35: Demônio no picadeiro

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AJUSTES FEITOS AO ENREDO: Jade não tem mais a profissão de policial, isso foi REMOVIDO. Se por acidente em algum lugar ainda estiver constando essa informação, apenas desconsidere. O casal principal agora está em maior evidência, e pequenos detalhes cruciais foram adicionados nos capítulos: 2, 23, 33 e últimos 3 postados.

Carta: O Mago reverso (loucura, estresse mental, manipulação)

Dálio, Jade e Narciso estavam juntos, quase silenciosamente, exceto pelo ruivo que comentava sobre a falta que as quitandas de Esmeralda faziam. O vagão amarelo estava vazio, as plantas úmidas, sem folhas secas, mas Jade esteve sozinho desde cedo, encontrando apenas os dois quando finalmente acordou, e um pouco depois Quimera chegou, abraçando cada um deles, perguntando aonde Áster estava, mas nenhum dos homens sabia.

— E como a bruxa da Emília tá, hein? — Dálio finalmente perguntou, depois de se remexer bastante na cadeira, liquidando o conteúdo de sua xícara num gole.

— Ela está bem, na medida do possível. Quietinha — A moça contou.

— Então tá normal. Deve estar ótima, sem a gente.

— Dálio.

— Que foi, não pode mais falar a verdade aqui? Se ela gosta da vaca barbada deve no mínimo odiar nós quatro, Mera, caia na real, Abigail faltava fazer a gente ajoelhar no milho que nem a tia Constância. E pra completar, agora o Arcana acabou, antes mesmo de começar direito. Dê os parabéns a ela por quebrar nossas pernas assim, e ainda destruir o sonho do Áster junto.

Bom dia.

Os quatro olharam na direção da porta, quando Áster apareceu se escorando nela em seguida.

O rosto que andava sem maquiagem nos últimos dias agora tinha alguma, principalmente nos olhos. Já os cabelos que ficaram soltos agora estavam presos num rabo de cavalo relativamente baixo, partidos no meio e puxados para trás, lhe dando uma aparência mais séria e mais velha do que ultimamente, combinando com a expressão que ele tinha naquele momento.

Os olhos pareciam estar cinzentos, e encontraram os de Jade por um momento, seguindo para os outros depois. Ele devia estar envergonhado sobre a noite passada, já que não o encarou por mais que alguns segundos desde que chegou.

— Aonde você foi? — Dálio perguntou.

— Nós vamos fazer uma apresentação hoje — Anunciou de repente, ignorando a pergunta.

— Hoje? Quer que a gente apresente o que? — Quimera perguntou, dando dois tapinhas nas costas de Narciso ao perceber que ele bebia chá num copo normal.

Ele adentrou o vagão de braços cruzados, as botas fazendo barulho metálico contra o piso, enquanto mexia nas porcelanas secando — Não pode ser simples, então temos que dar algo melhor do que todas as outras vezes. Acho que já brincamos de circo o suficiente. E agora que nosso número voltou a ser reduzido, precisa ser ainda mais impressionante, então vamos subir as barras e tecidos, seria bom você tentar algo a mais, Quimera. E você pode tentar pirotecnia, como Dálio ensinou.

— Como Dálio ensinou? Mas ele saiu queimado da outra vez. — Ela relembrou. Ele meneou a cabeça numa expressão de concordância, antes de encarar Jade, erguendo o queixo.

— Caso se queime de novo... Tem quem cuide. Mas não vai cometer o mesmo erro duas vezes, vai? Me surpreenda positivamente.

O grupo se manteve em silêncio por um momento, mas a moça logo voltou a falar — Mas isso não seria perigoso? Subir as barras, apresentação com fogo.

— É sobre isso que um circo é. Se não podemos fazer isso, não podemos também nos chamar de circo. — O albino concluiu, unindo as mãos — Era o que eu queria informar, já chamei Esmeralda, falei pra alguém que podiam abrir o Arcana então podem ir ensaiar. Eu escrevi um roteiro, como o que tínhamos no Candace.

A Queda de ÁsterHistórias para pegar e não largar. Descubra agora