Tivemos um último treino de vôlei na terça, um dia antes do feriado, que se estenderia até o domingo. E meus pais ainda não haviam ligado para me dizer quando iam me buscar, eu estava louca para jogar com meus amigos, para ver Lara, Eleanor e... André. Talvez ele não, mas eu não recebia notícias de Eleanor a mais de um mês e sentia falta de Lara. Me perguntava se meus pais sentiam minha falta tanto quanto eu sentia a deles.
Perdida em meus pensamentos, quase levei um susto quando cheguei perto da rede para bater na bola e Tori puxou minha camisa me levando para baixo. Ray a xingou.
- E então, branca de neve!? Vai ser assim? Eu te proponho uma oferta extraordinária e tu me deixa assim, na lanterna? - ela cuspiu.
- Bom, se não consegue ver, já tem uma resposta. - eu a encarei. - Não.
Tori rangeu os dentes.
- Isso não vai ficar assim. Vai se arrepender de ficar com os perdedores. - disse ela, e me soltou com força. Mira me levantou.
- Vai pra casa do caralho, Victoria! - Ravi gritou, e pegou a bola.
[...]
- Ela me propôs para participar do time dela. Mas eu não respondi. - confessei a eles. - Mas é claro que recusei. Estou com vocês até o fim.
Ravi me estendeu a mão, e me ajudou a levantar. Ray me deu batidinhas nas costas, e Iuri e Suzi apitaram do outro lado para recomeçarmos o treino de dupla. Claro, não parei de pensar na promessa da Tori.
Ao entardecer vi Ray fazendo as malas em seu quarto, e sorrira dizendo que todos estavam indo embora do internato e um ônibus ia passar daqui duas horas. E comecei a ficar realmente preocupada com meus pais, o que me levou a ir até o orelhão que ficava em frente ao portão do colégio, e digitei o número da minha casa.
- Alô? - disse a voz rouca dela.
- Mãe! Sou eu, Alanis.
- Oh, olá querida... Algum problema?
Engoli em seco.
- É... não é nada. É que... que... - mordi o beiço. - Estou esperando me ligarem a semana toda para me dizerem quando irão me buscar. Sabe? Para o... feriado.
Silêncio absoluto da outra linha.
- Ah, filha... Eu vou passar para o seu pai. - disse minha mãe, parecendo impaciente, e ouvi mais silêncio.
Minha garganta começou a se fechar. Como quando o céu se fecha e o sol some, minha garganta começou a se fechar. E eu tentei afastar as nuvens respirando bem, bem fundo. Era uma péssima hora para chorar.
- Alanis, filha, que saudade. - falou a voz doce do meu pai. - Como estão as coisas aí no internato?
- Bem, pai.
- Ah, bom, eu e sua mãe estamos... decidindo algumas coisas aqui em casa, e... é muita coisa, você não tem ideia. - ele soltou uma risada sem humor. - E por causa disso acabamos... - ele não parecia querer dizer. E eu não queria ouvir, no fundo. - Acabamos esquecendo, filha, por favor, nos desculpe.
Esquecendo. Eles esqueceram. Esquecer é como deixar uma borboleta amarela tomar conta da sua flor favorita e você esquecer que ela é sua flor favorita, e ela fica olhando para você sabendo disso e esperando algo. Mas aí já é tarde demais quando tu se lembra dela.
Ouvi um barulho. Minha mãe pegou o telefone com força da mão do meu pai.
- O que o seu pai quer dizer, Alanis - disse ela, autoritária. - É que estamos organizando as coisas para assinar o divórcio. Por isso acabamos deixando isso de lado, mas claro que está feliz aí. Então não se preocupe, minha filha. Saiba que está bem melhor nesse colégio do que aqui em casa.
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Reacendendo-me
Storie d'amoreEnquanto uma adolescente passa pela fase do luto e do trauma, ela começa a estudar em um instituto interno, e onde espera mais tristeza, na verdade encontra diversos amores e uma vida que jamais imaginou viver novamente. iniciado: 22 de julho de 20...
