Capítulo Extra (7)

4.8K 412 184
                                        

- O jogo já começou tem um tempão! - Douglas comentou, olhando para a tela do seu celular - As meninas estão perdendo de 2X1!

- O pessoal tudo já subiu para assistir, vamos também? - Lucarelli nos perguntou, se levantando.

- Vamos! - eu disse, fazendo o mesmo que ele. Nós quatro então saímos da mesa, caminhando em direção aos elevadores.

- Bruno? Graças a Deus! - ouvi alguém me chamar, com a voz ofegante, e me virei, vendo Rosamaria e Gattaz ali.

- O que vocês estão fazendo aqui?

- Longa história, mas a gente precisa conversar com você em particular! É sobre a Laura!

- Achei que já tivesse tempo suficiente para superar esse assunto, Rosa!

- Não é nada disso! É sério e você precisa escutar a gente!

- O que aconteceu? - meu pai a questionou.

- É... Eu acho melhor conversamos em outro lugar! - Ela disse e eu acabei ficando curioso.

- Vamos subir então! - eu disse e ela assentiu. Nós seis então pegamos o elevador e fomos até meu quarto - O que é então?

- Bruno... - Rosamaria começou a dizer, mas sua voz ficou embargada - Eu nem sei como dizer o que eu tenho para contar porque para mim, como mulher, é uma situação que eu não gostaria nunca de passar! - fiquei apreensivo.

- Vocês estão me deixando tenso, contem logo! - Douglas pediu.

- Tudo bem, é... Ontem a gente encontrou a Laura num bar no centro e conversamos um pouco, mas ela recebeu uma mensagem que a deixou um pouco tensa, quer dizer, bastante tensa! - Rosa dizia.

- As mãos dela chega tremiam! - Gattaz complementou e a outra assentiu.

- Até perguntei se tinha acontecido algo, mas ela disse que precisava ir! Mas como ela estava naquele estado, nós resolvemos segui-la e ela atendeu o telefone e logo começou a chorar. .. Ela nos confidenciou que o empresário dela estava a ameaçando e foi até ele que te mandou uma mensagem, acho que você sabe qual é! - assenti - Bruno, ela não pode de maneira nenhum ficar sozinho porque... Porque... - sua voz falhou, mas eu entendi o que ela queria dizer.

- Você só pode estar brincando, né? Porque se for verdade, eu acabo com a raça desse filho da puta!

- Não estou, Bruno! Acho que ontem conseguimos evitar isso, porque rodamos essa cidade inteira para evitar que ele achasse ela, mas se a gente não fizer nada, ela vai acabar sofrendo abusos bem mais que psicológicos!

- Fizemos o boletim de ocorrência, mas a polícia disse que só pode fazer algo se a Laura depor ou se tiver flagrante! - Gattaz disse e eu me sentei na cama, ainda não acreditando no que eu ouvia. Ela me mostrou o papel com o símbolo da polícia. 

- Você tem que convencer ela a fazer isso, Bruno! - Rosa disse - Quando uma pessoa passa por isso, o medo fala mais alto que qualquer razão! Se você conversar com ela e dizer que já sabe, tenho certeza que a Laura vai ter mais coragem de ir na delegacia, porque vai se sentir mais segura!

- Tudo bem, eu vou atrás dela! - eu disse pegando minha jaqueta e minha carteira antes de sair do quarto.

- Eu vou com você! - Lucarelli disse.

- Nós vamos! - Gattaz disse e todo mundo me seguiu, adentrando no elevador.

As meninas foram de Uber, enquanto eu e os outros três pegamos o primeiro táxi que passou por ali, mas acabamos parando num engarrafamento, porque segundo o taxista, uma das ruas próximas ali estava fechada. Bufei frustrado.

Tudo que eu queria agora era encontrar com a Laura, abraçá-la e dizer que aquele maldito não iria nunca ousar encostar nela, mas parecia que os carros na nossa frente não andavam nunca.

- Parando para pensar...- Lucarelli começou dizendo, quebrando o silêncio dentro do carro, e eu o olhei.

- O quê?

- Ontem eu fui no quarto da Laura e os dois estavam lá. Ela estava chorando e ele disse que era só uma crise de ansiedade, mas na verdade... - sua voz falhou - Eu senti que era o certo ficar lá com ela, meu Deus! - passou a mão na testa - Sabe lá o que ele teria feito se eu não a esperasse!

- Você não faz ideia do que eu vou fazer com aquela cara dele! - comentei - Espera ele aparecer na minha frente! - eu comentei, olhando pela janela e percebendo que o táxi finalmente andava.

Agradeci a Deus mentalmente quando finalmente chegamos no estádio, mas foi um pouco dificil adentrar ali, porque muita gente estava saindo. Algumas pessoas nos reconhecerem, mas eu acabei pedindo desculpas e que em outra ocasião eu tirava foto, mas naquele momento eu tinha que resolver uma situação.

- O jogo já acabou? - meu pai questionou, passando por algumas pessoas.

- Parece que tem uns 15 minutos que já! - Douglas comentou olhando no celular - 3 sets a 2 para a França!  - fiz uma careta. Encontramos Rosamaria e Gattaz nos esperando próximo à entrada para poder adentrar e chegar próximo ao vestiário.

- Cadê a Laura? - perguntei assim que vi Gabriela saindo e fechando a porta aonde as outras jogadoras conversavam.

- Ela já foi com aquele empresário dela! - Gabi comentou e meu coração errou a batida.

- Filho da puta! Onde ele está hospedado? - eu perguntei para o Lucarelli.

- Não faço a menor ideia! E agora? - a nossa movimentação atraiu todo o pessoal do time feminino.

- Não sei!

- O único jeito vai ser ligar para ela, não? - Jaque comentou.

- Não sei se vai adiantar muito, mas vou tentar! - peguei meu celular no bolso e procurei seu contato.

- O que está acontecendo? - Zé perguntou e meu pai explicou a situação para todos de forma sucinta, assustando todo mundo.

Enquanto ligava para ela, ouvimos um toque de telefone dentro do vestiário e Gabi acabou soltando um grito.

- MEU DEUS, O CELULAR DA LAURA! - ela correu para dentro do vestiário e voltou com o aparelho conectado no carregador - Ela deixou carregando e pediu para me lembrar! - ela se desesperou.

- Calma, Gabi! - eu pedi, mas foi hipocrisia, porque por dentro eu estava pior que ela.

- Talvez no celular dela não tenha nada que possa ajudar? - Júlio comentou e eu concordei. Gabi me entregou o celular e eu agradeci mentalmente por saber a senha dela. Abri o WhatsApp e fui direto na conversa com o Leonardo. Passei o olho rapidamente nas mensagens que ele enviava para ela, o que me fez dar mais ódio ainda. Parei na que ele havia mandado um a localização para ela, justamente no dia que ela sumiu. Então ela estava lá e o filha da puta teve a coragem de me dizer que não tinha a visto.

- Achei, ele tinha mandado o endereço do hotel que está hospedado! - eu disse clicando na localização - Vamos? - perguntei os que me acompanhavam. 

- Vão vocês e eu vou ficar aqui com a Gattaz para explicar a situação melhor para elas! - Rosa disse e eu assenti.

- Obrigado!

- Vai logo, Bruno!

Destino - B. RezendeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora