• pov. Gizelly •
O meses seguintes se passaram rapidamente. Rafaella e eu, nos casamos em dois meses, e a cada dia que se passava, nós duas tentávamos aprender em meio a dor, compreender os planos de Deus pra nossa vida.
Recentemente, fizemos uma tatuagem de dois anjinhos, no braço. Foi uma forma de sempre ter nossos filhos junto de nós, na alma, no coração e na pele.
Mesmo aceitando nossa perda, às vezes, momentos de lembrança e tristeza surgiam. E isso se intensificou depois que Mateus, o filho de Manu e Jullio tinha nascido. Não era inveja, longe disso, apenas batia aquela sensação de que podíamos estar vivendo a mesma fase, mas, esse sonho foi interrompido, duas vezes.
Dividir a mesma casa com Rafaella, estava sendo uma experiência única. Com ela, foi diferente desde o início, ela me deu atenção, carinho e me proporcionou momentos felizes e continua me proporcionando todos dias. Rafaella me traz uma sensação de paz que não encontro em outro lugar.
Nosso amor é recíproco, que faz bem, que não machuca, um amor que cuida.
{...}
Cheguei em casa por volta das onze e quinze da noite, o cansaço dominando meu corpo. Deixei minha pasta sobre a mesa e segui até o quarto, Rafaella não estava na nossa cama como todas noites que eu chegava em casa, porém, vi a luz acesa no banheiro e bati na porta.
- Amor cheguei. falei, não obtive respostas. - Rafaella, Rafaella...
Bati na porta outra vez e ouvi o barulho da chave destrancando a porta.
- Oi amor. seu sorriso fraco e os olhos completamente vermelhos e marejados fez meu coração se apertar. Ela tinha o último ultrassom feito do nosso bebê na mão.
- Me bateu saudade do nosso bebê. ela disse e desabou em lágrimas descontroladas.
A envolvi em meus braços e acariciei suas costas. Em silêncio, permanecemos ali, por um tempo.
Me cortava o coração vê-la nesses momentos de recaída, de crise. A ansiedade de Rafaella havia se intensificado depois da nossa segunda perda, ela chegou a fazer acompanhamento com uma psicóloga, mas, ao decorrer dos meses, ela não quis ir mais, respeitei sua decisão e não insisti.
- Às vezes me bate uma sensação de impotência, sabe?
Segurei em seu rosto, a fazendo olhar dentro dos meus olhos.
- Você não é impotente, você é a mulher mais forte que eu conheço, eu admiro toda essa força que você carrega contigo, eu tenho muito orgulho de você, nunca se esqueça disso. afirmei e ela me deu um sorriso fraco, ainda sim, lindo.
- Você é a minha força, seu amor me torna mais forte, você é minha paz em meio a tempestade que eu carrego aqui dentro e eu realmente, não sei o que Deus planejou pra gente, mas sei que ele me deu você, meu amor em forma de gente, eu não sei descrever o quanto você significa na minha vida, só sei, que eu te amo de todas as formas possíveis e obrigada por estar comigo sempre.
- Sempre estarei meu amor, sempre. depositei um selinho terno e demorado em seus lábios, contato esse que ela fez questão de aprofundar, nosso beijo era lento e apaixonado.
- Você quer tentar de novo? perguntei ao cessarmos o beijo.
- Não, não sei... murmurou. - Você quer?
- O que eu mais quero é formar uma família com você, e por mais que existe o medo, a insegurança, a frustração e tudo mais, eu não desistir de realizar o meu sonho com você.
- E se esse sonho for interrompido outra vez?
- Não vai, Deus vai fazer muito mais do aquilo que temos pedido a ele, mas no tempo dele.
- Eu queria ter aprendido a lidar com esse medo, essa angústia, mas eu não consigo.
- E está tudo bem, ninguém tem que ser forte todos os dias, mas uma vez eu li uma frase, e ela faz muito sentindo pra mim e você agora, é preciso permitir que as coisas lindas aconteçam.
- Então vamos permitir que elas aconteçam.
- E elas vão acontecer, hum? falei e ela assentiu sorrindo.
•••
Minhas bichinhas. 🥺🤏
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Professora Substituta
FanfictionDe um lado, Gizelly Bicalho Abreu, tem 23 anos, uma renovada professora de biologia. Uma mulher fria e fechada para qualquer tipo de relação amorosa. Motivo? Descobriu da pior forma possível que sua ex esposa Ivy gerava um bebê que ela acreditava se...
