SABRINA.
Eu não ia dizer mais nada, ficaria mil horas em silêncio se necessário.
Me sentei ao lado da janela do avião, nossa volta não seria de trem porque eu me recusei a ficar quatro horas sentada até chegar em Londres.
Estou errada? Não.
Parte da minha decisão foi pela Cassie, estava vendo o quanto ela parecia fora de si, apesar de ter negado toda a ajuda que eu a dei. Ela não quis ir ao hospital, mas pelo menos tomou remédio para as dores — a qual eu ainda tenho dúvida se passou ou não passou, pela careta que ela mantinha no rosto.
Sei que ela odeia hospital, eu tinha a mesma opinião, mas a teimosia dela deveria ser crime. A tia Lilian era a mesma coisa, já faço parte da família Davis e podia dizer com certeza que eles eram pessoas que quando tinham uma ideia na cabeça, raramente mudavam de opinião.
Se era teimosia ou gênio forte, eu não sei responder.
Suspirei, vendo Cassandra se mexer desconfortável ao meu lado, deitando a cabeça no meu ombro enquanto mantinha os olhos na tela à nossa frente.
— Eu lembro de quando a gente foi ver o último filme no cinema, e você chorou pelo Draco.— disse, querendo rir.
Bem a cara dela lembrar do meu passado sombrio, o que eu posso dizer para me defender? Nada, pois eu era apaixonada em loiros e o caráter duvidoso era um bônus do personagem.
— Se essa é a sua forma de pedir desculpas por ter sido grossa comigo, eu não aceito.— respondi, lembrando de mais cedo.
— Me desculpa.— pediu de vez.— É sério, eu estou cansada e acabei explodindo, não foi por querer.
— Tá bom, doentinha.— revirei os olhos, também estava cansada, porque desfilei pela manhã.— Posso ver o filme agora?
— Na verdade queria saber se eu posso ir pra sua casa.
Outro traço da Cassandra que muitos já devem conhecer, a bichinha ama falar e quando começa, não para nem tão cedo.
— Quer dormir lá em casa hoje?— arqueei as sobrancelhas, em questionamento.
— Não.— riu.— O Gabriel vai passar lá pra me buscar, só uma horinha, no máximo.
— Ok. Está se sentindo melhor?— a cutuquei, quando ela se remexeu mais uma vez.
— Estou.
— Você mexe a orelha quando mente, eu senti.— Mexi os ombros e ela riu baixo, tampando a boca.
— É mentira, né?
— Sim.— gargalhei, tentando focar na tela que estava na minha frente, mas sem sucesso.— Mas eu sei que você tá.
— Vê o filme, já tá perdendo metade!
Revirei os olhos novamente, mas fiz e me aconcheguei na poltrona quentinha, com a Cassandra agarrada a mim.
Chora Martinelli.
Encontramos com o Tyler do lado de fora do avião, já que ele estava algumas fileiras à frente, e fomos os três para a minha casa. O caminho foi tranquilo, apesar do Tyler praticamente obrigar o motorista a manter uma conversa com ele porque ele estava em puro tédio.
Cassandra estava quietinha do meu lado e quando chegamos a primeira coisa que ela fez foi se jogar no meu sofá e se fingir de morta para não ajudar a carregar as malas.
— Eu odeio essa mulher.— Tyler disse de forma irônica.— Eu não sou pago pra ser mordomo não!
Eu ri, pagando o motorista e ele me ajudou a colocar as malas na calçada da minha casa, se é que poderia chamar assim, as puxei pra cima e entrei logo atrás de Tyler, que ainda tinha duas bolsas para carregar. Joguei uma nas costas e ele sorriu aliviado.
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Em Off | Gabriel Martinelli
Fanfiction"Escondido é mais gostoso." era o que sempre falavam, mas Cassie sabia que na verdade as coisas eram bem diferentes quando se tratava de famosos e a perseguição da mídia sobre eles. - Gabriel Martinelli fanfic. +18
