MARTINELLI.
Sempre fui alguém com dificuldade de demonstrar meus sentimentos, não conseguia por eles em palavras e muito menos expressar eles.
O silêncio sempre foi um amigo próximo, uma forma que eu me sentia confortável quando as coisas ficavam maiores que eu, mas agora sinto que há uma guerra na minha cabeça em que eu não consigo escapar.
A minha forma de reagir sempre foi essa, preferia lidar sozinho e quieto, não deixando transparecer meus verdadeiros sentimentos em meu rosto e nem nas minhas palavras. Acho que por ter feito muito isso, minha dificuldade de dizer o que está me machucando é extrema.
Prefiro ser forte e aguentar mil coisas ao mesmo tempo, em silêncio, do que abrir a boca e acabar falando mais do que o necessário.
Olhar a Cassandra conversando com o médico me deixava triste, toda a situação havia acabado comigo e meu coração parecia pesar dentro de mim.
Mas eu estava ali, segurando a sua mão e escutando tudo o que o médico dizia, os remédios, vitaminas e os cuidados que ela deveria ter consigo mesma para que nada se repetisse.
Na minha garganta tinha um nó, queria gritar e colocar tudo pra fora porque era demais pra mim, mas apenas fiquei ali com ela.
— Obrigado.— me levantei, apertando a mão do Doutor que sorriu levemente e nos levou até a porta.
— É hora de ir pra casa, se cuidem, não quero vê-los com mais uma notícia ruim.— acenou e Cassandra segurou a minha mão, caminhando ao meu lado.
— Você pode guardar na minha bolsa?— me entregou os papéis e eu concordei, tirando a bolsa do ombro e os jogando ali.
— Vamos passar na farmácia antes de ir pra casa e comprar tudo que você precisa.— disse, fazendo um carinho em sua mão.
— Eu posso pedir pra entregarem em casa, não é melhor?— Ela me olhou e eu me perdi por alguns segundos.
— Não, indo a gente consegue ver qual a melhor opção, não tenho paciência pra esperar eles entregarem.— reclamei.
— Tudo bem.— suspirou, apertando no painel de controle do elevador para que ele nos levasse até o estacionamento do prédio.
— Eu contei para os meus pais.
Confessei baixo, não queria que ela tivesse mais uma crise de choro, mas ela apenas me olhou, concordando levemente com a cabeça.
— Eles deveriam saber.— disse simples.— Não tem problema contar, envolve você também, amor.
— Eles decidiram vir, vão chegar hoje mesmo.— Ela me olhou surpresa e eu sorri fraco.— Você vai ficar lá em casa como combinado?
— Acho que é uma boa ideia, por enquanto.— saiu do elevador, caminhando devagar.— Se não for incômodo e eu poder receber meus pais lá.
— Claro que não vai ser, a minha casa é sua se você quiser também.— pisquei e fiquei aliviado ao escutar a pequena risada que a Cassandra deu.
— Então eu vou.
Entramos no carro e eu dirigi sem pressa, era para eu estar no treino nesse exato momento mas tive que falar diretamente com o técnico sobre o que estava acontecendo e ele deixou que eu perdesse o dia de hoje para estar em casa com a minha família.
Estava ainda mais aliviado por não ter nada sobre isso na mídia, já estava ruim, se vazasse iria piorar e eu não saberia mesmo o que fazer.
Cassandra foi em silêncio, com a cabeça na janela enquanto abraçava o próprio corpo pelo frio que fazia dentro e fora do carro, e eu me contentei em observar ela e as ruas em que passávamos.
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Em Off | Gabriel Martinelli
Fanfiction"Escondido é mais gostoso." era o que sempre falavam, mas Cassie sabia que na verdade as coisas eram bem diferentes quando se tratava de famosos e a perseguição da mídia sobre eles. - Gabriel Martinelli fanfic. +18
