Isabella – 19 anos
- Isabella! – Amo chamou, quando desci de carro, correndo para não ter de olhá-lo no rosto.
Quem ele pensava que era pra dizer que minha noite tinha chegado ao fim? Quem ele pensava ser para julgar quem podia, ou não, colocar as mãos em mim? Principalmente, quem ele achava ser para resolver punir meu segurança e afastá-lo de mim. Essa não era uma decisão que cabia a ninguém, além de mim e meus pais.
Hipócrita.
Isso é o que ele era.
E estávamos em toda essa situação por sua hipocrisia, mas parece que quando era ele quem desviava do dito caminho certo, tudo estava bem, mesmo que cabeças precisassem literalmente serem degoladas para isso.
- Isabella! – Ele chamou de novo, ouvi a porta do carro bater num estrondo.
Apenas continuei meu caminho para a entrada da mansão. Não fiquei para ouvir quais seriam suas desculpas ou argumentos, não me importava. Ele poderia se explodir sozinho. Eu não iria discutir com Amo na frente de todas essas pessoas. Simplesmente não. As pessoas podiam esperar isso de mim tendo em vista quem eram meus pais, mas essa não era eu. Eu não era uma cópia carbono dos meus pais. Eu era minha própria pessoa.
Entrei em nossa mansão nos Hamptons e subi direto na direção do meu quarto. Ouvi os click-click-click dos saltos de Hana, mas nem ela me faria parar agora. Eu estava furiosa.
Estava furiosa com Amo.
Estava furiosa com Nevio.
E, principalmente, estava furiosa comigo. Burra o suficiente para me deixar nessa situação. Essa simplesmente não era eu, então o que estava acontecendo?
Fechei a porta do meu quarto com brusquidão, trancando-a logo em seguida. O celular em minha mão vibrou e eu estava prestes a tacá-lo do outro lado do quarto quando vi que era uma mensagem de Gianluca.
"Já conversei com seu pai e está tudo bem."
"Contanto que eu não deixe minhas mãos viajarem por aí novamente, claro 😂"
"Mas, realmente, tudo bem. Não se preocupe comigo."
Suspirei um pouco mais aliviada. Era minha culpa que Gianluca quase tivesse sido punido. Minha culpa e da minha total estupidez em querer atingir uma pessoa que não deveria sequer estar em minha mente.
Mas também era culpa dessas regras idiotas da Máfia, que tratavam mulheres como santas que deveriam se manter imaculadas até que um homem, totalmente não-imaculado, pudesse tomá-las para si para fazer o que bem entendessem. Uma mulher não poderia escolher o que era melhor para si mesma, mas um homem definitivamente poderia escolher o que era melhor para si e para as mulheres.
Uma batida soou em minha porta e eu fingi não ter ouvido, mas é claro que a pessoa do outro lado não ficaria contente, já que as batidas se tornaram mais fortes e, logo, a voz de Amo se fez ouvir:
- Abra a porta, Isabella. Ou eu vou derrubá-la, juro por Deus.
Ensaiei como seria socar sua linda cara, antes que eu finalmente abrisse a porta. Amo passou por ela como um furacão, fechando-a em seguida.
- O que você quer? – Perguntei, cruzando os braços.
- Você tem sorte de eu não deixar isso chegar a Matteo. – Ameaçou e, por um momento, pude me permitir sorrir. Primeiro, porque papai já sabia do ocorrido. Segundo, porque, sabendo o que aconteceu, o único a ser colocado em seu lugar seria Amo, e papai quem faria esse papel.
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By Darkness I Burn
RomansaParecia loucura se envolver com o homem que havia planejado seu sequestro, mas aquele era o menor dos problemas de Isabella. Nevio, além de tudo, também vivia pela Camorra, Máfia rival a qual ela fazia parte. Há muitos anos, Camorra e Famiglia não e...
