Capítulo 8

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Acordei assustada com Jaque me chamando. Levantei num pulo da cama ao ver que ela já pensava os cabelos molhados.

- Que horas são?

- 6h35! Vai tomar banho rapidinho pra gente ir tomar café e depois temos que ir - assenti pegando minha roupa no armário e agradeci mentalmente por já ter deixado tudo arrumado por que eu estava um pouco atrasada e não daria muito tempo pra nada.

Tomei o banho mais rápido que pude e vesti a calça e a blusa da seleção correndo e arrumei meu cabelo do mesmo jeito. Peguei minha bolsa já arrumada e deixei em cima da cama e segui Jaque para o refeitório para tomarmos café. Só tinha as meninas e a comissão técnica feminina acordada a essa hora. Tomei meu café rapidinho e corri para meu quarto, escovando meus dentes e vendo se não estava esquecendo nada. Jaque veio pegar as coisas dela e logo seguimos para o ônibus que nos levaria até o Maracanãzinho, onde aconteceria o jogo.

No caminho, respondi as mensagens dos meus pais e irmão, que me falaram que a família toda estava reunida para ver o jogo e eu fiquei muito feliz em saber disso. Espero conseguir dar o meu melhor. Também vi que o Bruno havia acabado de me mandar uma mensagem no direct do Instagram, me desejando boa sorte no jogo e eu sorri boba. Lembrei da noite passada e fiquei pensando que na chance que eu desperdicei de beijar o Bruno. Eu era uma boba mesmo.

Desliguei meu celular ao perceber que havíamos chegado no estádio. Meu coração acelerou quando pisei pra fora do ônibus. Meu Deus, me ajuda nesse jogo!

- Calma, Laura! - Taísa passou por mim e me puxou para a seguir até o vestiário - Vai dar tudo certo! - sorri em agradecimento e caminhei até o vestiário, trocando a roupa para poder nos aquecer. Entramos na quadra e nosso preparador físico foi nos orientando com os exercícios de aquecimento que deveríamos fazer. Quando estávamos saindo de volta ao vestiário, vi que o estádio estava bem cheio. Fiquei bem feliz em saber que tínhamos muito apoio para o jogo de hoje.

No vestiário, mudamos nossas roupas e logo Zé Roberto veio nos dar as últimas orientações antes do jogo. Ele definiu quem começava jogando e eu iria ficar no banco, a princípio.
Sheilla, Jaque, Rosamaria, Fê Garay, Dani Lins e Fabi começariam o jogo.

Entrei e me sentei no banco de reservas ao lado da Thaísa. Tivemos toda a protocolagem de início e logo tudo estava pronto para o jogo. Quando o juiz apitou o início da partida, o time mexicano logo marcou o primeiro ponto mas as meninas se viraram bem no decorrer do jogo, fazendo 1 set a 0. Comemoramos e Zé pediu para me preparar que eu entraria no 2 set. Assenti e me levantei. Ouvi atentamente as orientações do técnico e logo já deu a hora de voltarmos.

Eu começaria sacando. Respirei fundo, indo até o fundo da quadra pegar a bola. Aguardei a autorização do juiz para o início da partida, enquanto quicava a bola no chão. Assim que ele autorizou, saquei a bola e agradeci mentalmente por ela ter atravessado a rede. As jogadoras mexicanas recepcionaram bem a bola mas juntei com a Sheilla e fizemos nosso bloqueio duplo, garantindo o nosso primeiro ponto do set.

Vibramos muito, junto com a torcida e depois de nosso abraço coletivo, fui novamente para o saque. Resolvi fazer um saque mais rasante dessa vez e me surpreendi quando vi a bola tocar o final do campo adversário e o juiz apitar ponto para nós. Comemorei muito e Zé fez um sinal positivo para mim, enquanto me preparava para o saque novamente. Fiz a mesma jogada mas agora as mexicanas estavam espertas. Elas jogaram uma bola muito forte que ficou difícil para Fabi recepcionar.

Estávamos bem no início da partida mas logo desandou tudo quando, de novo, Rosamaria resolveu se intrometer nas minhas bolas. Quando as mexicanas comemoravam o décimo nono ponto, três na nossa frente, eu me senti obrigada a falar com a Rosamaria.

- Por quê você está fazendo isso? - ela me ignorou - Não finge que não está me ouvindo. Se você acha que me atrapalhando, você tá me prejudicado, saiba que você está prejudicando o time todo - eu falava olhando na cara dela e era evidente que eu estava nervosa.

- E você tem se achado a melhor jogadora do mundo, né? Já chegou amiguinha de todo mundo, pronta pra roubar minha posição e até o Bru...- ela cuspia as palavras na minha cara mas foi interrompida pela Jaque que me puxou para fora de campo.

Zé havia pedido tempo e só então eu percebi isso. Todo mundo nos encarava e eu estava irritada com toda a situação.

- Posso saber qual é a de vocês? - Zé disse se virando para mim e para a Rosamaria - Desde o começo dos treinos vocês duas andam se estranhando e agora isso. Eu não quero mais saber disso, ouviram bem? - nós duas assentimos - Rosamaria cuida das suas jogadas que a Laura vai cuidar das delas. Já conversamos sobre isso várias vezes e você prossegue interferindo nas jogadas. Se continuar assim, é banco pra você - ele disse olhando no fundo dos olhos da jogadora e eu percebia a raiva no olhar dele. Sheilla me abraçou de lado e me entregou um Gatorade, que bebi prontamente.

- Fica fria aí, Laurinha!  - me aconselhou e eu assenti, suspirando firme e deixando a garrafa nas mãos do pessoal da comissão antes de voltar para a quadra.

A partida se reiniciou e apesar da nossa evidente melhora, as mexicanas ganharam o set, empatando a partida. Sentei-me frustrada no banco e ouvi Zé dando algumas instruções para nós. Thaísa entrou no meu lugar no terceiro set e eu apenas fiquei me hidratando enquanto esperava ter uma nova chance.

Nosso time estava perdendo de 7 a 0 nesse set e mesmo depois de um pedido de tempo do Zé as coisas não resolveram. Ele olhou pro banco e pediu pra eu me levantar. Caminhei até ele, ouvindo atentamente as instruções. O seu auxiliar me entregou a plaquinha de substituição e vi que era a Rosamaria que saia.

- Vai lá! - Zé me empurrou para perto da linha da quadra e levantei a plaquinha, tendo a substituição autorizada pelo juiz.

A jogadora, ao perceber que sairia, fechou a cara e caminhou em minha direção, pegando a plaquinha de minhas mãos. Não liguei pra falta de afeto dela e apenas adentrei na quadra, passado rapidamente algumas instruções para minhas companheiras antes do time mexicano reiniciar a partida com um saque.

As jogadas que Zé me orientou deram bastante certo e conseguimos virar o jogo e ganhar o set. Suspirei aliviada por isso. 2x1. Só faltava 1 set para garantirmos a vitória. Zé nos parabenizou e disse que queria o mesmo esquema para o próximo set. Ele e seu auxiliar apenas nos deu mais algumas dicas, sobre como deveríamos ficar atentas com o saque das mexicanas.

No início do quarto set, começamos muito bem e agradeci à Deus por conseguirmos mantermos o ritmo até o final. Faltava o match point e nós já estávamos muito ansiosas e o time mexicano se aproveitou disso para marcar. Quando o placar chegou a 24x19, Zé pediu tempo.

- Meninas, cadê a calma? Só falta um ponto, uma jogada.

- Tem razão! - Jaque falou - Meninas, temos que manter o foco. Só um pontinho. Vamos!
- Vamos! - nós falamos juntas e voltamos para a quadra. Fui conversando com a Sheilla e nos combinamos um bloqueio se as jogadas saíssem como tínhamos notado que era o estilo das mexicanas.

O jogo reiniciou e a bola veio para nosso campo. Fabi recepcionou e Dani Lins a levantou para mim. Joguei a bola para o outro lado mas elas defenderam. Olhei rapidamente para a Sheilla e ela entendeu o recado, se aproximando de mim. Quando a bola veio em nossa direção, nos pulamos juntas e eu só ouvi o grito da torcida. Havíamos ganhado a partida. As meninas vinheram nos abraçar e eu quase chorei ali mesmo. Era a minha primeira vitória pela seleção brasileira. Eu não poderia estar mais feliz.

Destino - B. RezendeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora