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9. Família

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Quando Jungkook avisou que precisaria de um intervalo durante o dia para buscar Kim Taehyung da quimioterapia, Jimin logo entendeu a situação e garantiu que ele fosse. Explicou que, por enquanto, não poderia fazer isso muitas vezes pela situação complicada que viviam no laboratório, mas prometeu que quando tudo se normalizasse ele teria mais liberdade para ver o marido durante o dia. Apenas essa vantagem já era suficiente para o rapaz não se arrepender de ter aceitado a proposta - e deixá-lo ainda mais nas mãos de Jimin, que bastava citar o nome do marido, mesmo a contragosto, para Jungkook ignorar as pontadas de dúvidas e medos em sua cabeça.

E lá estava aquele nome outro vez: Taehyung.

Pensar nele era estranho. O cérebro inteiro já havia confirmado todas as teorias possíveis, mas ele continuava sem acreditar naquela coincidência tão grande. Talvez precisasse vê-lo pessoalmente, mas também morria de medo: como reagiria? Como explicaria tudo? Não conseguiria.

O loiro se serviu com uma pequena dose de conhaque na cozinha de casa e riu com os lábios rente ao copo, antes de tomar um gole quente e mentolado que queimou sua garganta. Os pensamentos iam e vinham, se embaralhavam, e após algumas provocações de Mark no carro até a ida em casa ele estava ainda mais absorto na própria mente. Seu motorista já havia notado que Jimin olhava para Jungkook de forma diferente.

"- Você olha pra ele como se fosse comê-lo, Park! Sabe que isso é um pouco errado, né?

- Só por que ele é homem?!

- Quê? Não! Tô falando porque ele é casado!"

Riu outra vez após mais um gole forte. Percebeu que acabou confirmando as suspeitas de Mark por não ter negado que realmente estava interessado em Jungkook.

Mas se atrair por um homem comprometido era o menor de seus problemas.

Jimin deixou o copo vazio na beirada da pia e caminhou até o escritório, usava apenas uma bermuda de algodão cinza no corpo, sem mais nada o cobrindo. A tatuagem com os dizeres "Young forever" estava exposta de cada lado da costela, além das flores de cerejeira em preto e branco que começavam abaixo da palavra "forever" e desciam até perto da virilha.

Ao chegar ao escritório, buscou algumas folhas específicas que estavam jogadas em cima da mesa branca e foi rumo à suite. Deixou-as em cima da cama de lençóis amarelos em tom pastel, vestiu uma blusa de algodão de mangas compridas e se sentou na cama com as folhas em seu colo e a coberta grossa em cima das pernas.

Parecia adorável visto de longe, sequer podia-se imaginar que naqueles papéis estavam listadas as encomendas de Almagesto feitas naquela semana, fora os pedidos novos de alguns produtos químicos ilegais e a compra de alguns itens para o laboratório e para a segurança pessoal dos membros.

Jimin trocou algumas mensagens com Jonathan, sempre atento aos códigos e trocadilhos que usavam nas palavras para não deixar explicito o que tratavam, e logo encerrou a leitura das folhas. Estava com preguiça demais para voltar ao escritório e guardá-las, então deixou-as na pequena cômoda ao lado da cama, a qual possuía apenas um pequeno abajur.

Pensou em Jungkook outra vez. Queria saber como ele estava, o que achou do dia no laboratório, primeiras impressões e o que esperava. Sabia que poderia perguntar essas coisas no dia seguinte quando o visse outra vez, mas queria perguntar naquele momento.

Digitou uma mensagem com apenas um "boa noite", mas vacilou antes de enviar. Jungkook provavelmente estava na companhia do marido e poderia se complicar caso recebesse uma mensagem de outro homem tarde da noite.

Desistiu de puxar conversa e apagou a mensagem. Não queria atrapalhar - mais ainda - a vida de Jungkook.

[...]

Almagesto | TaekookminHistórias para pegar e não largar. Descubra agora