Capítulo 54

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⚠️ Alerta de gatilho ⚠️

Abri meus olhos, tentando lembrar aonde estava. Eu estava vestida, o que me deu um grande alívio, mas o sorriso cínico que Leonardo tinha nos lábios, me encarando, fez que eu estremecesse por dentro.

- O que você fez comigo? - eu perguntei com a voz rouca e ele riu.

- Nada! - me levantei cambaleando, sentindo a minha cabeça girar.

- Por quê eu não acredito em você?

- Laura, quando eu for fazer algo com você, com certeza será com você vendo tudo! Mas parece que a senhorita teve uma queda de pressão! Tá se alimentando direito?  - ele se levantou e se aproximou de mim, cheirando meu pescoço - Tô preocupado com a minha atleta! - o choro entalou na minha garganta.

- Eu... Preciso ir embora, eu... Quero ir embora!

- Relaxa, Laurinha! - ele riu - Toma se café da manhã, porque eu vou te deixar no hotel, afinal você tem treino hoje, não pode ser uma menina indisciplinada!

- Café da manhã? Que horas são? - eu disse pegando meu celular e vendo que tinha um monte de ligação perdida, sobretudo do Bruno. Tentei ligar para ele, mas Leonardo tomou meu celular.

- É hora de você comer e calar a boca! - agarrou meu cabelo com força - E lembra do que eu te falei, se contar para alguém, você está ferrada! - puxou mais meu cabelo - Estamos entendidos? - eu assenti, chorando - Ótimo! Você tem 5 minutos para comer - ele disse soltando meus cabelos e se afastando.

Com as mãos trêmulas e  chorando muito, eu comi uns biscoitos e bebi um pouco no café enquanto o homem olhava pela janela, observando a rua. Fiquei pensando no Bruno e no quanto ele devia estar chateado comigo por não ter aparecido para o nosso jantar. 

Quando ele percebeu que eu não comeria mais, abriu a porta e fomos em silêncio para fora do quarto até o carro dele. Em questão de 10 minutos eu já estava em frente ao hotel que eu estava hospedada. 

Tinha muita gente ali no hall do hotel, então foi fácil passar despercebida. Subi de elevador mesmo até meu andar, adentrando no meu quarto e vendo que Thaísa e Macrís estavam ali no quarto, se arrumando para saírem para o treino.

- Laura, graças a Deus! - Thaísa disse a abraçando - Aonde você se meteu, menina? - eu não respondo e começo a chorar desesperadamente.

- Meu amor, o que aconteceu? - Macrís pergunta se aproximando de mim. Nada saia da minha boca a não ser os soluços - O que a gente faz, Thai? - ela sussurrou.

- Você quer que a gente chame o Bruno, Laura?

- Eu... Eu... - eu tentei dizer em meio a minha crise de choro - Eu preciso tomar... Um banho!

- Tudo bem! - Thaísa alisou meus cabelos - Vou arrumar a sua roupa, pode ser? - eu assenti, tentando parar de chorar. Ela me ajudou a sentar na cama e foi até o meu guarda-roupa. Macrís senta ao meu lado e tenta alisar minhas costas, me dando um susto.

- Calma, sou só eu!

- Desculpa! - eu sussurrei. Thaísa me entregou a roupa que tinha escolhido e eu me levantei, caminhando até o banheiro, fechando a porta. Tirei minhas roupas, comecei a chorar novamente, andando até o box e ligando o chuveiro, deixando que a água caísse sobre todo meu corpo. Fiquei ali por uns cinco minutos, remoendo tudo o que havia acontecido naquela noite. Como fui tola e frágil! Isso tudo era culpa minha, eu não devia ser uma pessoa que confia nas outras de forma tão fácil. Eu fui idiota e agora eu não sabia o que fazer!

Suspirei fundo, tentando parar de chorar para finalizar meu banho. Me ensaboei, me enxaguei e desliguei o chuveiro. Depois de me secar, vesti minhas roupas e penteei meus cabelos molhados. Saí do banheiro, encontrando três pares de olhos atentos: Macrís, Thai e da Gabi.

- O que aconteceu com você? Por quê está chorando? - Gabriela se levantou da minha cama, que estava sentada, me bombardeando de perguntas - Laura, pelo amor de Deus, me responda!

- Vamos focar no treino, porque é só o que importa agora! - eu disse, segurando meu choro e calçando os meus tênis. Eu não conseguia olhar nos olhos delas, por isso evitava qualquer contato visual.

Arrumei as minhas coisas e desci, acompanhada das três. Elas conversavam sobre qualquer coisas, mas eu sentia que elas me observavam preocupadas. Quando chegamos no hall do hotel, meu olhar se fixou no Bruno, que estava sentando ali, com roupa de treino, de cabeça baixa. Me afastei das meninas e caminhei na direção do jogador.

- Bruno? - o chamei e ele se virou para mim, com uma cara nada agradável - Sobre ontem... - ele interrompeu.

- Olha, Laura! Eu entendi o seu recado de ontem, tá bom? Não precisa se preocupar, já que você quer se afastar de mim, eu até facilito isso para você! - ele disse tentando se levantar, mas eu o impedi.

- Do que você tá falando?

- Como do que eu tô falando, Laura? Da mensagem que você me mandou ontem... Eu pensei que eu também fosse importante na sua vida, sabia? Mas apesar de tudo, a sua carreira é bem mais importante e você nem ao menos se deu ao trabalho de tentar apostar na gente, mesmo que escolhendo ir para longe! Eu te prometi que a gente ia dar um jeito, mesmo se ir para o outro lado do oceano fosse o que você queria, mas você não quer tentar então não vou insistir na gente!

- Que merda que você tá falando, Bruno? Eu não mandei mensagem nenhuma!

- Com certeza! - ele riu ironicamente - Eu não sou trouxa, Laura!  

- Bruno, pelo amor de Deus, acredita em mim! - eu disse com os olhos marejados. Ouvi ele suspirar pesadamente. 

- Tenho que ir, meu ônibus chegou! - disse se levantando, ao ver que seus colegas de time já saiam do hotel para adentrar no transporte - Prometo me afastar de você, como você quer!

Destino - B. RezendeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora