34: Dentro e fora de controle

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AJUSTES FEITOS AO ENREDO: Jade não tem mais a profissão de policial, isso foi REMOVIDO. Se por acidente em algum lugar ainda estiver constando essa informação, apenas desconsidere.

Carta: O diabo (Obsessão) 


O barulho de Narciso batendo o martelo e consertando a porta do vagão ao lado podia ser ouvido do segundo vagão, o choro confuso de Nilo tinha cessado.

Sob a luz amarelada era possível ver melhor sua aparência, as olheiras roxas debaixo dos olhos que estavam arregalados olhando para o nada, os lábios secos e rachados, as mãos unidas em volta de um copo meio vazio de água.

Ele vestia preto, mas as luvas que devia estar usando antes tinham sido retiradas em algum momento, assim como a máscara de médico provavelmente foi arrastada por Pégaso para longe, já que ele tinha passado minutos a fio latindo na direção do homem, até que todos decidissem entrar de uma vez.

Dálio foi convencido também a dar espaço quando Jade pediu para que todos ouvissem, tentando acalmar a todos antes que aquilo resultasse em algo ainda pior — ele já estava irritado por conta da confusão anterior sobre Emília, então apenas fincou sua faca nos vincos da madeira da mesa antes de se levantar e ir para o outro vagão, parecendo aborrecido e distante, muito diferente do garoto que costumava ser o tempo inteiro.

Era o início da madrugada, ninguém dizia nada há algum tempo, mas Áster que se manteve estranhamente calado até então, resolveu falar quando terminou de limpar o sangue no rosto, e depois passando o lenço para esfregar o sangue seco entre os dedos também — Eu espero que tenha uma boa desculpa pra tudo o que aconteceu... Porque, sabe... Meu humor não anda muito bem, graças à você.

Nilo ergueu o olhar ainda respirando de forma ofegante, quando olhou para os lados e para trás, antes de negar veementemente — Eu não sei o que aconteceu! — Ele disse num tom de súplica ao encarar o albino sentado no lugar oposto ao seu, mas o lábio erguido de Áster num sorriso de escárnio não lhe foi nem um pouco receptivo, então ele se voltou para Jade, que se encontrava de pé entre os dois, atrás da cadeira que o Mágico realmente ocupava, e agarrou a manga de sua camisa — Jade...

O homem mais alto lhe encarou, e seu primeiro impulso seria puxar sua mão para fora do alcance, mas Nilo parecia simplesmente desesperado.

— Eu não machuquei o seu namorado, não fui eu. Eu não tenho nenhum motivo pra isso, você tem que acreditar em mim, que porra! — Ele pediu, se irritando no meio da frase e batendo na mesa, enquanto seus olhos lacrimejavam de novo.

Áster se moveu minimamente pelo susto, e Kader se colocou atrás de sua cadeira ao posicionar as mãos nos ombros do Mágico, antes de responder o outro — Você enlouqueceu? Isso não faz o menor sentido, Nilo. Você estava vestindo as roupas, e Dálio foi bem categórico falando sobre como você estava arrastando Áster pelo chão agora a pouco. O que quer que eu faça? — Ele se inclinou um pouco, enquanto sua expressão se tornava ainda mais séria — Eu sugiro que me diga, porque tudo em que consigo pensar no momento é te colocar atrás das grades agora mesmo.

Os três voltaram a ficar em silêncio, e com isso o de cabelos longos riu novamente, se apoiando na mesa para se colocar de pé, e ir até Narciso que tinha acabado de passar pela porta. Era um sinal bastante claro de que não estava acreditando em nada, e para Jade não estava sendo muito diferente.

O Mágico suspirou ao chegar do lado de fora, e encontrar o amigo ali.

Áster cruzou os braços ao se escorar contra o vagão, tentando deixar a conversa de Jade e Nilo de lado, ao menos por um momento, num suspiro pesado e cansado de quem não tinha paz mental há dias.

A Queda de ÁsterOnde histórias criam vida. Descubra agora