Nevio – 21 anos
Isabella realmente estava falando sério quando disse que não aconteceríamos nunca mais. Ela ignorou minhas mensagens, minhas ligações, os recados que mandei através de seus colegas de classe. Simplesmente cortou todo e qualquer contato comigo, tendo, inclusive, passado no apartamento enquanto eu não estava para pegar as coisas que costumava deixar por aqui.
Pensei em ir até uma das corridas que ela participava, mas Amo sempre estava por lá. E, com ele, Greta, que já tinha enchido meus ouvidos e me dado toda lição de moral do mundo, como se ela não tivesse feito igual – ou pior –, mas, claro, tudo justificado em nome do amor.
O amor levava você a fazer besteiras, mas também te justificava perante todos. Era fácil usá-lo.
Como se eu não estivesse ocupado o suficiente, finalmente tínhamos achado um dos culpados pelos casos de overdose em nosso território.
Massimo jogou um balde de água com gelo no homem que nos jurou lealdade, mas escolheu traição por uma merreca de dinheiro.
- Vamos, Leonardo, cuspa mais. – Dei dois tapinhas no seu rosto. – Qual o plano?
- Já disse! – Tentou gritar, mas seu pescoço estava apertado em uma coleira de guerra muito bem apertada e segura por Alessio.
- Não, não. Eles quererem acabar com a nossa fama de boas drogas não é o suficiente. – Puxei sua cabeça para trás pelos cabelos e, com a faca mais enferrujada que tínhamos, fiz mais um corte no supercílio.
- Junte dois mais dois, Nevio. Sua família não é tão inteligente? Por que você acha que a Tríade quer que as pessoas tenham medo de comprar sua merda? – Murmurou presunçoso.
- Esse é um pedaço de informação nova. – Dei-lhe um sorriso mordaz. – O que você está me dizendo, então, querido Leo... É que a Tríade quer que nosso povo tenha medo de nós.
Minha visão se desviou do rato para focar em meus primos que conversavam pelo olhar.
- O que? – Perguntei.
Massimo fez um movimento com a cabeça, começando a ir para o canto da sala, e Alessio continuou a segurar a coleira.
Caminhei até meu primo e arqueei uma das sobrancelhas, parando as mãos na cintura.
- Então?
- Eles têm um plano muito bem elaborado. – Massimo murmurou. – Deveríamos levar isso a Famiglia.
- Foda-se, não. Isso é assunto da Camorra.
- Você não está entendendo a gravidade da situação, Nevio. – Massimo tocou meu ombro. – Eles já estão em nosso território. Eles já têm as pessoas com medo de comprar nossas drogas e morrerem. Basta mais um movimento bem orquestrado e eles estarão saindo das sombras e fazendo Las Vegas e o redor confiar neles.
- E o redor inclui a Famiglia. – Constatei.
- E o redor inclui a Famiglia! – Confirmou.
- Temos a opção de esperá-los se multiplicar por lá e a culpa cair sobre nós ou... – O interrompi.
- Falar com a Famiglia e ver se isso já não está acontecendo. – Bufei, passando a mão pelo rosto. – Esses ratos, com certeza, se infiltraram em nossas rotas de droga. E as da Famiglia. A essa altura já podem ter trocado tudo.
- E Luca não vai querer saber de uma boa conversa se as pessoas começarem a morrer em seus clubes e ruas.
Porra!
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By Darkness I Burn
RomanceParecia loucura se envolver com o homem que havia planejado seu sequestro, mas aquele era o menor dos problemas de Isabella. Nevio, além de tudo, também vivia pela Camorra, Máfia rival a qual ela fazia parte. Há muitos anos, Camorra e Famiglia não e...
