Cheguei no CT era quase meio-dia. Fui até meu dormitório e deixei minhas coisas por lá e depois caminhei até o refeitório para finalmente poder almoçar. Estava morrendo de fome e como eu estava praticamente sozinha ali, não me contive em comer rápido.
Depois do almoço, fiquei na minha cama conversando com Bruno por áudio, enquanto esperava Dr. Júlio e Alexandre para a minha avaliação.
Eu não tinha ficado nervosa a semana toda mas agora, quase na hora da avaliação, eu estava com a ansiedade atacada. Eu sabia que voltaria a jogar logo mas mesmo assim eu estava nervosa. Bruno até ficou rindo das minhas paranóias.
Por volta de duas da tarde, Ale me ligou e falou que os dois médicos estavam me esperando na academia. Avisei ao Capita que ia para lá e não esperei sua resposta, apenas guardei meu celular e fui caminhando o mais rápido que conseguia, eu estava doida para ver o que ia dá!
- Oi, Laura! - Dr Júlio disse assim que me viu e foi me abraçar.
- Oi!! - eu disse retribuiundo o abraço e também fui abraçar o fisioterapeuta.
- Vejo que São Bernardo do Campo fez bem para o seu tornozelo! - Ale comentou e nós rimos.
- Fiz tudo certinho, como você me mandou e espero que tenha dado certo!
- Vamos ver agora! - Júlio disse e eu assenti.
Fizemos vários exercícios, incluindo esteira e depois de quase uma hora eles me indicaram que já estava bom. Alexandre disse que eu podia ir beber uma água e voltar, enquanto eles iriam discutir os resultados.
Assenti e fui até um bebedouro mais próximo. Fiquei um bom tempo ali, me hidratando e sentindo meu coração disparado, mas eu sabia que nem era por conta do exercício mas sim do que eles conversavam lá dentro.
Zé Roberto passou por mim me cumprimentando e também entrou na academia. Ok, eu estava muito nervosa!
Pensei em ir até o meu quarto e ligar para o Bruno e conversar com ele para me distrair por um tempo mas me contive. Ele já deve estar de saco cheio das minhas crises de ansiedade!
Fiquei mais uns cinco minutos ali até que respirei fundo e tomei coragem para entrar na academia novamente. Assim que abri a porta, os três homens ficaram me olhando.
- E então? - eu perguntei receosa.
- Só um momento, Laurinha! - Zé disse e os três voltaram a cochichar. Aquele suspense estava me matando.
- Então, olhando seu desempenho na avaliação... - Júlio começou dizendo e eu voltei minha atenção para ele - E também conversando entre a gente, vamos de liberar para voltar a treinar MAS...
- Sempre tem um "mas"!! - murmurrei.
- Mas o próximo jogo você não entra, ok? - Zé complementou - Vamos dar um tempo para você pegar o ritmo de novo e também para a gente está te monitorando! - eu assenti.
- Quando vai ter treino? - eu perguntei animada e eles até riram de mim.
- Terça mas em já vamos estar em Nova York! - Zé Roberto disse e eu assenti.
- Tudo bem! Mal posso esperar - eu bati palmas animadas - Obrigada, gente! Por vocês terem me ajudado nesse momento difícil - apontei para os dois médicos - E você por ter me dado outra chance! - apontei para o Zé. Eles sorriram.
- Você foi muito persistente, Laura! - Júlio começou dizendo - Lesões como a sua podem demorar até dois meses para serem resolvidas e você progrediu rapidamente, 1 mês e quase 10 dias é um progresso e tanto! - Eles concordaram.
- Não esqueça de agradecer ao Bruno pelo apoio também! - Ale disse, me zoando???
Os outros dois caíram na gargalhada e eu senti minhas bochechas arderem.
- Depois dessa vou até me retirar! - eu disse tímida.
- Tudo bem, Laurinha! - Júlio disse entre risos - Manda um 'oi' pro Capita! - eu ri.
Sai da sala aliviada e animada. LAURINHA ESTAVA DE VOLTA!!!! Cheguei no meu dormitório já caçado meu celular. Mandei um áudio no grupo da família e outro no grupo das meninas do vôlei. Achei o contato do Bruno e logo liguei para ele.
Sorri ao ver o rosto de Bruno na tela. Detalhe: ele estava deitado, sem camisa, com aquele colar que eu amava sob o peito e com aquele puta sorriso no rosto.
- Trago novidades! - eu disse.
- E aí? Como foi?
- EU VOU VOLTAR A TREINAR!!!!! MEU DEUS BRUNO EU TÔ SURTANDO!!! - o levantador da seleção riu.
- Você não sabe o quanto eu tô feliz em ouvir isso! - sorri.
- Desculpa pelo meu surto! - eu comentei, me acalmando.
- Eu amei o seu surto de felicidade!
- Bom, eu não jogo o primeiro jogo mas provavelmente a segunda partida eu vou estar!
- Entendi, para eles te acompanharem nos treinamentos!
- Isso!
- Ainda tá de pé meus beijos como agradecimento?
- Tá sim! - eu disse rindo.
- Ótimo, porque eu não paro de pensar nisso! - ele sorriu - Na verdade... - ele começou dizendo mas parou ao se ajeitar para se levantar - Na verdade, eu não paro de pensar em você, no seu perfume...
- Não fica falando essas coisas porque se não eu vou acabar pegando o próximo vôo praí!
- Não seria uma má ideia! - nos ficamos nos olhando, um sorrindo pro outro. Caralho eu estava completamente apaixonada por ele! - Sabe o que eu estava pensando esses dias? - ele me perguntou.
- Que eu sou a oposta mais linda que você já conheceu? - eu disse brincando e ele riu.
- Não que seja mentira, na verdade é a mulher mais linda que já conheci!
- Eu tô brincando, Bruno!
- Mas eu não, pô! Você é a mais linda de todas - ele ficou me olhando.
- Sobre o que você tava pensando? - tentei desconversar se não realmente eu iria pegar qualquer avião que parasse em Nova York hoje só para agarrar esse homem.
- Eu estava pensando em como foi destino a gente se conhecer, né?
- Tem razão! Era uma probabilidade bem pequena de eu ser convocada para a Seleção estando no São Bernardo! - ele assentiu.
- Tem a bolada na cara também que é memorável! - a gente começou a rir.
- Me desculpa por isso, sério!
- Não precisa pedir desculpa, foi um ótimo jeito da gente se conhecer! - sorri.
- Foi mesmo! - ouvi meu celular apitar. Outra pessoa estava me ligando - Ai, vou ter que desligar, Bruno! Tem alguem me ligando e não duvido nada que seja a minha mãe! - ele riu.
- Tudo bem! Depois a gente se fala mais?
- Sim! - eu sorri e ele retribuiu - Até depois então?
- Até, Laura Rezende! - ele disse rindo antes de desligar.
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Destino - B. Rezende
Fiksi PenggemarMal sabia ela que a primeira convocação para a Seleção Feminina de Vôlei traria muito mais mudanças além de sua carreira profissional.
