- Cadê você menina? - Gary me questionou assim que atendi sua chamada.
- Calma que já tô descendo! - eu disse abrindo a porta do quarto, conferindo se tinha pegado tudo mesmo.
- Vem de elevador, hein! Se você demorar mais um pouco, a Gabi vai acabar desmaiando aqui de fome! - eu ri.
-Ai, tá bom! - eu disse suspirando fundo ao apertar o botão daquele negócio. Desliguei a chamada assim que a porta se abriu. Bruno estava no cubículo e me olhou de cima a baixo. Suspirei fundo e entrei, observando que ele já tinha apertado o botão para o térreo.
- Tá bom! - eu sussurrei para mim mesma - São só dez segundos! - eu disse me apoiando na parede e fechando meus olhos, sentindo que Bruno me observava. Abri meus olhos rapidamente ao sentir um barulho e logo tudo parar, ficando tudo escuro - AI MEU DEUS!
As luzes de emergência se ascenderam no painel. Olhei para Bruno assustada e por impulso, segurei sua mão, que a apertou firme. Eu sentia minha respiração já falhando, mas eu tentei me acalmar, inspirando e expirando pelo menos umas dez vezes.
- Eu vou ligar para o pessoal do hotel! - ele disse calmo e eu assenti. Ele apertou o botão e o som de chamada ecoou por todo o elevador. Um rapaz da manutenção atendeu e tentou nos acalmar. Segundo ele, tinha tido um curto na rede do hotel e que o pessoal da manutenção já estava resolvendo essa situação.
Resolvi ligar para a Fernanda de novo, que logo me atendeu.
- Você me paga por me apressar e me fazer entrar nesse negócio, Garay! - eu disse assim que ela atendeu.
- Você tá presa aí? - ela me perguntou surpresa.
- Sim! - eu disse tentando acalmar minha respiração.
- Puta que pariu! Eu vou ver com o pessoal do hotel aqui!
- Não precisa! O Bruno já ligou para eles daqui do elevador e já vão resolver! - ela riu.
- Não acredito que vocês estão presos aí juntos! Tem mais alguém aí?
- Não! - eu respondi na esperança que Bruno não estivesse escutando a Garay, do outro lado da linha. Ouvi ela rindo e comentando algo com as outras - Se vocês quiserem, podem ir para o restaurante, depois que eu sair, encontro vocês lá!
- Tem certeza?
- Tenho! Não sei quanto tempo isso vai demorar então é melhor vocês já irem, já que vocês não podem voltar muito tarde!
- Tudo bem! Qualquer coisa você liga mas tenho certeza que o Bruno não vai deixar de te amparar! - ela disse rindo e eu bufei.
- Tchau! - eu disse desligando, sem esperar ela me responder. Suspirei fundo e soltei a mão do Bruno, me sentando no chão, fazendo alguns exercícios de respiração.
Ele ficou em pé por alguns minutos mas logo se sentou ao meu lado.
- Tá tudo bem? - ele perguntou, quebrando o silêncio.
- Não, não está! - eu disse tentando me não surtar.
- Tenta se acalmar, ok?
- E o que você acha que eu estou fazendo?
- Tem alguma coisa que eu possa fazer para te ajudar?
- Não sei! - respirei fundo - Fala alguma coisa para tentar me distrair! - ele assentiu.
- Então você não vai sair com o seu ex? - sabia que ele ia falar sobre esse assunto.
- Não!
- Desculpa pelo jeito que falei hoje com você! Eu estava chateado porque achei que você tinha aceitado jantar com o tal de Henrique. Eu escutei você e o Lucarelli conversando ontem e achei que era isso - eu ri.
- Eu estava falando que ia sair para jantar com as meninas!
- É, agora eu sei! Foi um mal entendido. Me desculpa! Por ontem e por hoje também. Eu só... - ele suspirou e não completou a frase.
- Só o que?
- Só fiquei com medo de ter te perdido! Você e o seu ex pareciam ainda se gostar, pelo jeito que vocês falavam ontem!
- Eu não gosto mais dele, não como eu gostava antes e ele sabe disso! Se ele sente alguma coisa por mim, o problema é dele porque foi escolha dee terminar comigo para morar em São Paulo!
- Ele foi para trabalhar?
- Foi, ele disse que era uma oportunidade única para a carreira dele! Eu fiquei preocupada em como ia ficar nossa relação e ele pensou que eu estava querendo impedir o crescimento profissional dele e que se fosse ao contrário, ele não pensaria duas vezes em me apoiar! Daí ele quis terminar e depois de quase um ano ele veio conversar comigo e conseguimos resolver as coisas, por isso somos amigos apesar de tudo. No começo foi difícil esse lance de amizade com ex, mas eu acabei amadurecendo e percebendo que apesar do nosso término, ele havia me incentivado bastante a jogar vôlei e sempre me apoiou a correr atrás do meu sonho, então não valia a pena ficar chateada! - ele assentiu depois de escutar tudo. Bruno me olhou e eu me permiti também o olhá-lo. Só uma fraca luz vermelha iluminava o ambiente - Bruno?
- Oi?
- Não quero continuar com esse climão entre a gente!
- Eu também não! - ficamos em silêncio um pouco - Me desculpe mesmo! Eu só fiquei com medo de te perder - Bruno pensou antes de falar - Eu sei que não tem como perder algo que não de tem mas... - eu o interrompi.
- Você me tem! Desde o dia que nos conhecemos, não sabíamos mas eu já era sua!
- E eu seu! - sua voz saiu como um sussuro. Ele ajeitou uma mecha do meu cabelo e segurou meu rosto, enquanto aproximava o seu. Eu já sentia sua respiração quente sob a minha pele.
Juntei nossos lábios e eu só fiquei pensando no quanto eu estava com saudade daquilo. O beijo dele era o meu vício e a abstinência tinha me causado sérios prejuízos. Nossas línguas pareciam que dançavam juntas. Em perfeita sincronia, ao som das batidas do nosso coração.
Uma de suas mãos segurava meu rosto, a outra deslizava pelas minhas costas, sob a minha blusa. Nos aproximamos mais, com um beijo mais cheio de desejo mas como um estalo na minha cabeça, lembrei que não poderíamos continuar aquilo ali dentro.
Bruno agora também tentava recuperar sua respiração. Ficamos só ouvindo o expirar e inspirar um do outro até a luz do elevador se ascender novamente e começar a se movimentar. O jogador se levantou e me ajudou logo em seguida. Em questão de segundos a porta se abriu, no térreo.
- Mil desculpas pelo ocorrido! - o gerente do hotel disse, em inglês. Ele nos esperava na porta do elevador.
- Não tem problema! - eu respondi e sorri, apertando o botão do elevador para subir.
- Você não vai jantar com as meninas?
- Acho que temos coisas melhores para fazer, Bruno! Aliás, seu quarto tá vazio?
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Destino - B. Rezende
FanfictionMal sabia ela que a primeira convocação para a Seleção Feminina de Vôlei traria muito mais mudanças além de sua carreira profissional.
