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Maraisa Henrique point of view.

Assim que saí do hospital, fui para a casa da minha irmã. Precisava dela, não por estar mal ou algo assim, mas por querer estar com ela. Ela me abraçou e me beijou inúmeras vezes. Maiara me contou também que Gustavo disse que era bissexual e eu ri tanto que a minha barriga doeu.

— É sério? - Olhei pra ela e ela fez que sim com a cabeça. — Ele tem cara mesmo que ama dar, sei lá.

Maraisa! - Ela exclamou, com os olhos arregalados.

— Vocês transavam?

— Óbvio. Que pergunta viu, Maraisa.

Maiara levantou e amarrou o cabelo, descendo um pouco o short. Fiquei com a cabeça apoiada na minha mão, observando ela.

— Recebi umas mensagens ontem.

— Que tipo de mensagem? - Maiara voltou a me olhar.

— Suspeitas. E pra compensar tinha um cara me olhando todo encapuzado.

— Como assim, Maraisa? Deixe-me ver as conversas. - Ela pegou o celular da minha mão. — Porra! - Sua mão cobria sua boca. — Isso é pegadinha, irmã.

— Será? Por quê alguém faria esse tipo de pegadinha, metade?

— Pra separar vocês duas. Você contou pra Marília? - Fiz que não. — Deveria contar… Essas coisas não se esconde, irmã.

— Tenho medo, às vezes.

— Do que exatamente?

— Você acha que a Marília me trairia?

Maiara Henrique point of view.

Juro que quase engasguei quando ela me perguntou, mas se eu demonstrasse algo consequentemente alimentaria as suas inseguranças e eu não queria isso. Maraisa me olhava aflita, percebi a dilatação da sua pupila. Sentei sobre a cama e beijei o topo da sua cabeça.

— Eu acho que não, irmã. Não acho que ela faria isso. Ela parece te amar incondicionalmente.

— Maiara, ninguém me mandaria uma mensagem tão… suspeita.

— Eu tenho certeza que é algum tipo de pegadinha, fica tranquila! Vocês estão namorando oficialmente?

— Sim, ela me pediu, apesar de que vivíamos como namorada. - Maraisa sentou sobre a cama, com as pernas cruzadas. — Vou deixar pra lá!

— Acho que é o melhor que você pode fazer.

— É. E você e a Lari? Vão namorar?

— Não! - Falei tão rápido que a minha irmã me olhou de relance. — Não por agora, é muito recente… E eu acho que ela não quer nada sério por agora. Por mim tudo bem.

— Mas você pode ficar com outras pessoas?

— Sim, afinal, sou solteira e ela também. Não posso privá-la de conhecer outras pessoas - passava o rímel em meus olhos com muita atenção — Mas se ela ficar eu mato ela. - Virei-me para minha irmã e pisquei. — Ou ela é minha, ou é de Deus.

— Você me assusta.

— Eu? Que nada, boba. Você deixaria a Marília foder bem gostoso com outra?

A minha irmã ergueu uma das suas sobrancelhas e revirou os olhos, provavelmente irritada com o meu comentário.

— Tanto faz. - disse com desdém.

— Vou fingir que acredito, bobinha.

O dia passou rápido, escolhemos um filme qualquer e durante todo o filme ficamos conversando sobre a vida. Maraisa me mostrou alguns passos que ainda tinha em mente, e eu aplaudi porque sempre adorei ver a minha irmã dançar. Ela se empolgava, mexia seu corpo com tanta facilidade que às vezes me dava uma invejinha boa.

A Maraisa puxou mais o lado do pai, os dois adoram pescar e sobreviver na natureza. Eu, particularmente, não sei ao certo. Também sei pescar, mas com muita dificuldade. A última vez que pesquei, ri a trajetória inteira e o moço perguntou se eu era assim mesmo.

Bobos, mal sabem que sou capaz de tornar uma tragédia em piada. E eu sei que isso é problemático.

Larissa me enviou mensagem e eu rapidamente visualizei, estava lendo o meu livro diário. A minha irmã saiu, provavelmente foi encontrar-se com sua namorada.

Sorri ao ler suas mensagens e rapidamente me levantei da cama, não enrolei muito e fiquei pronta em 20 minutos. Iremos sair hoje, não sei para onde, mas ela disse que seria uma surpresa agradável aos meus olhos, e apesar da ansiedade confesso que adoro todo esse clima de mistérios.

A mais nova chegou, estava linda, com uma calça social e uma blusa regata. Sempre adorei os seus cabelos enrolados na ponta e a textura deles. Selei os nossos lábios e abracei-a.

— Preparada? Aliás… - ela percorreu seu olhar — Você está uma gostosa, puta que pariu!

— Você achou? - dei uma voltinha e sorri — Aí, pensei que estivesse muito simples.

— É impossível você tornar algo simples, Maiara Carla.

Sorrimos e nos beijamos.

A casa de Larissa estava com algumas pessoas que até então eu não conhecia, não sou tímida mas no primeiro segundo em que conheço as pessoas, sou. Abracei sua mãe e retribui o beijo que ela liberou em meu rosto. A casa estava muito arrumada, o natal estava chegando e eu amo essa época.

O pai de Larissa me ofereceu uma taça de champanhe e eu aceitei, conversávamos sobre sua filha e o quão inquieta ela é.

Era engraçado a maneira como ele expressava suas reações a cada nova descoberta dá Ferreira.

— Ela virou pra mim e disse bem assim… - ele respirou fundo e voltou as lembranças — Pai, eu gosto da mesma coisa que o senhor gosta. E eu não tinha entendido, quando do nada ela vira pra mim e fala: peitos. Eu fiquei assustado, Maiara, eu juro! - Ele pontuava com os dedos e eu não conseguia respirar de tanto que ria da situação.

— Mas como assim… Com qual idade ela disse isso?

Ele me olhou e prendeu o riso, acho que não queria que eu me assustasse.

— 12 anos.

E eu me assustei.

— Cê tá de zoa comigo, né? - perguntei.

— Queria eu estar, queria eu… Mas ela sempre deu sinais. Ela colocava as Barbies dela pra deitar juntas e falava que ela tinha largado do Ken pra ficar com sua melhor amiga.

— Meu Deus, eu vim sentir algo por uma mulher com mais ou menos 17 anos… Não lembro. - Terminei de virar o drink — Depois conheci a Larissa… enfim.

— Vocês formam um casal bonito, eu disse a ela. "Ela é ruiva e é médica, faça igual o seu pai e agarre ela!" - Ele encarnou um personagem.

Maraisa Henrique point of view.

Dirigia sobre as ruas de Ithaca, com o volume médio e vibrante. Minha namorada estava um pouco sumida, provavelmente entretida com alguma coisa. Estava indo para a casa do Bruno, marcamos de conversarmos sobre alguns planos seus para o fim do ano. Quase nunca temos tempo para sair com ele, porém nos falamos constantemente pelo WhatsApp.

O trânsito estava movimentado, olhei para o pulso e chequei o horário. Parei para esperar a sinalização. O toque do celular me assustou e eu alcancei ele.

"Me encontre em Mahogany. Venha só! Estou esperando você!"

Franzi o cenho e suspirei, respondi rapidamente e dei partida. Estava com medo, mas mudei o trajeto e não demorou muito para que chegasse no local.

Olhei para os lados à procura de alguém talvez semelhante ao nível de sociopata. Estava prendendo o cabelo quando senti uma mão pesar em meu ombro.

Sem entender nada, a pessoa me puxou para os fundos do restaurante e me fez sentar. O rapaz possuía aproximadamente um 1.80 de altura e seus cabelos eram pretos. Seus olhos estavam avermelhados.

Rubble of this loveOnde histórias criam vida. Descubra agora