O meu trajeto até a casa de Karen foi menos demorado do que deveria, isso porque fui além da velocidade permitida. Provavelmente receberei alguma surpresa (multa) futuramente, mas nem consegui pensar nisso. Eu mal pisquei. Tenho sono, mas não conseguiria dormir nem se tentasse, a minha aparência deve estar péssima. E nem tive tempo de roubar algum dos remédios a base de cafeína que a minha mãe usa para mantê-la acordada. Entretanto, uso da minha força de vontade que, por incrível que pareça, ainda possuo, mesmo que seja apenas quando se trata de ajudar alguém com quem me importo. Porém, não vejo motivos para pensar em falta de amor próprio agora.
Callie cumpriu com a sua parte, segundo ela, Karen está por trás de tudo. Não entrou em detalhes, e eu entendo. Deve estar ocupada lidando com os seus problemas pessoais. Não é porquê vivo fugindo dos meus que não vou entender se alguém não fizer o mesmo.
Eu mandei mensagem no caminho para cá, disse que precisava conversar o mais rápido possível. Não tive uma resposta, mas ainda assim estou aqui.
É uma das únicas casas com luzes acesas na vizinhança, isso me deixa mais aliviado por pensar em incomodar uma grávida no meio da noite. Tenho certeza de que Karen não está dormindo, e eu não pretendo demorar. Tudo o que tenho são algumas dúvidas que não me deixam em paz.
Quando toco a campainha, ouço passos curtos se aproximarem da porta. Tenho certeza de que sabe que sou eu, e posso dizer também que tenho quase certeza de que está em casa.
A minha ansiedade me faz tremer como se a noite estivesse fria, mesmo estando bem aquecido dentro do meu suéter.
A porta é aberta.
-Kody? Eu não esperava... a sua visita.-Diz, claramente fingindo surpresa. Não parece que acabou de acordar, pelo contrário, parece estar esperando por alguém, pois seu olhar meio que me atravessa.-Por acaso você deu de cara a minha mãe no caminho? Eu tô desejando pra caralho um sorvete napolitano sem a parte do morango e ela saiu para procurar tem algumas horas...
Mexo a cabeça negativamente. Sabe com clareza o motivo de eu estar aqui a essa hora, mas parece estar querendo mudar o rumo do assunto a qualquer custo. Eu não vou deixar isso acontecer, não sabendo que está literalmente brincando enquanto há um inocente preso.
-Podemos conversar?-Questiono, cruzando os braços.
Pensa por um breve instante, abrindo o resto da porta devagar. Acaba de perceber que não tem pra onde correr, ela não faz tanta questão de esconder a verdade quanto eu imaginei.
-Claro... vem comigo.-Segue para a escada, sem mudar de expressão e dando a entender que devo acompanhá-la. Eu o faço.
Pelo visto, sua família levou muito a sério a teoria de que lavanda combina com bebês, pois tal flor está por toda a parte, trazendo um cheiro que considero irritante, ao invés de relaxante, como deveria ser. Me sinto meio sufocado.
Felizmente, no andar de cima não há muitas dessas. Sigo-a até o quarto do bebê, totalmente pronto para recebê-lo. É evidente que tem certeza sobre a idéia de ficar com a criança.
Começa a acariciar sua própria barriga enquanto observa os ursos de pelúcia sobre uma cômoda.
-Finalmente decidi fazer a sexagem fetal ontem. É um menino.-Começa a dizer, inclinando a cabeça de lado enquanto ainda repara na decoração.-É tão... estranho. Ele nem nasceu ainda, e eu já sinto que poderia fazer qualquer coisa por ele. É como um pedaço de mim, o maior e principal pedaço. Eu acho que nunca amei assim antes.
Assinto, mesmo que esteja de costas para mim. De repente, abre uma das gravatas e pega algo. Tem o diário de Adalyn West em mãos.
-Por que você fez aquilo?-Questiono, finalmente. Ela não vai fugir do assunto, não está em condições.-Eu confiei em você... você sabe a verdadeira história, não é? agora o Henri está preso.
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Frenesi
Ficción GeneralSEQUÊNCIA DE "BULLYING". "Eu não posso esquecer de quem eu sou... Onde você está? Por que não volta para mim, para então podermos resolver toda essa bagunça? E se... eu acabar me interessando por outra pessoa? (...) para o nosso bem, eu não posso es...
