capítulo 17.

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MARTINELLI.

Cassandra me avisou mais cedo que ia sair com alguns colegas de trabalho e talvez não desse pra gente se falar mais tarde, apenas concordei, um dia não nos mataria. Eu acho.

Eu estava em Turim e ela em Londres, e amanhã já estaria no caminho do Qatar. Essa semana foi intensa, mas nada que eu não tenha vivido antes.

Apertei o travesseiro em meus braços e exalei, sentindo meu próprio cheiro ali. Quando fechei os olhos, meu celular começou a tocar e eu coloquei no viva-voz, na cama.

Uma barulheira do caralho, e um resmungo no fundo chamaram a minha atenção.

— Alô?— era o número da Cassandra, mas quem me respondeu foi a melhor amiga dela.

— Oi Martinelli, desculpa a hora.— Sabrina gritou nos meus ouvidos.— Mas tem como você falar com a Cassandra por uns minutinhos?

— Aconteceu alguma coisa?— perguntei preocupado.

— Nada demais, ela ficou bêbada e começou a chorar falando que você foi embora.— pude escutar sua gargalhada, acabei soltando uma risada descontrolada.

— Passa o celular aí.

— Quem é?— A voz embolada era de Cassandra, tinha certeza. Eu ri ainda mais.

— Por que você está chorando, cara?

— Cara não, não quero falar com você, estranho.— bufou, e escutei Sabrina falar alguma coisa com ela no fundo.

— Sou eu, Cassandra, o Gabriel.— disse, e ela se calou por um instante, até que eu escutei ela começar a soluçar.— Ei, o que foi?

— Você me deixou.— chorou.— Me deixou e eu estou triste, eu gosto tanto de você.— fungou, desesperada por ar.

— Eu não te deixei.— afirmei.— A gente vai se ver em alguns dias, não chora não, vida.

Tentei consolar ela, mas não sabia se ficava preocupado ou ria da cara dela. Cassandra me ligando bêbada estava na lista de coisas que nunca imaginei ela fazendo.

Quando cheguei em Turim, falei que ela poderia vir se quisesse e que eu iria pagar o voo dela, mas ela estava com a agenda cheia e não conseguimos nos ver antes de eu ir pro Qatar. Se ver na Itália era a opção mais próxima, mas não conseguimos e agora vai demorar mais um pouco pra gente se ver de novo.

— Mas são muitos dias, nem consigo contar nos dedos.— Cassandra choramingou.— E eu tenho muitos dedos, sabia?— perguntou chocada.

— Claro.— Eu ri.— Você já se acalmou? Já posso desligar?

— Não!— gritou.— Não, você não pode ir agora.

— E por que você não vai pra casa tomar um banho e dormir?— tentei convencer ela.— Já está tarde, tenho certeza que vai ser a melhor opção.

— Porque eu não quero.— começou a rir.— Eu vou te contar uma coisa agora, você quer escutar?

Se eu falasse que não queria ela iria falar do mesmo jeito. Apenas concordei, me sentando na cama e esperando ela continuar a falar.

— Eu chutei o pau de um cara hoje.

— Cassandra, que tipo de balada é essa que você 'tá?— passei a mão no rosto, com medo da resposta.

— Ele queria me agarrar, eu fiz o certo!— exclamou, parando de chorar e começando a rir.— Eu falei que era comprometida e ele não acreditou porque não tinha anel. 

Em Off | Gabriel Martinelli Histórias para pegar e não largar. Descubra agora