Amo vocês

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POV GIZELLY

-Bom dia sogrinha. – Dei um beijo estalado na bochecha de dona Gê. – Dormiu bem?

-Bom dia, Gi. – Ela se virou e retribuiu o beijo. – Não vi que você tinha dormido aqui.

-Sua neta não me deixou ir embora. – Abri um sorriso. – Sua filha também não.

-Eu fico tão feliz em ver vocês se acertado. – Genilda se sentou segurando minhas mãos. – Minha filha sofreu muito, Gi. E graças a Deus vocês estão se entendendo de novo.

-Eu não vivo sem ela, Rafaella é o amor da minha vida. – Eu nunca tive medo de expor meus sentimentos.

Preparamos o café juntas, Rafa e Sofia ainda estavam na cama, hoje Sofia não iria na escola e Rafa só iria no ateliê mais tarde. Ontem a noite, depois da nossa conversa, eu tomei minha decisão, impossível negar o pedido de Sofia, desde que eu a conheci meu amor por ela se tornou algo tão sólido, que mesmo que Rafa e eu não ficássemos juntas, eu não queria Sofia fora da minha vida. Eu nunca fui ambiciosa, meu único grande sonho era ter alguém que estivesse ao meu lado, que tivéssemos filhos e vivêssemos bem, acontece que meu sonho pode ser realizado e ao lado da mulher que eu amo, e que me ama também.

-Bom dia vovó. – Sofia desceu correndo agarrando a avó pelas pernas.  –Vovó, eu pedi a tia Gi pra ela ser minha mamãe também.

-Bom dia meu amor. –Dona Gê se abaixou e beijou a neta. – Duas mamães? Mas você está chique demais.

-Ela ainda "pecisa" conversar com a minha mamãe Rafa. – Sofia era muito inteligente pra idade dela.

-Não vai dar bom dia a mamãe Gi? – Perguntei, fazendo ela abrir um sorrisão.

-Você vai ser minha mamãe? – Me aproximei a pegando no colo.

-Eu quero ser sua mamãe. – Beijei seu rosto.

-Então eu posso te chamar de mamãe? – Os olhinhos dela até brilhavam.

-Você pode me chamar do que quiser. – Sofia fez festa e me beijou no rosto.

-Hey, que algazarra é essa aqui? – Rafa desceu as escadas pronta pra sair. – Bom dia meus amores.

-Bom dia mamãe. – Sofia saltou do meu colo para o colo de Rafa. – A tia Gi, agora é a minha mamãe.

-É mesmo meu amor? – Soso balançou a cabeça empolgada. – E você tá feliz?

-SIIIIM! – Ela deu um grito fazendo todas nós cair na risada.

-Opa, tá tendo festa aqui? – Tato desceu se juntando a nós. – Bom dia meninas.

-Bom dia titio. – Sofia beijou o homem e nos acomodamos ao redor da mesa.

Sofia contou pro tio que agora tinha duas mamães, ela falava sem parar e eu não conseguia conter a felicidade que estava dentro de mim. Rafa olhava a cena com carinho e eu não podia escolher outra pessoa para amar além dela.

-O papo tá bom, mas eu preciso ir trabalhar. – Rafa depositou a xícara no pires se levantando em seguida. –Filha, nada de bagunça, você faltou à aula hoje, mas se lembre das nossas regras.

-Eu sei, mamãe. – Soso respondeu impaciente.

-Você vai comigo agora? – Rafa me perguntou, pois eu tinha marcado de conversar com Malvina.

-Sim, já resolvo tudo de uma vez. – Me levantei despedindo da minha sogra e do meu cunhado. – Tchau Soso, até mais tarde.

Beijei os cabelinhos loiros dela, fui até o sofá alcançando minha bolsa, quando estávamos saindo pela porta, Sofia veio correndo.

-MAMÃINS. – Rafa e eu nos viramos. – Eu amo vocês.

Meu coração se derreteu por completo, voltei até lá e a enchia de beijos, Rafa se juntou ao abraço repetindo os movimentos, ali eu tive certeza de onde é o meu lar.

{...}

-Hey, obrigada por tudo isso. – Eu estacionava o  carro de Rafa no estacionamento do ateliê. – Eu estou tão feliz por você estar aqui.

-E eu não pretendo ir a lugar algum sem vocês. – Beijei seu lábios. – Agora eu tenho uma filha e várias responsabilidades.

-Pulamos as etapas, já temos filha e nem namoramos ainda. – Rafa tinha um sorriso ligeiro nos lábios.

-Tô esperando o pedido. – Soltei o cinto gargalhando. – Na verdade eu quero casar logo, já perdemos tempo demais.

-Apressadinha. – Descemos do carro e Rafa segurou minha mão.

-Eu tô falando sério. — Rafa me encarou por alguns segundos e não disse mais nada.

Já no andar do ateliê alguns curiosos olhavam Rafa e eu de mãos dadas, ainda não tínhamos assumido nada pra ninguém e agora que minha mãe já sabia de tudo, não tinha motivos para escondermos isso. Fernanda encarou a cena um tanto surpresa, mas fez a linha profissional e se aproximou repassando a  agenda de Rafa.

-Senhorita Gizelly, a senhora Malvina já lhe aguarda na sala de reuniões. – Agradeci e Rafaella tinha um sorriso vitorioso nos lábios.

-Obrigada Fernanda. – A secretária se afastou sem dizer nada. – Te vejo mais tarde.

-Passa na minha sala quando sair. – Rafa beijou meus lábios brevemente. – Te amo.

Nos despedimos, Rafa entrou pra sua sala e eu fui até onde minha mãe me esperava, eu estava ansiosa, mas agora de cabeça fria eu consigo compreender os motivos de Malvina.

-Posso entrar? –Bati na porta colocando a cabeça pra dentro da sala.

-Oi filha, estava te esperando. – Malvina estava receosa. – Está tudo bem?

-Sim, e com você? – Me sentei de frente a ela.

-Estou bem. – Malvina mexia os dedos de forma impaciente.

-Mãe, primeiramente eu gostaria de me desculpar com você. – Ela me olhou supresa. – Eu não esperava por isso, mas não tenho direito de julgar você, me machucou muito descobrir toda a verdade, mas ele é o meu pai, indiferente dos nossos laços sanguíneos.

-Filha, eu quem te devo desculpas. – Minha mãe engoliu seco. – Eu não tinha o direito de esconder a verdade por tanto tempo, e o pior, eu sempre senti ciúmes das sua relação com Gael, e muita das vezes eu fui uma pessoa horrível por isso. Eu sempre quis o melhor pra você, mas acabei me perdendo, e consequentemente perdendo você, não soube aceitar você como você é, e hoje eu vejo que você é a filha que eu sempre quis.

-Eu sempre amei vocês dois. – O choro já estava na minha garganta.

-Eu percebi isso tarde demais, me envolvi tanto na minha carreira que deixei pequenos detalhes escapar. – Minha mãe segurou a minha mão por cima da mesa. – Filha, me perdoa? Me perdoa por todas as vezes que eu fui rude, que eu não te compreendi, que eu fui narcisista a ponto de obrigar você a fazer coisas que não gostaria só pra alimentar o meu ego?

-Eu te perdoo mãe. – Ela se levantou me abraçando apertado. – Eu acho que podemos começar de novo, e se você não tivesse me obrigado a entrar na faculdade de moda, eu não teria conhecido Rafaella.

-Quando é pra acontecer, nada no mundo atrapalha. – Minha mãe me segurou pelos ombros. – Vocês duas foram feitas uma pra outra, e eu já disse isso pra ela, não deixem de viver isso, pois segundas chances não aparece todo dia.

-Você ainda o ama, né? – Eu sabia que minha mãe estava falando mais pra ela do que pra mim.

-Minha vez já passou, agora é a sua vez de ser feliz. – Minha mãe beijou minha testa.

Passamos o resto da manhã conversando, se desculpando, fechando as feridas. Eu sempre entendi que a forma da minha mãe me amar era diferente, e hoje eu tenho certeza disso, quero que ela esteja presente na minha vida, principalmente agora que eu quero ter uma família com Rafaella, não seria justo deixá-la de fora.

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No próximo eu conto quem morre!
Tá no fim 🥺
Volto logo!

Without meOnde histórias criam vida. Descubra agora