Almoçávamos no refeitório, um dia depois do jogo. Rodeados de pessoas, que passavam para perguntar meu nome e algumas meninas até nos entrevistavam. Não estava me sentindo numa escola, e sim, nas olimpíadas; um dos maiores sonhos de minha irmã. Também ouvi ótimos elogios, sobre minha postura, minha atenção, e até minha aparência. Ray não parava de comentar sobre os saltos fantásticos que eu dei para nos safarmos.
- Foi o melhor jogo de vôlei que já vi na história dessa escola. - Concluiu Miranda, ainda mastigando a comida.
- Vocês vão na feira de artes? Começa daqui duas horas... - Perguntou Mars, largando a comida. - De cá todos estão indo até lá.
A feira de artes não me pareceu um lugar muito agradável. Sempre odiei museus, muito entediantes. Ainda mais ver telas pintadas por alunos ou brinquedos artesanais. Porém, já não houve tempo para resposta, até Ravi tentou dizer alguma coisa, mas uma mão cheia de anéis de coco e pulseiras de cordas repousou na mesa, bem ao meu lado. Engoli a comida sem mastigar e quase engasguei.
- Ray. - disse Tori, sorrindo. - Ravi, Mars... - Ela fez um estalo com a língua. - Luma... Mas você, eu não conheço. É nova, eu suponho.
- Jogamos ontem. Sou Alanis.
- Alanis! - sorriu ela, um sorriso de orelha a orelha. - Belo jogo ontem, garota. Conseguiu nos massacrar. - Ela pediu um soquinho, estendendo o punho, mas me recusei. - Veio de onde?
- Santa Catarina. - levei uma colher de purê até a boca. - Mas já tem quase uma semana que cheguei.
Olhei para Luma, na minha frente, que segurava o prato com o purê de batata, como se com qualquer desvio, ela atiraria o prato em Tori, e a mesma percebeu, fazendo outro estalo com a língua e erguendo a postura, olhando para a de cabelos pretos de cima a baixo.
- Bom, Alanis - Olhou para mim. - Eu só vim mesmo para parabenizá-la, você arrasou no jogo ontem, e... - Devagar, foi se aproximando do meu ouvido. - se quiser bater um papinho comigo e meu time, estaremos a disposição, se você quiser... Amanhã e quarta são nossos treinos. Terça e quinta são os seus. Passa lá caso queira.
E por fim, deixou nossa mesa. Ray fez um barulho estranho com a boca, como se imitasse uma serpente com a língua.
- Cobra. - ela murmurou. - Não escuta o que essa garota disse, Nis. Você é boa demais para o time merda dela.
Assinto, sem saber exatamente o que dizer. Apenas observei Tori dando as costas e andando - andando não, desfilando - até sua mesa. Se sentou com as pessoas de seu time, e Zara se inclinou um pouco para tentar ver o que estava acontecendo conosco, soltando uma risadinha quando seu olhar encontra com o de Mars.
Encaro Ravi, ao lado dele. O mesmo parou de comer a um tempo para usar seu celular. Celulares eram proibidos de segunda á sexta, porém, liberados nos finais de semana, que passávamos no colégio para cumprir algumas aulas extras, já que as aulas durante a semana eram em períodos integrais.
De repente, Ravi e eu fazemos contato visual. De novo, como aconteceu embaixo da ponte. Só que dessa vez, seu olhar não era desafiador, na verdade, seu jeito inclinado para o prato e o olhar até mim me lembrava a primeira vez que me apaixonei.
Juan Maia, um garoto um ano mais velho que eu, quando eu fazia o nono ano. Nos encarávamos daquela forma, até ele me pegar no cantinho da biblioteca entre as estantes quando nos encontramos e me beijar. Juan não tirou só meu bv naquele dia, mas também tirou a inocência. Depois que o namorei, e descobri que me traía no meio do relacionamento, comecei a ficar com garotos aleatórios, sem sentimento algum, apenas para esquecê-lo, e foi difícil me apaixonar verdadeiramente de novo.
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Reacendendo-me
RomansaEnquanto uma adolescente passa pela fase do luto e do trauma, ela começa a estudar em um instituto interno, e onde espera mais tristeza, na verdade encontra diversos amores e uma vida que jamais imaginou viver novamente. iniciado: 22 de julho de 20...
