - Coloca para a gente então! - a ruiva assentiu e foi abrir a Netflix.

Julia me disse aonde poderíamos deitar e então eu me sentei na cama, com as pernas completamente esticadas e encostada na parede. Vitória deitou a cabeça no meu colo enquanto sua irmã dava play no filme e se deitava ao meu lado. Eu acariciava o cabelo da pequena, prestando a atenção na televisão, me permitindo se distrair um pouco. Bruno abriu a porta repentinamente, nos assustando.

- Como assim vocês estão fazendo uma sessão de filmes e nem me chamaram? - ele perguntou nos olhando e sorrindo. Vitória riu  e Bruno adentrou o quarto, fechando a porta e caminhando para se sentar ao meu lado. 

- Vou voltar do início para você acompanhar! - Julia disse e o seu irmão assentiu, me olhando.

- Você tá bem? - me perguntou sussurrando próximo ao meu ouvido.

- Não sei, não quero ficar pensando nisso agora! - ele assentiu e me deu um selinho.

- Me desculpa, é culpa minha! 

- Não é sua culpa, Bruno! Não precisa se culpar - ele me abraçou por trás e ficamos assim por um tempo. Fernanda voltou acompanhada do Bernardinho e trouxeram pipoca e alguns doces, que com certeza se a minha nutricionista visse, me mataria. Os dois também assistiram o filme junto com a gente. 

Ficamos a tarde toda ali, assistimos mais outro filme e depois ficamos conversando, "resenhando" como dizia Bruno. Estava muito bom estar ali, me distraindo, mas eu sabia que a partir do momento que que eu ficasse sozinha, as palavras que eu havia lido mais cedo, me atormentariam ainda mais.

Destino - B. RezendeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora