17: Em equipe

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Carta: Três de pentáculos/ouros. (Encontro com pessoas importantes, reunião, trabalho em equipe)

Chorume: um tipo de resíduo resultante da decomposição orgânica do lixo em aterros sanitários, lixões. Também usado como xingamento.

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Frederico Dantas. Quarenta e um anos, filho do atual governador do estado, herdeiro de uma empresa de venda de carros. Casado com Elizabete Dantas, — que detesta o apelido Beth — há cinco anos.

Batizado na igreja ainda recém-nascido, ele tinha sido criado com todos os costumes e práticas tradicionais conservadoras, e ainda que morasse na capital não tinha experimentado muito do mundo até se casar. Quando se tornou chefe da família que ainda iria formar com a mulher, passou a viajar para fora do país, para outros estados, e ganhou uma grande liberdade, mas no fim das contas ainda teve de se inserir no meio político, afinal de contas era a melhor fonte de dinheiro, depois de sua herança.

Olhos azuis não são novidade em São Aquino Branco, mas ele tinha cabelos escuros como petróleo, num corte semelhante ao de Lisandro, no entanto penteava os fios pra trás.

Seu comício tinha que ficar ativo o dia inteiro já que estava tão perto das eleições que mudaram de data para o fim do ano, e de qualquer maneira ele não detestava ficar fora do hotel e voltar apenas à noite. No hall de entrada pagou até mesmo por uma sala particular, para que pudesse organizar seus apoiadores e patrocínio dali, recebendo visitas importantes de cidadãos emergentes na economia.

— Até mais tarde, querida. Sim. Sim, eu entendo. Claro que vou me lembrar de comprar. Certo, até mais. — Ele se despedia da mulher no telefone quando um de seus assessores bateu na porta, entrando em seguida.

— Seu Frederico, o senhor tem visita.

— Visita? Pensei que tinha um horário livre até as quatro e meia... Tenho que comprar um colar pra Elizabete.

— Sim, mas... São umas pessoas diferentes. — o rapaz informou, segurando uma prancheta.

Frederico suspirou entendendo o que significava, movendo a mão esguia. — Mande entrar. — ele pediu e puxou alguns de seus papéis para o lado, organizando melhor a mesa. Quando a porta voltou a se abrir, esperava tudo menos o que encontrou.

Duas pessoas altas entraram, uma mulher vestida de vermelho com parte do rosto coberto, e um homem de cabelos cacheados e pele escura puxada para um fundo dourado, olhos de um verde discreto, uma boa postura e o peitoral valorizado, apenas sua roupa era estranha, mas os olhos de um azul cinzento de Frederico rapidamente capturaram o bordado em ouro na vestimenta de ambos.

— Meu empregado me disse que eram pessoas diferentes, mas estou surpreendido. Boa tarde, devem saber quem eu sou, eu presumo, já que vieram até mim.

A mulher permaneceu calada mesmo recebendo um olhar do homem ao lado, a única ação dela foi entrelaçar o braço ao dele, que tossiu brevemente antes de falar.

— Meu nome... É Amin, esta é Azaleia. Estávamos pensando em prestar uma visita ao futuro prefeito da cidade, ainda bem que conseguimos um horário.

— De fato, meus horários estão bem cheios. — Frederico voltou a se sentar confortavelmente, ajeitando o terno escuro de risca giz no corpo, cruzando as pernas.

— Ah, claro. Mas eu quis dizer um horário na nossa agenda. — Amin respondeu, no entanto.

Frederico parou sua ação de alinhar o terno no caminho, mirando Jade ainda do outro lado da sala. Aquela resposta era no mínimo intrigante, então ele se sentiu na obrigação de ser mais cordial com aqueles dois.

A Queda de ÁsterOnde histórias criam vida. Descubra agora