Segundos... minutos... horas... dias... semanas... meses...
1 ano depois.
Estou vivendo longe, entretanto, já fazem alguns meses que esses mais de cem quilômetros de distância pararam de me assustar, e então eu pude finalmente perceber que essa foi uma das melhores decisões que já tomei. Me conhecendo bem, talvez tenha sido a melhor.
No começo, há exato um ano, minha mãe ficou um pouco chateada por conta da minha decisão. Eu sei bem que não foi só por conta de eu decidir ir morar longe para estudar, sendo que nossa casa é literalmente vizinha de uma outra universidade na qual eu também fui aprovado. Além de chateada, ela também estava preocupada, já eu, estava só chateado mesmo, pois sentia que nada podia piorar. Eu não sentia que estava pronto para viver longe da minha família e das pessoas que me importo, por exemplo. Foi um ato de desespero, um entre muitos, porém, felizmente, o meu último.
No dia de hoje não tem nada que esteja aparentemente fora do comum, mas eu sei que o dia será bem diferente, porquê chegou a hora de dar um tempo do facetime ou das visitas bimestrais da minha mãe, da minha irmã e da minha melhor amiga. É, chegou o dia de visitar, depois de um longo ano, a minha antiga cidade. Ironicamente, no mês passado, quando minha mãe me disse que eu precisava conhecer o meu novo padastro o mais rápido possível pois eles já estavam prestes a se casar, eu me senti inteiramente pronto para voltar naquele lugar. A princípio, eu já o conheci. Minha intuição não é a melhor do mundo, mas ele não parece ser um psicopata. Se divorciou recentemente e tem duas filhas, o que vai ser ótimo para a minha irmã. Eu fiquei bem contente quando soube, nem cheguei a comentar sobre o fato da minha mãe ter contratado um detetive particular para seguí-lo durante uma semana.
Ainda pela manhã no dia de hoje, acordei com ligações de casa, aparentemente eu perdi o horário de viajar, mas está tudo bem. Ontem a noite perdi também a noção do tempo após ir numa festa com o meu vizinho, que por sinal é bem bonito... não, ele é literalmente o cara mais gato desse campus. Mas devido ao meu histórico e como a gente se conheceu muito recentemente, quando ele se mudou pra cá, eu tô tentando agir com naturalidade e ignorar a voz de Callie na minha cabeça dizendo que só se vive uma vez.
Termino de arrumar as minhas coisas para sair e ir para o carro. Tenho um longo momento dirigindo pela frente, o que já me fez parar pra respirar fundo umas dez vezes desde que acordei. São muitos sentimentos, todos voltando de uma vez só. Me sinto pronto para encará-los e passar por cima disso, mas sentir, para mim, nunca foi suficiente.
*
Meu longo momento de profunda reflexão durou um pouquinho mais do que o esperado, isso porque não é recomendado dirigir enquanto suas mãos estão tremendo. Entretanto, acho que o que realmente importa é que cheguei vivo.
Nada muito assustador. Não é como se essa cidade fosse me devorar vivo, por exemplo. Eu queria muito colocar isso na minha cabeça de uma vez só. Eu não vou demorar. Esse é apenas um final de semana com a minha família, a qual eu estava morrendo de saudades. Um inofensivo final de semana.
Quando desco do meu carro, observo a frente da minha antiga casa por alguns segundos. O ambiente parece até mais colorido.
De repente, a porta se abre. Mas o que é que o Oliver está fazendo aqui?. Ele sorri, eu imediatamente cruzo os braços confuso, minha cara diz tudo.
-Peraí, você tá morando aqui agora, é?-Questiono, ele imediatamente mexe a cabeça negativamente.
Dá de ombros.
-Me disseram que a terceira pessoa mais legal desse lugar estava de volta, tive que vim até aqui ver com meus próprios olhos.-Explica. Desde que fui embora, ele já trocou de número de telefone umas três vezes, sempre perdendo seu celular em suas aventuras por aí.-Você demorou pra caralho... só que sua mãe me ama e não me deixou ir embora tão cedo.
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Frenesi
Fiksi UmumSEQUÊNCIA DE "BULLYING". "Eu não posso esquecer de quem eu sou... Onde você está? Por que não volta para mim, para então podermos resolver toda essa bagunça? E se... eu acabar me interessando por outra pessoa? (...) para o nosso bem, eu não posso es...
