POV GIZELLY
A coisa que eu mais detesto no mundo é esse controle que minha mãe quer ter sobre mim. Ela me trata como propriedade dela, esquece que eu sou um ser humano pensante, mas como Rafa disse: se rebelar é pior, e a solução seria me render ao bendito estágio. Os dias iam passando devagar, e o tédio me consumia quando eu estava no ateliê, o que deixava menos pior, era a empolgação com que Rafa trabalhava, ela de fato amava isso, fazia com paixão, fora os croquis que ela desenha, eram incríveis. Depois que ela me contou sobre minha mãe, nós duas acabamos nos aproximando, e ela me pediu desculpas por ter sido rude comigo no meu primeiro dia de faculdade. Rafa fazia questão de me ensinar as coisas e tinha uma paciência enorme comigo, fora que ela era engraçada e muito divertida, sem contar que Rafa era uma deusa, nunca vi uma mulher ficar tão linda em absolutamente tudo que veste, ela poderia aparecer na faculdade enrolada em um pano de prato, que eu acharia lindo.
Hoje graças a Deus era sexta e eu estava matando aula pra bater papo com dona Genilda no banheiro. Ela se tornou uma grande ouvinte e nós duas passavamos horas conversando, ninguém sabia quem falava mais.
-Dona Gegê, eu trouxe isso pra senhora. – Tirei um envelope da bolsa e esperei que ela abrisse. – Espero que você goste!
-Que isso Gigi, não precisava. – Ela secou as mãos na lateral da calça e arregalou os olhos quando abriu o envelope. – É o que eu tô pensando?
Balancei a cabeça e dei um sorriso travesso, dona Genilda era uma mulher incrível e que trabalhava muito, então quis dar um presente para ela se divertir.
-Eu não acredito que vou ver Raça Negra e Zeca Pagodinho ao vivo. – Ela pulava de alegria e eu sorria com a felicidade dela. – Você não existe Gigi.
A mais velha veio até mim e me abraçou com força, era um abraço carinhoso e eu me sentia acolhida por ela.
-Espero que a senhora goste. – Eu disse quando nos afastamos. –Consegui dois ingressos, assim a senhora pode levar um paquera.
-Como se eu tivesse tempo pra isso. – Ela disse com a mão na testa. – Eu vivo pelos meus filhos e pelo trabalho.
-Mas tem que tirar um tempo pra se divertir também Gegê. – Me sentei na pia e ela guardou os ingressos. – Se não a vida passa e você não aproveitou ela, garanto que seus filhos já sabem se virar sozinhos.
-Mas eles sempre serão meus bebezinhos. – Genilda dizia com carinho. – Não vejo a hora dos dois me darem alguns netinhos.
-A senhora ainda tá nova, pra querer ser avó.
Continuamos batendo papo, era aula de desenho e eu não levava nenhum jeito pra coisa, e era muito mais legal ficar de papo com a dona Gê. Estávamos conversando sobre a novela da tarde quando Tassia entrou no banheiro.
-Meu pai sabe que a senhora fica de papo durante o trabalho? – Ela se dirigiu para dona Genilda e a senhora engoliu seco. – Que eu saiba, você é paga pra trabalhar, e não ficar de trela com os alunos.
-Eu acho que agora eu irei suspensa, pois eu vou esfregar sua cara no chão. – Pulei da pia igual um gato, mas a dona Genilda foi mais rápida e me segurou pela cintura.
-Não vale a pena Gi. – Dona Genilda me soltou e pediu que eu ficasse calma. – Depois a gente conversa, e obrigada pelo presente, vou aproveitar muito.
Tassia foi até o espelho para retocar o batom, e antes de sair eu trombei nela fazendo o batom borrar, dei um sorriso e fui andar pelo campus. Estava andando quando vi Marcela de longe e acabei indo até lá.
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Without me
FanfictionMalvina Bicalho é um dos nomes mais temidos no meio da moda. Por onde passa deixa as pessoas de cabelo em pé, Miranda Priestly teria medo dela, a única pessoa que debatia de frente com a mulher, era sua filha Gizelly, que apesar de ser bocadura com...
