Pequenos dragões

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— Você tem contatos na penitenciária onde Alicent está, não tem?

Talvez não fosse a ideia mais madura, mas quando a raiva me consome, só consigo resolver machucando fisicamente.

— Certo! Não quero que ela morra, apenas que sofra todos os dias, pago o que precisar.

Mysaria sempre teve uma cartela de serviços expandida e nunca precisou saber de detalhes sobre meus verdadeiros motivos por pedir algo tão violento.

Alicent precisava sofrer. Não consigo viver em paz sabendo que ela está em paz, mesmo atrás das grades.

Coloco meu celular no bolso e permaneço sentado na grama, olhando a árvore balançar conforme o vento fresco de um fim de tarde.

— Você saberia o que fazer. Sempre soube como agir.

Todo mês eu tinha a rotina de visitar o túmulo de minha mãe. Falava como se ela pudesse me ouvir e mesmo desabafando para o vento, me sentia tão aliviado como se ela estivesse me ouvindo.

As mensagens não paravam de chegar após a divulgação sobre minha paternidade. Pessoas curiosas tentando entender, jornalistas querendo entrevistas, amigos perguntando onde estava e Viserys enviando a pior das mensagens "eu avisei".

Eu não precisava de sermão sobre como deveria ter conduzido a minha vida. Fui sozinho e não me arrependo de ter cuidado dela, mesmo sabendo, no fundo, que ela não era minha filha.

Entretanto, sua dúvida me tocou mais do que eu imaginava. Tentar descobrir com certeza se era seu pai biológico assemelhava-se a uma queda infinita onde você pede apenas que acabe logo e chegue ao chão.

— Os anos passam, mas as suas manias continuam as mesmas.

Claro, somente Rhaenys saberia onde exatamente estaria após um momento de raiva ou tristeza.

Ela senta ao meu lado, esticando as pernas sobre a grama, admirando a paisagem. O cemitério foi escolhido por meu pai, ele sabia que minha mãe puxaria o pé dele se estivesse descansando em um lugar deprimente.

— Quais sermões você separou? — perguntei sabendo os discursos dela quando agia estupidamente.

— Nenhum.

Girei o rosto observando o semblante calmo de Rhaenys, sentindo plenamente o bater do vento e o sol aquecendo o corpo.

— Isso não faz sentido.

Ela uniu as pernas e abraçou os joelhos apoiando o queixo e olhando afetuosamente. Esse gesto me lembrou exatamente quando éramos mais jovens, conversando sobre nossos desafios e quando ela confessou que estava apaixonada por Corlys.

Rhaenys não tinha irmãos, fomos criados juntos passando pelas fases desafiadoras da vida. Eu, bom... Era um garoto problema e tinha muita sorte de tê-la sempre ao meu lado.

— Primo, — disse com a voz mais calma do mundo — não estou aqui para julgamentos ou ouvir sobre a história com detalhes ou apontar o dedo querendo afirmar como estava certa. Estou aqui apenas para te trazer paz e pensar com carinho nas decisões tomadas por Nettles.

Ela pega uma folha do chão e gira entre os dedos observando os movimentos.

— O que ela fez não foi errado. O errado foi em não te contar, ouvir de você toda a história, mas no fundo ela sentia medo de machucar você.

— Ela seguiu para a pior decisão.

— Sim, mas o que ela sabe sobre lidar com sentimentos? — ela volta seu olhar para mim — Nasceu sendo jogada para o primeiro braço que a acolhesse e por sorte, foi você. Passou a infância lidando com tudo, mas tendo a certeza que nunca foi recusada pelo pai. Você parou para pensar em como é horrível ter a certeza que nenhum dos seus pais a quis?

Estranhos PrazeresHistórias para pegar e não largar. Descubra agora