Capítulo 16 - Bagunça

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Li todo o diário de Adalyn West durante uma madrugada. Cada página, cada palavra, cada letra... cada gota de sangue que encontrei nas páginas. Ler esse diário foi uma das piores decisões que já tomei na minha vida, digo isso porque corri para vomitar duas vezes e a minha ansiedade atingiu um certo ápice. Sinto que se tivesse mais uma página, eu não conseguiria mais ler.

Porém, ainda não sei se essa prova é suficiente para inocentar Henri e fazer todos saberem que o diabo já está morto. Afinal, Henri está foragido, automaticamente já perdeu grande parte do que poderia adquirir de razão. Eu quero muito encontrá-lo, quero poder abraçá-lo também, mas não posso deixar, em hipótese alguma que descubra a existência desse diário. Se ficasse sabendo de um breve resumo, o que ainda pode ter de saúde mental seria totalmente comprometido. Eu o protegerei de mais um trauma.
Preciso de um plano, e também preciso dar um jeito de encontrá-lo.

*

-Ignora a bagunça, tá bom? juro que vou fazer uma faxina amanhã.-Callie se explica, no momento em que entro na sua casa. Nada de diferente, a bagunça é a mesma de sempre, não entendo o motivo da explicação.

Carrego o diário comigo, para tentar negociar com a vovó, sabendo dos ricos de levar uma surra de bengala que estou correndo. Espero que ela não chegue a se lembrar do que se trata, mesmo sendo improvável. Callie nota a minha inquietação.

-Eu já terminei de ler o diário...

-E aí? alguma coisa comprometedora?-Pergunta, não totalmente interessada. Na verdade parece bem cansada, assim como eu, que nem dormi hoje.-Tipo... não é invasão de privacidade se a pessoa está morta, não é?

Assinto, esticando o pescoço para ver se localizo a velhinha.

-A vovó está?

-Mais ranzinza? sim! hoje ela brigou feio no telefone com a moça da operadora, só porque a coitada não sabia onde estavam os chinelos dela.

Por não ter muito tempo a perder, caminho casa a dentro, em direção a sala de estar. Está quase no horário da novela, encontro a vovó no lugar de sempre, na poltrona e de olhos fechados. Callie me disse uma vez que ela finge estar dormindo para ouvir os diálogos alheios.

-Oi... eu peguei isso emprestado há uns dias atrás...-Começo a dizer, me aproximando e exibindo o pequeno caderno com papeis antigos na minha mão. Penso que está realmente dormindo, pois sequer se mexe.-Acho que preciso devolver, mas tem uma coisa que...

-Fique com ele.-Me interrompe de repente, mesmo sem ver, e parecendo totalmente consciente. Também parece saber de cada detalhe e informações que há nesses papeis. Imagino o peso de guardar isso por tantos anos.-Faça bom uso, aquele demônio não está vivo para te impedir como fez comigo.

Agora, mais do que nunca, tudo faz sentido. Eu não estou de mãos atadas, tenho um propósito, um objetivo, e por isso, vou até o fim. Dr. West não está vivo para tentar me impedir, mas eu queria que estivesse, queria vê-lo sofrer e pagar por tudo isso durante décadas.
Sinto ódio e revolta, uma imensa vontade de invadir a delegacia mais próxima e gritar a verdade para que todo mundo possa ouvir.
Momentos de tensão são perigosos, eu preciso pensar antes de fazer qualquer besteira e acabar com as chances que tenho.

*

A noite se aproxima, sei que se eu não aparecer em casa nas próximas duas horas a minha mãe vai surtar, mas eu ainda não tenho uma resposta, e eu só vou voltar quando tiver. O meu carro, que teve seu problema (muito simples) resolvido por Oliver na noite passada, parece não querer mais me abandonar no meio do nada. Eu estava tão entusiasmado com o diário que nem pude agradecer de forma apropriada.

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