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MORENA.
— Você já almoçou neném?

— Não, eu acordei tardinho e papai só deu leite com Nescau e biscoitinho de morango.

— Humm.. que gostoso. — eu sorri para ela que assentou sorrindo de volta pra mim.

— Estávamos te esperando pra irmos almoçar amiga. — Anna comentou e eu assenti.

— Vamos então, tô morrendo de fome e tu demorou pra caralho. — Filipe comentou e eu revirei os olhos.

Geizon logo nos alcançou e me olhou de rabo de olho, não dei confiança alguma. Andamos pouco menos de cinco minutos e chegamos a um dos restaurante que tinha por aqui.

Anna conversava comigo dizendo que Bruna e Luís já tinha ido embora, eles pegaram caminho para Búzios e iriam encontrar com outro pessoal por lá.

Ficamos conversando até nossos pedidos chegarem e eu começar a servir a Akasha que já segurava um pedacinho de filé na mão.

— Eu vou dá pra ela, pode comer. — Geizon interviu quando me viu encher a colher e botar na boca da pequena.

— Tá muuuuito gostoso, Lelê.

— Tá amor? Come tudo então, que a tia te dar um sorvete de flocos!

Akasha deu risada e bateu palminhas. Geizon desistiu de se meter e eu continuei ignorando ele. Comi do meu prato e me dividia em encher a colher da Akasha e passar para ela.

Depois do almoço, tomamos sorvete na lojinha ao lado do restaurante. Filipe e Anna voltaram para o hotel, Maria também e só ficamos Akasha, Geizon e eu.

— A gente vai poder conversar? — Geizon sentou do meu lado, quando paramos numa pracinha e deixamos a Ká solta para brincar com outras crianças que estavam por ali.

— Tu acha que aqui é lugar pra tentar resolver isso? — eu respondi baixo e depois dei risada da careta que a Akasha fez ao descer no escorregador maior. — Amor, desce naquele outro. Esse é muito alto!

— Tá. — ela concordou mais por medo do que porque eu sugeri. Ela correu para o outro escorregador e desceu dele dando risada. — Muito mais legal!

— Viu! Pode continuar nele, é melhor.

— Amor...

— Geizon, aqui não tá? Depois a gente conversa.

— Eu tinha me esquecido cara, desculpa.

— Mas eu não esqueci, não esqueci de separar um dos presentes de natal na intenção de usar contigo. Não esqueci que passaria a virada do lado do cara que eu tô apaixonada. — eu soltei de uma vez e olhei para ele. Ele engoliu a seco e desviou o olhar do meu. Eu assenti entendendo tudo e me levantei do banco indo atrás da Akasha.  — Ei, bebê! Vamos? Já tá anoitecendo e você precisa descansar um pouquinho né?

GEIZON.
Eu ainda precisei de alguns segundos para que meu raciocínio voltasse a funcionar. Morena já estava a alguns metros de distância, andando com a Akasha em seu colo indo em direção ao hotel. Eu esfreguei meu rosto, cocei minha cabeça e me levantei dali. Dando uma corrida rápida para pelo menos está a uns cinco passos atrás delas. As duas estavam conversando sobre um banho de banheira junto de bonecas e patinho de borracha.

Eu voltei a passar a mão no rosto e não consegui esquecer a voz dela ecoando na minha cabeça, dizendo que tá apaixonada por mim.

Porra! Como eu não percebi?

Eu não tô apaixonado por ela, não que eu já saiba disso. Mas agora, depois de ouvir ela dizendo isso tão claramente me deixou pisando em ovos. Eu não esperava ouvir por isso agora.

Meu telefone vibrou no meu bolso e eu puxei, a tela estava acesa recebendo uma ligação da Thaís, deixei cair e desliguei o celular. Não tava com cabeça pra isso, não agora.

Porra, eu sou muito filho da puta mesmo.

Como eu pude simplesmente esquecer o que eu já tinha combinado há dias com a Morena só por vontade de ver e ficar com a Thaís? Agora além dela está me procurando, porque eu já tinha deixado entre linha que talvez ficaria lá com ela hoje antes dela ir embora... Tenho que tentar resolver a minha situação com uma mulher foda pra caralho que eu tô...estava junto.

Sei lá. Mas assim não pode ficar.

— Vem papai! — Akasha me chamou e eu despertei dos meus pensamentos, ela estava no chão com uma das mãos na mão da Morena e a outra esticava para que eu pegasse e ficasse do seu lado para atravessar a rua e assim nos fizemos.

— Você também quer banho de banheira com a tia Lelê?

Eu assenti sorrindo fraco e a pequena estava pensando em algo enquanto se balançava no peso dos próprios pés, em frente ao elevador que esperávamos chegar ao térreo.

— Não cabe nos três lá, linda. Não vai dar para seu pai entrar junto. — Morena respondeu depois que eu a olhei e a Akasha deu uma risadinha.

— Eu já sei, tia!

— Hmmm, sabe o que? — Letícia sorria de volta para a minha filha e nos três entramos no elevador.

— Primeiro você toma com as Barbies, o patinho Leo e eu. Depois você pode ajudar o meu pai, não pode?

Eu quis gargalhar, mas disfarcei tossindo e a Morena estava sem graça sem saber o que falar ou como agir.

— Depois nos resolvemos isso, pode ser? Primeiro vamos focar em você tomar o seu banho, tomar um lanche e descansar um pouquinho. Que tal, assim?

— Tá, pode.

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Deixe-me ir | XAMÃ Histórias para pegar e não largar. Descubra agora