Isso é maldade

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POV GIZELLY

Depois de ter tomado café na casa de Rafa, segui pra casa de Luiza e Marcela, as duas estavam me cobrando uma visita, praticamente me obrigaram a vir aqui. Luiza abriu a porta com um sorrisão abrindo espaço para que eu passasse.

-Bom dia furacão. – Abracei minha amiga com um abraço de urso.

-Bom dia, Gi. – Marcela também se aproximou me abraçando.

-Bom dia meninas, tudo bem por aqui? – Joguei minha bolsa no sofá.

-Estamos bem, mas você sumiu. – Luiza me empurrou pelo ombro. – Aposto que tem mulher envolvida, com quem você estava?

-Eu estava em casa. – Dei os ombros em resposta.

-Me engana que eu gosto, Gizelly. – Luiza não acreditou na minha mentira. – Pele boa, sorrisinho de lado, a cara de quem fez amor a noite inteira.

Marcela caiu na gargalhada, e eu não consegui segurar o riso. Luiza é um caso à parte, não dá pra levar ela a sério. 

-Olivia ou Bella? – Ela perguntou com uma sobrancelha arqueada. – Tem a Fernanda também.

-Nenhuma delas. – Eu ainda preciso preparar o terreno.

-Puta que pariu, Gizelly. – Luiza deu um grito. – Já é uma nova? Não acredito, você precisa ser estudada, que lábia é essa?

-Ou pode ser uma antiga também. – Marcela disse como quem não quer nada.

-Antiga? Espero que você não tenha dormido com a minha mulher. – Marcela encarou Luiza descrente. – Brincadeira amor.

-Eu estava em casa, não estou ficando com ninguém. – Luiza ia surtar se soubesse de Rafaella, então achei melhor evitar. – Vocês sabem que eu sou transparente.

-Vou acreditar nesse papo furado. – Mudamos de assunto, mas Marcela ainda me olhava como quem soubesse a verdade.

Passei a manhã toda na companhia das meninas, Marcela não tinha plantão e Luiza estava ensaiando em casa, colocamos o papo em dia falando sobre nosso cotidianos, só me despedi quando Malvina me ligou me chamando pra almoçar com ela, aceitei, pois já havia dias que eu estava fugindo desse encontro.

-Lembrou que tem mãe? – Malvina já me aguardava em seu restaurante favorito.

-Oi mãe, tudo bem? – Deixei um beijo em seu rosto e me sentei. – Estive ocupada.

-Me evitando, você quis dizer. – Suspirei e Malvina continuou. – Você poderia ter mencionado sobre Olivia.

-Não tinha o que mencionar. – O garçom se aproximou anotando nossas entradas. – Na verdade, nós duas nunca conversamos sobre isso, minha sexualidade sempre foi um grande tabu pra você.

-Você não conversa comigo sobre nada, sempre foi assim. – Minha mãe parecia chateada. – Mas com seu pai você fala tudo, eu nunca sei o que está se passando com você, Gizelly.

-Você nunca quis saber. – Tinha rancor na minha voz. – Eu fiquei oito anos fora, e parece que foram oito dias pra você.

-Filha, eu não quero brigar. – Respirei fundo, não quero me exaltar. – Me desculpe, você tem razão, eu não devo te cobrar essas coisas.

-Tudo bem, esquece isso e me desculpe também. – Ela acenou com um sorriso ameno. – Mas você está bem?

-Sim, tenho uma bateria de exames no início da semana. —Assenti e mudamos de assunto.

O almoço aconteceu de forma tranquila depois do nosso pequeno atrito, minha mãe sempre teve ciúmes da minha relação com meu pai e eu não entendia isso, eu amo os dois da mesma forma, mas com o meu pai eu me sinto mais confortável em conversar sobre a minha vida, tanto que eu nunca escondi dele a minha sexualidade, como eu iria chegar até Malvina e dizer que eu sou apaixonada pela Rafaella? Tenho certeza que ela surtaria, e eu não quero prejudicar Rafa, eu nunca quis, inclusive depois que ela me confidenciou que tinha medo da minha mãe, eu consegui compreender os motivos dela.

Without meOnde histórias criam vida. Descubra agora