GEIZON.
Eu levantei ainda sentindo meu corpo pesado e um pouco quente. Levantei indo direto tomar um banho e trocar a minha roupa que estava molhada de tanto suor, pelo menos aquele antitérmico fez efeito.
Quando passei para a mini sala, ouvi a Morena falando no telefone do quarto. Ela estava falando algo sobre café da manhã, eu me aproximei mais e parei na frente dela, logo ela desligou e me olhou.
— Cadê sua blusa?
— Vou pegar. — passei a mão no rosto e ela continuava me encarando. — Achei que eu estava delirando ontem quando te vi aqui.
— Eu te falei que não era delírio, vai botar uma blusa. Eu já pedi um café pra você. — ela saiu dali e foi pra sacada e voltou com umas roupas na mão.
— Você já vai ir?
— Você tá melhor? — ela abraçou a roupa mais no corpo e isso fez a minha blusa que ela usava se levantar mais, eu olhei para as coxas torneadas e subi o olhar para o rosto dela.
— Se caso você for embora se eu responder que estou, então não, não tô, tô morrendo. Já vendo a luz me puxando.
— Luz vermelha né? Pela merdas que tu faz, é o único lugar pra onde você vai. — ela respondeu emburrada e me deixou sozinho ali, indo para o banheiro.
Eu acabei rindo dela e fui buscar minha blusa, acabei pegando um casaco fino e vesti.
MORENA
Tomei um banho fresco, coloquei minhas roupas de volta, mas fiquei sem o casaco, ficando só com a calça moletom e a blusinha de manga longa. Prendi todo meu cabelo num coque alto, lavei o rosto e escovei o dente com o dedo mesmo. Ainda usei um desodorante do Geizon que estava largado por ali.
Quando sai do banheiro, ele estava de novo deitado na cama e usando o celular. Dobrei a blusa dele que eu usei essa noite e botei de volta em sua mala.
— O café já foi entregue.
— E porque você não tá comendo ainda? — cruzei meus braços e ele me olhou largando o telefone sobre a cama.
— Eu não tô com fome.
— Mas vai comer assim mesmo, anda, vem logo!
Puxei seu braço e ele se levantou da cama, entrelaçou a mão na minha e foi andando comigo, resmungando.
— Daqui a pouco você tem que tomar remédio de novo e precisa comer.
— Morena... Alivia aí.
— Não, não. Eu vim pra cá sozinha, de madrugada e você vai fazer o que eu mandar sim senhor!
Peguei o copo de suco de laranja e dei na mão dele que golou a contra vontade e me olhava como se pudesse me fuzilar com os olhos.
— Nem adianta olhar assim não, você vai comer nem que seja um pouquinho. Senta aí. — apontei para a cadeira e ele sentou lá, eu sentei na outra e passei a bandeja do café pra ele, tirando só uma maçã dali de cima
pra mim comer.
— Você quer me obrigar a comer e só vai comer uma maçazinha minúscula? Ah para de graça, vai comer junto comigo. Bora, bora, pega algum desses pães nacionalizado aí.
— Pães o que? — eu já tava prendendo o riso.
— No rio a gente não chama de pão francês?
Eu quase me entalei com o pedaço da maçã quando fui dar risada e o idiota começou a rir junto e bateu em minhas costas.
— Você não deixa as pérolas de lado nem quando tá doente. — eu limpei as lágrimas que caíram de tanto dar risada e ele estava parado, com um sorrisinho no rosto, uma das mãos dava apoio ao rosto que se deitou, me olhava com os olhos mais brilhosos do que quando eu os vi ontem a noite.
— Eu tava com saudades de você.
— ele falou baixinho depois de um tempo que eu já estava mais calma.
— Muita mesmo.
— Não começa com isso, Geizon.
— Você não pode mais fugir de mim.
— ele ainda estava com os olhos em mim, eu desviei o olhar e peguei um pouco de água, bebendo em seguida só pra tirar um bolo de incomodo que me atingiu da ponta do estômago até a garganta.
— Eu não fugi de você. Eu vim a trabalho.
— Você sabe que não é só por isso que você veio. Você deixou exposto naquelas mensagens.
— Como também deixei um pedido que você não vinhesse atrás de mim. — eu o olhei e ele se encostou na cadeira, respirando fundo.
— Não consegui. — ele justificou e bebeu de novo do suco de laranja. Deixando o copo já vazio em cima da bandeja. — Você não tentou nem conversar comigo, Letícia. Só tirou suas conclusões, eu te liguei, eu já estava a caminho da tua casa. Você só desconversou e desligou na minha cara. Não pediu nem que eu me explicasse sobre o que você ouviu.
— Eu não tinha porque ficar te pedindo satisfações Geizon, você sabe disso.
— Se te magoou, você poderia falar comigo sim, eu te falei isso uns dias antes, não lembra?
Eu resmunguei em concordância, é claro que eu lembrava.
— Ela não estava grávida. Só foi uma suspeita.
— Eu já sei disso.
— Porque então continuou ignorando minha existência? Nem mesmo me desbloqueou nas tuas paradas. — ele indagou e eu engoli a seco. — Se eu não me despencasse até aqui não te veria nem tão cedo, nem mesmo quando você voltasse pra casa.
— Eu vou pegar o remédio. — me desviei do assunto já que meu coração estava quase me fazendo parar de respirar de tanto que massacrava meu peito com força.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Deixe-me ir | XAMÃ
FanfictionMas tive que perder pra aprender dar valor Pra você entender seu amor, mas não quer ser mais minha Então diz que não me quer por perto Mas diz olhando nos meus olhos Desculpe se eu não fui sincero • todos os direitos reservados. • história original...
