- Vou fingir que não escutei o que acabei de escutar, e que você vai sim no treino amanhã. - Repetia Ray, completamente furiosa depois de eu dizer que precisaria faltar. - Faltam o quê; dois meses para a intercolegial!
- Vou pegar muita gente lá. - murmurou Miranda, meio atordoada.
- Me desculpa, Ray... - falei, aflita. - O diretor deu permissão para a Dorama aumentar os dias da detenção caso faltarmos um. E também... ele nos obrigou a ler todo o regulamento escolar, e fazer uma cópia dos artigos 1 ao 7, o que é muita coisa.
- Ah... que merda! O regulamento escolar é gigante. - disse Mira. - Mas a pergunta que não quer calar... Qual foi a razão de você e Ravi forem detentos?
Segurei a risada.
- Fumamos.
O queixo de Ray caiu, enquanto Miranda, ao contrário de mim, não segurou a risada, e gargalhou como uma gralha. Depois, a loira me deu um tapa na perna.
- Mas que merda, Lani! - disse ela, e Mira riu mais alto.
- Eu sabia que um dia aquele desgraçado ia ser pego. E em flagrante ainda? Só melhora. - Disse Mira, sem um pingo de remorso nos olhos.
Meu olhar se direcionou para Ray, que me olhou de volta, não pareceu estar brincando mais. Estava séria. Séria, e decepcionada.
- Como você pôde fazer uma coisa dessas comigo? Eu disse para ti não fumar. - Advertiu ela, com o olhar pesado.
- Só queria aproveitar. Mas... acabei fazendo isso no lugar errado. - Respondi, querendo ser franca.
- Que bom que sabe. E espero que também saiba que contamos muito com você na intercolegial! - finaliza ela, antes do sino tocar e todos os alunos se descolarem da sala do professor. Agora, nos separaríamos.
Miranda colocou o cabelo enorme do lado do ombro e agarrou o caderno que estava escorregando de suas mãos.
- Fez a revisão de física? Eu esqueci. - disse ela, e eu não falei nada. - Sério, o professor vai me comer viva se ele pegar meu caderno em branco.
- Fiz... Graças ao Dante. - respondi, me lembrando de semana passada quando ele me ajudou nessa atuvidade.
Miranda soltou um assobio.
- Parece que ele está sendo algo mais além de "ficante", não é?
Apesar do vento dos corredores baterem no meu rosto, senti minhas orelhas arderem, claramente estariam vermelhas naquele momento.
- Somos nada além disso. Ficantes e amigos, e ele me ajuda nos deveres pois se oferece e eu aceito, onde está vendo "algo mais"? - disse tão rápido que quase não consegui abrir a porta da sala de física.
O professor colocou os óculos e antes de escrever a data no quadro, nos mandou sentar. Miranda e eu fomos para o fundo. Quando menos percebi, Dante passou pela porta, e assim que nossos olhos se encontraram, ele veio ao meu encontro. Para falar a verdade, sorri de volta por educação, já que estava muito, muito mal pelo que havia acontecido entre mim e Ravi no clube de xadrez, e por ter saído do ginásio no meio do jogo dele.
Mas seu sorriso sumiu quando percebeu que meu cabelo estava curto. Muito curto.
- O que aconteceu com você? - ele questionou, passando a mão pelas mechinhas.
- Me reacendi. - Mira sorriu para acompanhar meu sorriso de orelha a orelha, mas Dante apenas elevou a boca para o lado.
- Confesso que achava seu cabelo grande muito, muito bonito, mas esse novo corte... Até que deu uma cara nova pra você. - Ele se aproximou e juntou seus lábios aos meus. Então, ouvimos a voz do professor.
- Sentem-se, alunos, que vamos começar a aula. - Ele não havia visto o beijo, por sorte.
A aula havia fluído, e eu estava ansiosa para o sinal bater. Ansiosa pois, logo em seguida, iria direto para a sala de detenção. Dorama disse que tínhamos permissão para assistir a primeira aula, então, o que Ravi deveria estar pensando? No estoque de cigarros que tinha no dormitório? Ou se estava com raiva de mim? Eu deveria contar ao Dante?
Na verdade, deveria ressaltar que não somos nada além de ficantes. Se devo algo a ele, deve ser apenas por ter cuidado de mim por um bom tempo. E sobre isso, havia um certo pensamento que me incomodava muito.
Não retribui o beijo de Dante, e talvez, não tenha sido só isso que deixei de retribuir.
[...]
Fora uma tarde longa na sala de detenção, lendo e relendo o regulamento. Cópias e mais cópias eu fazia, e ao meu lado, Ravi mantinha a boca fechada, e não tive nem o privilégio de sequer escutar sua respiração. Observei-o um pouco, em como seus cachos loiros estavam mais brilhantes na luz do sol, e sua boca levemente entreaberta era bonita, e parecia ser macia. Ravi poderia ter qualquer gosto, mas sabia que seria longe de ser doce.
O mesmo virou a página e nossos olhos acenaram. Minha boca formou um sorriso, e ele voltou o olhar para o senhor Andersen, que estava mexendo em seu computador. Nós três éramos os únicos da sala.
No exato instante em que percebera a distração do monitor, Ravi estendeu a mão com um post-it amarelo vivo dobrado e eu o peguei, abrindo como uma louca para ver o conteúdo escrito.
Estava escrito o seguinte:
"Eu nunca vi olhos mais tempestuosos que os teus. Poderia ficar os admirando 24 horas sem cansar."
Quando olhei para ele e sorri como resposta, o mesmo já me dera outro:
"Me deve um beijo. Quero saber o que essa boca pálida sabe fazer"
Soltei uma risada quase alta, e ele riu com os dentes. Virei seu post-it de cabeça para baixo e comecei a escrever.
"Vamos apostar? Se meu time ganhar no intercolegial e no torneio de xadrez, eu te dou um beijo. De verdade, dessa vez."
Assim que lhe entreguei, ele leu. Pude ler seus lábios: ele diz "Fechado." Talvez ele visse algum tipo de potencial em mim. Portanto, deveria acabar com meus assuntos com Dante antes de começar a ter alguma coisa com Ravi.
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Reacendendo-me
RomanceEnquanto uma adolescente passa pela fase do luto e do trauma, ela começa a estudar em um instituto interno, e onde espera mais tristeza, na verdade encontra diversos amores e uma vida que jamais imaginou viver novamente. iniciado: 22 de julho de 20...
