mamma part.1

122 7 0
                                        

A dor de cabeça começou a aumentar, parecia que eu estava debaixo de água, não conseguia ouvir o que estava á minha volta. Os meus olhos por um momento encheram-se de água e a minha cabeça parecia ir explodir a qualquer momento. Havia um emaranhado de perguntas dentro de mim, eu estava completamente confuso e a única explicação para facto de se conhecerem era que Helena tinha enganado. Senti as lágrimas a escorrem-me pelo rosto, ela conhecia a minha mãe, eram amigas. Porquê? Porque ela tinha que fazer aquilo comigo, porque me enganou desta maneira, porque é que ela jogava assim comigo? O que é que eu lhe tinha feito de tão mal para ela me tratar assim? Eu odiava-a? Não, não a conseguia odiar! Isto estava a matar-me por dentro. 

 — João Miguel! — Acordei dos meus pensamentos com o grito de Helena, que me fez olhar para ela. — Estamos a uns 15 minutos a chamar-te. Vamos entrar. — Acenei positivamente com a cabeça, sentia o meu rosto quente, o meu corpo só tremia e só queria acordar daquele pesadelo que era a minha vida, quando é que eu iria ser feliz? Por deus, o que é que eu tinha feito de tão mal para merecer esta vida?

 Caminhamos até ao interior da casa e ficamos sentados numa mesa redonda no centro da cozinha, posso dizer que o ambiente estava estranho e pesado, não sabia o que dizer ou fazer, a minha dita mãe biológica tinha ido fazer um chá para nos acalmar. Eu não sabia o que pensar, mas não tardou muito e ela voltou para a mesa com um tabuleiro com bule de chá e bolos

 — Helena tens de explicar, como é que o encontraste? — Perguntou a minha "mãe".

 — Isso é uma longa história! — Foi o que a Helena limitou-se a dizer. "Longa história", sei! 

 — Bem agora já não interessa, o que interessa é que ele agora está onde deveria ter estado sempre, aqui comigo que sou a mãe dele. — O carinho com que me olhou enquanto proferia aquela frase encheu-me de alegria e esperança com à muito não sentia.

-Giovana eu acho que tu entendeste mal! Eu não me importo de ele vir aqui de vez em quando, mas ele não vai sair da minha casa!– Quanto Helena disse isto o meu coração ficou apertado.

-Como? Helena não me podes fazer uma coisa destas, é meu filho, além disso, porque...-A minha mãe para de falar e pareceu pensar em alguma coisa.-...não, não serias capaz de uma coisa destas, diz-me que não!–Ouve um momento de silêncio.

– É um menino, Helena ,meu filho, meu sangue, como é que pudeste depois de tudo o que vivemos?– a "minha mãe" já estava em pé e o seu tom de voz começou a aumentar à medida que falava, um tremor passou pelo meu corpo, eu sabia que o desfecho desta conversa não ia ser bom

- Eu não sabia, não fazia ideia... Para mim e era filho da Jordana e Domenico Como é que eu podia saber se até alguns dias atrás eu achava que só tinhas duas filhas? Todos estes anos e nunca me contaste esta merda. Vens falar do que vivemos? Uma mentira? Uma ilusão? Ou achas que eu não sei que foi tudo apenas uma saída para os teus problemas? Eu não te devo nada, mas tu, deves-me tudo!

-Caralho Helena, ele não tem nada a ver com o nosso passado, nada. Ele tem 17 anos!–Gritou a "minha mãe".

-E eu tinha 15 anos, 15!!–Gritou Helena.- Isto, não tem nada a ver com o que aconteceu a anos atras, porque eu não fazia ideia que era teu filho, para começo de conversa quem está em errada és tu que omitiste mais de metade da história. Alias para tua informação esta melhor comigo do que com aqueles dois bastardos...

- Eu não tive escolha naquela altura, eu estava completamente sozinha , Helena reconsidera é meu filho.

- Mentiras e mais mentiras podias muito bem ter falado comigo ...

-Não sabes o que me custou perdê-lo uma vez!–A "minha mãe" pediu com lágrimas nos olhos.
-Podes parar por aí Giovana, isso não vai resultar , entende ele vai comigo.–Foi o que Helena disse por fim. Giovana negou  com a cabeça e respondeu:

-Eu vou lutar pela guarda dele, eu não vou deixar o meu filho ir assim, não, já me  tiraram uma vez e não vou deixar que o façam de novo.- Helena gargalhou maldosa e disse:

-Acho que te estás a esquecer de quem eu sou? O teu filho pode até não saber  , mas tu sabes, e sabias muito bem que quando viestes á minha procura á 16 anos atrás. Tudo o que consegui foi por conta própria, mas tu Giovana, se não fosse eu onde é que tu estavas? Vias pedir a guarda dele sem casa, sem um tostão furado eu acho que esquecestes bem rápido de quem deu o quê a quem. Aliás, mesmo  que tivesses eu nunca ia permitir que ficasses com ele- a Giovana interrompeu-a.

-Oh! claro como eu me podia esquecer a grande e poderosa Helena Bertolini , que todos temem e obedecem, não permite- ela debochou da Helena - podes ter a certeza que eu não tenho medo algum de ...-Vi o rosto da Helena vermelho pela raiva e os seus punho a fecharem eu decidi interromper a conversa antes que as coisas piorassem a um nível sem volta, e ouve mais um cadáver nesta historia,   eu sabia que aquela discussão não ia levar a lado nenhum, por mais doce que aquela mulher fosse eu percebi que não tinha como me ajudar, se calhar ninguém tinha,  não vou puxar mais ninguém para o meio da minha confusão, havia muitas peças estão  em falta no quebra cabeça e dificilmente eu ia resolver os meus problemas com tão poucas informações.

-Eu não quero sair de casa da Helena!–Eu gritei, as duas pararam de discutir e olharam para mim. A Helena olhou para mim séria, eu tremi, se calhar a melhor alternativa não tenha sido gritar, mas pelo menos param de gritar uma com outra. A "minha mãe" veio até mim e segurou o meu rosto com as duas mãos:

-Tens a...-soluçou e as lágrimas começaram a cair e a escorrer pelo seu rosto.-... a certeza o meu doce?–eu sorri, o seu olhar carinhoso sobre mim, foi uma das coisas mais... nem tenho palavras para descrever o que senti. Eu tentei dar  um sorriso carinhoso e senti as lágrimas escorrerem-me pelo rosto enquanto dizia:

-Sim, mãe, se é que lhe possa tratar assim.

Nós abraçamos e enquanto chorávamos  agarrados ela respondeu:

-Claro meu filho.

 Beijou-me as faces do rosto e abraçou-me com mais força. Realmente estava a sentir-me acolhido e acarinhado por aquela mulher de cabelos loiros.

-Bem eu tenho umas coisas para resolver, então temos de ir, não João Miguel.–Tudo o que é bom acaba, eu suspirei nos braços daquela mulher que me abraçava como se não houvesse amanhã.

-Não! Helena pelo menos deixa-o passar cá a noite, só hoje para conhecer as irmãs.

–Não!–Disse simplesmente perante as súplicas da minha mãe.

-Mas...-eu interrompi   a minha mãe.

-Está tudo bem!–Eu tentei dar um sorriso que a acalmasse:

–Fica para uma próxima.

Dei um beijo em cada uma das suas bochechas e segui Helena para fora da casa. 

(...)

Ela encostou-se ao banco do carro e fechou os olhos com força, parecia estar a pensar em alguma coisa. Uma chuva intensa começou

O perigo do teu toqueOnde histórias criam vida. Descubra agora