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Podia muito bem ser eleito a pessoa mais astuta caminhando sobre a terra.
Quando Quimera ficou um pouco atrás de Dálio e os outros dois que já tinham ido para se apresentar primeiro, viu os moradores da cidade subindo, e aonde aquelas sete ou oito pessoas se dispuseram para o trabalho, desconfiou que talvez na manhã em que chegaram Áster já estivesse acordado quando entraram em São Aquino Branco, provavelmente analisando cada uma das pessoas que por fim contratou.
A mulher responsável por ser Cabaretier era na verdade uma vendedora. Esmeralda tinha uma voz alta e quase estridente mesmo sem microfone, potente o suficiente para ser ouvida à distância.
Quimera monitorava de longe, mas já sabia que Áster transitava muito facilmente entre introvertido e extrovertido quando necessário, e certamente estava se entendendo bem com aquela senhora ao lhe entregar um papel e explicar gesticulando como ela deveria anunciar o circo e cada apresentação, parecendo bastante focado nisso, até alguém lhe agarrar pelas pernas e começar a cirandar ao seu redor.
Os outros já estavam dentro das repartições da tenda, mas Quimera olhou um pouquinho mais, o mágico perceber a criança filha da cabaretier, estreitando os olhos a princípio, bastante amedrontador.
No entanto ele se agachou, parecendo brincar com ela.
— Uma moeda para você se divertir? — ele disse, parecendo puxar de dentro dos cabelos castanhos dela, que ficou surpresa. — talvez devesse ser um biscoito? — ele girou os dedos e a moeda desapareceu, dando lugar a um biscoito igual ao das quitandas que seriam vendidas — Mas sua mãe pode não gostar então fique com a moeda. — mais um movimento das mãos e a moeda voltou a aparecer, e foi o suficiente para a menina arregalar os olhos e abrir a boca deixando uma interjeição escapar, antes de esticar a mãozinha e realmente pegar a moeda, mordendo para testar.
Olhando ao redor, aquele lugar realmente parecia mágico dessa vez.
Antes, apenas um trem estacionado, com roupas no varal. Agora ele mal podia notar o trem por maior que fosse, estava encoberto pela escuridão e de portas fechadas ofuscado pelo brilho das centenas de luzes que iluminavam a tenda amarela e roxa, alta, grande e chamativa, cercada por barraquinhas de vendas, o aroma de pipoca quente e algodão doce no ar, misturado com bolos e biscoitos.
Áster, caminhava segurando sua cartola ao lado de uma mulher, e um cabide com um terno para ela, indicando aonde ela deveria ir para se trocar.
Logo vozes começaram a ser ouvidas, e pessoas surgiam no horizonte, subindo o desfiladeiro. A visão era engraçada.
As madames afundando o salto na grama para conseguir subir, as expressões de soberba não puderam encobrir a surpresa ao ver o circo montado, não importa o quanto tentassem. Carros vinham chegando, e não era muita gente, mas com certeza mais alguns viriam. Para uma cidade antipática como São Aquino branco, era na verdade um milagre.
Ou mágica.
As cadeiras tinham o selo da prefeitura, o que foi surpreendente. Firmino devia ser um homem bom na verdade, para colaborar tanto com o circo de Áster. Ou talvez fosse a lábia de diabo que aquela pessoa tinha.
Por dentro, a tenda encaminhava para o centro que era um grande círculo em volta do picadeiro. Ao longo do círculo haviam outras divisões fechadas e uma delas com uma entrada chamativa, uma placa simples escrita "boca do diabo".
— Respeitável público! — A voz feminina soou em toda a tenda. — Esmeralda é a apresentadora desta noite que vos fala...
As luzes diminuíram focando apenas no palco, e os olhos se voltaram completamente para ele, já não era mais possível nem tentador ver o que tinha ao redor do picadeiro.
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A Queda de Áster
Fantasía18+ Áster é um mágico e ilusionista trambiqueiro de primeira linha que viaja com seus amigos de volta à sua antiga cidade com o circo, o Arcana, no entanto suas intenções vão além de fazer apresentações e shows. Quando um objetivo obscuro assombra...
