A madrugada chega rápido e a chuva que bate em meu vidro me acorda. Moriar entra pela minha porta, porém já estou em pé a sua espera usando uma roupa apropriada para um treino.
Calça de algodão — é até esquisito estar usando calça depois de tanto tempo usando saias e vestidos nesse lugar — e blusa confortáveis.
Ele indica para que eu o siga e andamos pelo mesmo caminho que eu vinha fazendo bem antes que ele fosse meu treinador. Não há nenhum sinal de soldados. Talvez estejam ainda monitorando a Sala do Tesouro do qual haviam me falado antes.
E nesse meio tempo não deixo de pensar em Ofélia. Eu tive tão poucas aulas com ela e gostaria muito que ela fosse minha treinadora novamente.
Encaro a nuca do elfo de olhos cansados enquanto ele me leva até a Sala de Armas.
— Você aprendeu o bastante? — Moriar murmura quando estou prestes a entrar na segunda sala que dá para o palco de treinamento.
— Já sei segurar uma espada e dar alguns golpes — digo, firme.
Ele assente e subimos sobre a plataforma de cor escura.
Eu não tinha reparado antes em como era produzida a luz desse lugar. Um lustre cheio de velas está suspenso acima de nós. Parecia um pouco perigoso. A sala do Conselho era o único lugar que as luzes pareciam ser produzidas com magia.
Não é à toa que eles são os únicos que detém o poder das poções ativadoras.
Moriar segura duas espadas longas que pegou na mesa de armas assim que entramos. Elas têm uma aparência pesada (ao menos mais do que as que eu treinei com Ofélia). Uma delas é preta e muito longa com o cabo de madeira vermelho transparente e a outra igual só que branca e dourada.
São muito bonitas.
— Meu treino é diferente do de Ofélia — Moriar explica — Cada um de nós tem uma forma diferente de ensinar. Não sou professor, mas já mostrei alguns golpes para uns elfos no passado.
Ele pausa verificando se estou prestando atenção, pois não paro de encarar as espadas em cada uma de suas mãos.
— Imagino que Ofélia focou em te deixar forte? — ele pergunta.
— Sim... De certo modo.
— Eu quero que você seja forte também — ele continua — Que não morra caso se encontre sozinha. E o mais importante, eu quero que você seja capaz de matar.
Suas palavras são jogadas em minha direção como espinhos. Moriar passa as costas da mão sobre o cabelo tirando a franja da testa e quase sinto vontade de rir se ele não estivesse falando extremamente sério.
Engulo quaisquer emoções, mas ele parece tão dramático.
— Entendeu? — ele enfatiza e eu balanço a cabeça piscando rápido.
— Forte. Independente. Capaz de matar.
Ele assente satisfeito.
Moriar, então, gira a espada pesada preta com apenas um braço e sua ponta risca o chão. O metal ressoa em meus ouvidos como as facas sendo afiadas na cozinha antes de cortarem o peixe que pescamos.
— Orlean me disse que você quer participar dos Jogos Nacionais. Você não sabe onde está se metendo.
— Sei sim.
— Não, não sabe — ele rebate.
Expulso ar pela boca. Como não?
— Não participar dos jogos me causa mais pânico do que participar. Acho que isso diz muito sobre mim... — Respondo.
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O Portal para Versen
FantasyAlissa Ribeiro trabalha como funcionária numa das maiores redes de fast food de sua região. Entediada com a vida rotineira e sendo sempre alvo de provocações de um de seus colegas de trabalho, Alissa se incomoda com a falta de perspectiva de uma vi...
