As meninas me entregam um pacote, que abro e tiro de dentro uma bola de futebol feita de balas coloridas.
Vibro tanto quanto elas. Adoro balas!
Minha sobrinha olha para mim e me aponta sua amiga Alicia. Fizeram as pazes. Levanto o polegar e pisco o olho.
É sso aí, minha garota!
Passados alguns minutos e depois de beijar as mães e minhas pequenas atletas, todas elas deixam a quadra. Minha irmã e minha sobrinha também.
Feliz pela despedida que fizeram para mim, me viro na direção de Poncho, encho dois copos de Coca e me junto a ele.
— Surpreso? — pergunto, oferecendo um dos copos.
Poncho aceita e toma um gole.
— Sim. É surpreendente.
— Tá bom, tá bom, não continue, senão vou acabar acreditando.
Nós dois rimos e olhamos um para o outro.
Não dizemos nada, e o silêncio nos envolve. Finalmente reúno forças e digo com sinceridade:
— Poncho, minha vida é o que é, normalidade.
— Eu sei... eu sei e isso me preocupa.
— Ué? Te preocupa que minha vida seja normal?
Seu olhar me atravessa.
— Sim.
— Por quê? - pergunto.
— Porque minha vida não é exatamente normal.
Devo ter feito uma cara ridícula. Não o entendo, mas, antes de lhe pedir explicações, ele continua:
— Annie, sua vida exige relação e compromisso. Palavras que, para mim, ficaram ultrapassadas há anos. Muitos anos. — Toca meu rosto e prossegue — Gosto de você, sinto atração por você, mas não quero te enganar. O que me atrai é transar contigo. Gosto de te possuir, de te penetrar e ver sua cara quando você goza. Mas acho que muitas das minhas brincadeiras não vão te agradar, e nem estou falando de sado, falo só de sexo mesmo. Simplesmente sexo.
Seu olhar se fecha. Poncho me desconcerta, mas acho que ele está se precipitando.
— Alfonso, sou uma mulher normal, sem grandes pretensões, que trabalha pra sua empresa. Tenho um pai, uma irmã e uma sobrinha que adoro e, até ontem, tinha um gato que era meu melhor amigo. Sou treinadora de futebol de um time feminino e não cobro nem um centavo por isso, porque essa atividade me faz feliz. Tenho amigos e amigas com quem curto assistir a jogos, viajar, ir ao cinema ou sair pra jantar— Poncho me olha com atenção — Não sou deslumbrante, não gosto de me vestir de forma provocativa e nem mesmo tento fazer isso. Meus relacionamentos com homens têm sido normais, nada de outro mundo. Sabe como é.....a garota conhece o garoto, eles se sentem atraídos um pelo outro e vão pra cama. Mas..... ninguém nunca conseguiu me tocar do jeito que você conseguiu em poucos dias. Nunca pensei que o sexo pudesse me deixar tão.... louca. Não imaginava que eu pudesse fazer coisas como.... transar com uma mulher, por isso eu meio que... surtei entendi? isso é novo para mim. Você me domina e me submete de tal maneira que não consigo dizer não, porque meu corpo e eu inteirinha querem fazer tudo que você quiser. Odeio receber ordens, principalmente na cama. Mas a você, inexplicavelmente, eu permito que mande em mim. Nunca na vida eu poderia imaginar que homem nenhum no mundo, me exigiria sexo só de olhar pra mim e eu cederia. Ainda tenho dificuldade de entender o que aconteceu naquele dia no quarto e...
— Annie.....
— Cara, deixa eu terminar — exijo e coloco minha mão em sua boca. — Aquele episódio no seu quarto, goste eu ou não, me enfeitiçou. Reconheço que quando vi as imagens me incomodei. Mas quando voltei a pensar nisso, naquele momento, fiquei muito excitada. Inclusive no domingo eu usei o vibrador e tive um orgasmo maravilhoso ao imaginar o que ocorreu com aquela mulher no seu quarto — Poncho sorri — Mas não curto mulheres. Não... não curto e, se você quiser brincar comigo outra vez nesse esquema, exijo que me consulte antes. Como eu disse no início desta conversa, não sou uma especialista em sexo, mas o que tenho vivido contigo me agrada, me excita, me deixa louca, e estou disposta a repetir, mas não quero ficar as cegas.
— Mesmo sem compromisso da minha parte?
Tenho vontade de dizer que não, que o quero só para mim. Sei o quanto sou ciumenta, mas vou ter que aceitar.
— Mesmo sem isso. Eu não vou te exigir nada.
Poncho balança a cabeça, compreensivo.
— E, pelo amor de Deus... você já está liberado pra me tocar. Me beije e me diga alguma coisa porque estou morrendo de vergonha das coisas loucas que acabei de falar. Você nem me conhece direito e eu já tô aqui parecendo uma matraca.
Poncho solta uma risada e me olha.
— Olha, isso é uma grande mentira, eu sei coisas sobre você.
— Sabe??
— Seu nome completo é Anahí Geovana Puente Portilla. Tem 25 anos, um pai, uma irmã e uma sobrinha. Que eu saiba não tem namorado, mas sim homens que te desejam. Sei onde você mora e onde trabalha. Seus telefones. Sei que dirige muito bem uma Ferrari, que gosta de cantar, e que não tem vergonha de fazer isso na minha frente, mesmo cantando mau pra caramba - dou um tapa em seu braço - E hoje fiquei sabendo que você é treinadora de futebol. Você gosta de morango, de chocolate, de Coca-Cola, de balas e de futebol, e quando fica nervosa, seu pescoço se enche de brotoejas e você pode ter um troço. — Sorrio. — Pela maneira como tratava seu gato, sei que adora animais e que é leal a seus amigos. É curiosa e teimosa, às vezes em excesso, e isso me irrita bastante, mas também é a mulher mais sexy e desconcertante wue já encontrei na vida e reconheço que gosto disso. Até o momento, isso é o que sei sobre você, e é suficiente. Ah! E a partir de agora prometo te consultar sobre tudo o que se refere a sexo. E, agora que você me liberou da minha promessa, vou te beijar e te tocar.
— Aleluia! — afirmo, erguendo os braços.
— E, já que resolvemos essa questão, preciso que você aceite a proposta que te fiz de você me acompanhar durante o tempo que ficarei na Espanha — acrescenta. — Esta semana vamos pra Barcelona. Tenho duas reuniões importantes na quinta e na sexta. O fim de semana, se você quiser, podemos dedicar ao sexo. Que tal?
— Seu nome é Alfonso Herrera — respondo, sem me importar com o que ele disse — Você é alemão e seu pai...
Ele contorce o rosto e corta meu discurso.
— Como um favor pessoal, te peço que nunca mencione meu pai. Agora pode continuar.
Essa ordem me deixa com uma puguinha atrás da orelha, mas tento continuar:
— Você é um mandão doentio, egocêntrico, pervertido, cretino, meio babaca e não sei mais nada a seu respeito, exceto que adora loucuras sexuais. Mesmo assim, gostaria de te conhecer melhor.
Sinto seu olhar penetrante, que me atravessa. Sei que ele tem um conflito interno entre se abrir comigo e continuar como estamos. Então se levanta e me puxa para si. Me beija e eu correspondo.
Meu Deus, como eu precisava desse beijo! Poucos segundos depois, afasta seus lábios dos meus.
— Minha mãe é espanhola, por isso falo tão bem espanhol. Tenho insônia, 31 anos. Não sou casado nem comprometido e não pretendo ter um nem tão cedo. Por enquanto, é isso que tenho a dizer.
Feliz por aquela mínima confidência, sorrio e acrescento, fazendo-o rir:
— Senhor Herrera, aceito sua proposta. O senhor já tem uma acompanhante.
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Peca-me o que quiser
FanfictionRecém-chegado ao comando da empresa Müller, antes dirigida por seu pai, Alfonso tem uma atração instantânea pelo jeito divertido de Anahí e exigirá que ela o acompanhe nas viagens de trabalho pela Espanha. Mesmo sabendo que está se metendo numa situ...