As americanas até tentaram uma reação, o que fez o set se prolongar um pouco, mas no fim conseguimos vencer por 31x29, indicando que só faltaria este terceiro set para vencermos mais um jogo e prosseguirmos com 100% de aproveitamento no torneio e dando um grande passo para podermos nos classificarmos para as Olímpiadas.
Pedi para o Zé se eu podia ficar no banco um pouco, porque eu realmente estava cansada. Era complicado estar sem ritmo de jogo e ainda ter que encarar um set mais longo pesava muito. Ele concordou e Sheilla foi para o jogo para suprir minha falta, assim como a Garay que voltou e Natália saiu.
- Tudo certo? - Júlio perguntou, me estendendo uma garrafa de Gatorade.
- Tá, só sem muito ritmo! - ele riu.
- Tá mandando bem! - eu sorri.
- Acho que sim!
- Acha? Eu tenho certeza, Laura! - ele riu e eu abri a garrafa.
Resolvi olhar para a arquibancada, especificamente para o Bruno, que também me olhava, preocupado. Ele silabou algumas coisas, mas eu claramente tinha um problema para fazer leitura labial, o que nos fez rir. Lucarelli também ria da gente e resolveu fazer mímica para ajudar.
Luca apontou para o seu tornozelo e depois para mim. Eu ri, entendo o que eles queriam saber. Eu neguei com a cabeça, que não estava sentindo dor no meu tornozelo. Eles assentiram e sorriram para mim.
Voltei a minha atenção para o jogo novamente, vendo que as americanas sacavam. Olhei para o telão e vi que elas já haviam feito 5 pontos, enquanto nosso time apenas 1. Zé pediu tempo assim que elas fizeram mais um ponto, logo as meninas se reuniram em volta da área técnica. Ajudei Júlio a distribuir água para elas, ouvindo Zé passar algumas orientações.
- Meninas, cadê a atenção nos ataques das americanas? Se vocês deixarem elas gostarem do jogo, não colocarem pressão, elas ainda podem ganhar a partida! Vamos focar no que vocês estão fazendo, por favor!
- Vamos, time! - Garay disse batendo palmas e voltando para a quadra. Drews foi para o saque, mas a bola foi na rede. Comemorei junto com as meninas ali no banco.
- Outro ponto de saque que ela perdeu! - comentei com a Jaque.
- Bem fraquinha no fundamento!
- Se eu fosse o técnico, sempre trocava quando ela fosse para o saque! - comentei, rindo.
- Ainda bem que você não é, se não a gente ia ter uns pontinhos a menos! - Jaque disse e nós rimos.
Garay agora ia para o saque para nós e sem forçar muito, passou a bola para o outro lado. Como a bola chegou fácil, do mesmo modo foi para as americanas trabalharem a bola e passá-la com força total para a nossa quadra, não dando chance para a nenhuma das meninas defenderem. Zé Roberto negava com a cabeça, chateado.
- Laura? - ouvi o técnico me chamar e olhei para ele - Você consegue jogar mais? Preciso de você para conseguimos virar esse set e acabar com isso logo!
- Tá bom! - ele assentiu e eu me levantei, pegando uma toalha e secando meu rosto e minhas mãos.
- Quero você, a Tandara e a Garay no bloqueio novamente para ver se acaba com esses pontos de ataques! Elas estão se aproveitando muito dessas falhas nossas! - assenti ouvindo as orientações dele, enquanto o auxiliar me entregava a plaquinha, indicando que a Sheilla sairia para a minha entrada.
Zé pediu a substituição e minha companheira saiu, pegando a plaquinha e piscando o olho para mim e sorrindo, o que me fez rir. Gabi também saiu para a Jaque entrar. Me aproximei das meninas, dentro da quadra, as cumprimentando e também passando as orientações do nosso treinador para elas.
Conseguimos virar o jogo com muita calma e sem muitos erros, como antes estávamos tendo. Era muito importante mantermos assim, porque desta forma ficava mais fácil para ganharmos, já que as americanas não estariam "no jogo" para tentarem qualquer reação.
A bola estava em disputa à quase 30 segundos. Larson a jogou, explorando o bloqueio da Tandara e então Macrís acabou tendo que fazer uma defesa incrível para ainda podermos lutar pelo ponto. A bola veio em minha direção e eu sabia que teria que fazer o levantamento, porque pela a minha análise do jogo, uma deixadinha agora não iria nos resolver porque o time americano estava bem posicionado.
Então, resolvi que era hora de usar algumas habilidades que aprendi com o Bruno. "Se você tiver que levantar a bola para alguém, tenta sempre girar a palma das mãos e os punhos de dentro para fora, empurra com força com os dedos, esticando os braços para cima" eu lembrava o que ele tinha me dito outro dia que jogávamos nós dois na quadra do CT e foi o que eu fiz, levantando a bola para a Jaqueline, que mandou a bola para o outro lado, num lindo ataque. Olhei para o Bruno, que riu e batia palmas pelo ponto conquistado por nós.
- Aprendeu direitinho com o crush, né? - Jaque disse vindo me abraçar e eu ri, abraçando o restante do time em quadra. Eu fui caminhando para voltar para minha posição. Olhei para o telão, vendo que faltaria mais um ponto para o nosso Match Point.
- Só mais dois pontos, meninas! - Zé batia palma para nós, tentando nos empurrar nesse momento final da partida.
Jaqueline foi para o saque, fazendo a bola perigosamente a bola para o outro lado, quase um ace, se não fosse a líbero dos Estados Unidos se jogar no chão para a defesa. A levantadora delas fez um ótimo passe para Drews, que saltava pelo lado direito. Subi para tentar um bloqueio sozinha e fiquei indignada quando a juíza marcou ponto para as americanas, sendo que a bola tinha ido para fora sem nem ao menos encostar em mim.
Zé olhou para mim, fiz sinal de que não havia tocado na bola e ele assentiu, pedindo desafio. Eu odiava toda aquela tensão que ficava quando a gente aguardava a análise do lance. Garay se aproximou de mim, fizemos um toque de mão e ela apoiou os braços no meu ombro.
- Que escora boa! - ela disse rindo e eu tirei os braços dela e coloquei o meu no seu ombro.
- Realmente! - eu ri e tirei meu braço de cima dela, caminhando para próximo da área técnica para beber água.
- Que demora! - Zé comentou com o árbitro ali, batendo o dedo no seu relógio.
- Estão analisando, calma! - o homem disse para o treinador. Ouvi a torcida brasileira comemorar e olhei para o telão, onde passava novamente o lance e um " NO TOUCH" trouxe alívio ao aparecer na tela. Fiz hi-five com o Zé e voltei para quadra para comemorar com as meninas. Estávamos com o ponto do jogo nas mãos.
Jaqueline voltou para o saque e logo depois de lançar a bola, correu em direção à rede para ajudar a Garay no bloqueio, mas a bola foi para fora. Drews foi para o saque americano e só Deus sabe o quanto eu desejei que ela errasse mais esse, só que não aconteceu.
Tandara tentou atacar depois de um levantamento da Macrís, mas foi bloqueada e por sorte a bola rebateu na Jaque. A nossa levantadora novamente fez o lance, jogando para mim, que estava atrás dela. Passei a bola o mais forte que eu pude para o outro lado, mas mesmo assim a líbero do outro time conseguiu defender.
Que ódio!
- LAURA! - Macrís gritou meu nome depois de se aproximar da Garay para receber o toque de manchete e eu entendi que era para passar para a sua frente para receber seu levantamento. Saltei pelo lado esquerdo, esticando a minha mão direita e tocando na bola com força e a lançando sobre o bloqueio, na tentativa de explorar a defesa e fazendo a bola ir para fora. Quando pisei no chão, fiquei na expectativa se a bola tivesse encostado ou não nas mãos da Larson.
A juíza, que estava em cima do lance, apontou a mão para nosso lado, indicando que o ponto havia sido nosso, me fazendo comemorar junto com as meninas.
- É o seguinte: ... - Gabi disse se aproximando de mim, junto com a Carolina - Quando a Laura tá em quadra, esquece meu filho! - eu ri, abraçando as duas.
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Destino - B. Rezende
FanfictionMal sabia ela que a primeira convocação para a Seleção Feminina de Vôlei traria muito mais mudanças além de sua carreira profissional.
