Capítulo 40

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Pisei na quadra, sentindo meu estômago revirar dentro de mim. Vi Bruno na arquibancada, ao lado dos rapazes do time e de sua família. Vitória, Julia e Fernanda acenaram para mim e eu retribui. Bruno deu uma piscadela para mim e eu ri. 

Também acabei percebendo que os três torcedores de ontem estavam por ali, rindo de mim. Respirei fundo, tentando ignorar eles e também mais alguns outros que eu ouvia falar coisas nada legais sobre mim. Sacudi a cabeça, tentando não escutar o que falavam. Caminhei para próximo da área técnica depois de dar uma aquecida junto com as outras meninas.

- Laura, você vai para o saque! - Zé disse depois que Garay voltou da divisão de quadra com a capitã do time americano. Pelo visto, começaríamos a partida com a bola.

- QUÊÊ? - eu exclamei olhando para o técnico.

- Você tem um dos melhores saques do time e precisamos começar com tudo! - meu coração acelerou ainda mais. Eu estava ferrada! 

Vai que eu erre esse saque, meu Deus?

- Precisamos de você! - Garay disse me abraçando - Foca que vai dar, ok? - ela perguntou, segurando meu rosto e eu assenti.

Ok.

Respira.

Você consegue!

Eu ia dizendo para mim enquanto caminhava em direção a linha de fundo da quadra, pegando a bola com o gandula e quicando a bola. Eu respirei fundo e decidi que o meu único foco era aquilo ali, o jogo. Então, enquanto eu aguardava a juíza autorizar o início da partida, observei bem minhas adversárias.

Eu já as conhecia um pouco pelo o que eu via assistindo aos jogos e também pelas instruções que o Zé tinha nos passado no último dia. Sabia, por exemplo, que a Kimberly Hill era bem fraca na recepção, ainda mais se a bola estivesse com muita velocidade e força e, a partir disso, eu decidi o meu alvo.

Soltei a mão na bola com meu saque por cima, na direção da camisa 15 dos EUA e como eu já imaginava, ela não conseguiu fazer uma boa defesa e a bola foi parar quase na arquibancada. Comemorei junto com as meninas, num abraço coletivo.

- Observa o espaço que tá tendo entre a líbero e a camisa 9! - Macrís comentou para mim, com as mãos tapando a boca. Assenti e voltei para o saque.

De fato, com a movimentação que os Estados Unidos fazia, sobrava uma brecha no final da quadra. Eu tinha que tentar mas não podia forçar muito com um saque flutuante porque corria o risco da bola sair. Resolvi arriscar um rasante mesmo e quase tocou no chão mas a camisa 9 conseguiu defender com a ponto dos dedos.

- Filha da mãe! - eu murmurei correndo para próximo da rede, onde subi ao lado da Fernanda para fazer o bloqueio. 

- ISSO! - Garay gritou ao meu lado e me puxou para um abraço quando a bola ido ao chão depois de ter tocado os dedos da ponteira. 

- O cara pediu desafio! - Brait disse.

- Nossa, mas tocou muito! - eu comentei e Fê concordou.

- Isso é só para esfriar o jogo para a gente! - Gabi comentou.

- Azar deles que vão perder um desafio no set atoa! - eu disse e fique aguardando os juízes fazerem a revisão. A torcida brasileira comemorou e eu olhei para telão, vendo que realmente tinha tocado.

Me encaminhei para o saque de novo e sem forçar novamente, vendo que o técnico americano já tinha corrigido alguns erros de posições, passei a bola para o outro lado. Enquanto corria para me posicionar, a bola já voltava, praticamente de graça, facilitando para a gente conseguir trabalhar com ela. Brait recepcionou com calma, Macrís levantou e Garay tentou passar para o outro lado, mas o bloqueio fez com que a bola retornasse. Num reflexo, percebi que a bola iria vir próxima a mim, então me estiquei toda para conseguir salvá-la. 

- Boa Laura! - ouvi Zé gritar enquanto Tandara passava a bola de qualquer jeito para o outro lado. Me levantei o mais rápido que pude para poder ajudar a Garay no bloqueio novamente, mas dessa vez não teve jeito porque a Larson soube bem explorar o nosso bloqueio, porque a bola bateu em mim e foi para fora.

- Droga, foi mal! - eu disse abraçando as meninas.

- Estamos bem, Laurinha! - Tandara disse - Relaxa e vamos continuar lutando por cada bola! - assenti e rodamos as posições. Zé Roberto gritava para acertamos algumas posições e ficarmos atentas com possíveis brechas antes das americanas sacarem. Andrea Drews, camisa 11, foi para o saque, mas, infelizmente para o time dela, a bola foi para fora.

O treinador dos Estados Unidos pediu tempo e então nos caminhamos para a área técnica. Zé falava algumas coisas enquanto eu bebia água. Júlio se aproximou, me entregando uma toalha, que sequei o rosto e as mãos.

- Tá tudo bem com o pé? - ele me perguntou, pegando o pano de volta.

- Por enquanto tá sim! 

- Se sentir qualquer coisa, você avisa! - eu assenti, voltando para a quadra.

O resto do primeiro set foi tranquilo. Vencemos com 25x12, o que me fez ficar muito feliz, pois, como diria meu irmão, deixamos as americanas no chinelo. Trocamos de lado na quadra, ouvindo Zé Roberto nos dar as últimas instruções antes de voltarmos para o segundo set.

As americanas iriam iniciar o set sacando agora. Camila recepcionou, Macrís iria fazer um levantamento, mas resolveu dar uma deixadinha na bola, quase conquistando um ponto, mas a líbero Kelsey Robinson estava atenta e salvou a bola de forma inacreditável. Larson soltou a mão depois do levantamento feito pela sua companheira.

Eu e a Tandara subimos para fazer o bloqueio, mas a bola encostou nos meus dedos, voltando para o nosso campo, mas eu fiquei aliviada quando vi Gabi defendendo a bola com pé e Macrís correndo para fazer o melhor levantamento que era possível, mediante a condição que a bola ia. Garay fez o ataque, mas foi defendido pela líbero americana. Elas trabalharam a bola novamente.

Tandara tentou subir para um novo bloqueio, porém a bola não chegou a encostar nela para uma possível defesa e se Garay não tivesse atenta, a bola cairia bem no nosso meio. Macrís novamente fez o levantamento, mas dessa vez para mim, que tentei subir o máximo que conseguia e soltei toda a minha força nas mãos. A bola caiu dentro, próximo à linha, me deixando super aliviada. Comemorei muito, afinal um ponto assim é sempre um grande feito para qualquer jogador, ainda mais com toda a disputa que foi por ele. Tandara foi para o saque e Zé resolveu mexer o time um pouco.

- Sabe quantos pontos tu já fez? - Natália me perguntou, adentrando na quadra no lugar da Fernanda. Brait também saiu e entrou a Carol, que veio me dar um abraço.

- Quantos? - perguntei curiosa.

- 17! - eu olhei assustada e ela riu.

- Tudo isso? 

- Sim, nós lá do banco estamos torcendo para você fazer um set! - Carol comentou e eu ri.

- Quem dera!

- Ainda falta o restinho desse e o terceiro set ainda, Laura! - Natália sorriu e eu retribuiu, voltando a mente para o jogo.

Destino - B. RezendeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora