Capítulo 49

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Jenna Ortega Point View

O motor ronronava suavemente enquanto eu dirigia pelas movimentadas ruas de Nova York, tentando romper o silêncio pesado no interior do carro. Gwendoline permanecia ao meu lado, olhando para fora com uma expressão distante. Decidi quebrar a tensão, estendendo minha mão na direção dela, buscando o calor reconfortante de um toque.

— Vai ficar tudo bem, Gwendoline — eu disse suavemente, enquanto nossas mãos se entrelaçavam. — Estamos juntas nisso, não importa o que aconteça.

Gwendoline olhou para mim, seus lindos olhos azuis revelavam uma mistura de gratidão e tristeza.

— Eu não sei como agradecer por estar aqui, Jenna. Tudo parece tão confuso agora.

Sorri para ela, tentando transmitir confiança.

—Não precisa agradecer de verdade... eu só quero que você fique bem. — Acariciei sua mão, enquanto a outra estava no volante. — Agora, vamos para o meu apartamento, prepararei algo para almoçarmos.

Emma estacionou o carro ao lado do meu, e juntas descemos, caminhando em silêncio em direção ao elevador. Sabíamos que Gwendoline precisava de tempo para processar tudo. Seu semblante confuso era evidente, mas eu estava determinada a ajudá-la.

De certa forma nós temos algo ou talvez sei lá, mas... eu não podia abandoná-la naquele momento tão difícil.

Ao entrarmos no apartamento, Emma entregou a chave do carro de Gwendoline para ela.

— Fique à vontade, professora Gwendoline. Se precisar de algo, estamos aqui para ajudar. — disse Emma com gentileza.

Sua voz era suave e acolhedora, mas eu percebi um leve tremor em suas mãos. Emma é muito emotiva e sempre fica nervosa com qualquer coisa.

Gwendoline se dirigiu ao imenso sofá da sala e jogou a cabeça para trás, como se buscasse alívio para o peso emocional que carregava.

— Meninas, me desculpem. Não quero ser um fardo para vocês e... — Ela parou de falar, e eu vi uma lágrima escorrer pelo seu rosto.

Ela soluçou e cobriu os olhos com as mãos. Eu corri até ela e a abracei, sentindo seu corpo estremecer. Emma se juntou a nós, e ficamos ali, as três, unidas até o choro de Gwendoline sessar.

Me afastei um pouco, olhando nos olhos da mais velha, limpando suas lágrimas e depositando um beijo no topo de sua cabeça, enquanto suas mãos estavam envoltas em minha cintura.

— O que você gostaria de comer, macarronada ou batata frita? — perguntei serenamente.

Enquanto aguardava sua resposta, Emma se dirigiu à cozinha, indagando:

— Você quer uma água? Suco? Vinho?

Mesmo sendo apenas meio-dia quase uma hora da tarde, Gwendoline aceitou uma taça de vinho. Senti uma pontada de apreensão, sabendo que álcool e fragilidade emocional não eram a melhor combinação, mas eu não queria contrariar ela.

Gwendoline escolheu a macarronada, declarando que não era muito fã de frituras. Um sorriso brincalhão iluminou meu rosto enquanto eu me dirigia a cozinha, tirando meu casaco pois no apartamento havia aquecedor.

— É por isso que você é tão linda assim? — Eu brinquei, buscando trazer leveza ao momento.

Mesmo com os olhos ainda lacrimejando, Gwendoline sorriu, uma expressão de gratidão e vulnerabilidade. Naquele instante, o clima delicado entre nós era permeado por uma ternura silenciosa, como se as palavras trocadas fossem um bálsamo para sua alma ferida.

— Incrível como você tem o dom de me fazer sentir bem, mesmo eu sendo apenas eu mesma.

Sua resposta, carregada de emoção, reverberou no espaço entre nós. Era mais do que um simples agradecimento; era um reconhecimento da conexão especial que compartilhávamos.

A atmosfera leve foi quebrada quando Emma, com seu jeito irreverente, interveio.

— Vai começar a melação, meu Deus! — Seus olhos lançaram um olhar exageradamente dramático para nós duas, provocando risos.

Emma seguiu em direção ao sofá, carregando uma taça de vinho tinto. Com um sorriso, ela entregou a taça para Gwendoline, que agradeceu sorrindo e respondeu:

— Não fica assim só porque Catherine não está aqui. — provocou.

Minha risada se misturou com a surpresa de Gwendoline. Era nítido que Emma tinha uma queda a mais por Catherine, embora ela nunca admitisse. Emma, com um olhar furioso e fingindo indignação, se virou para mim:

— Jenna Ortega, o que você falou pra ela?

Rindo, abri a geladeira para pegar os ingredientes do molho e respondi com uma expressão inocente.

— Nada, é que todo mundo vê como você fica babona perto dela

Emma bufou e revirou os olhos, mas não pôde conter um sorriso. A atmosfera descontraída e as brincadeiras, mesmo com uma pitada de ciúmes disfarçados, trouxeram um alívio bem-vindo ao ambiente. Era como se aquele momento de leveza fosse uma pausa necessária para Gwendoline se sentir bem, mesmo que por um breve instante, e começar a amenizar as marcas do que aconteceu. Eu só queria proteger Gwendoline das turbulências emocionais.

Enquanto o aroma tentador da macarronada ao molho branco enchia a cozinha, aproveitei o momento para assegurar a Gwendoline que eu estaria sempre ali para ela, pronta para conversar quando desejasse. Emma, com sua habitual irreverência, brincou que se sentia como uma vela, mas mesmo assim, permaneceu ao nosso lado, contribuindo para que Gwendoline encontrasse razões para sorrir.

O som suave dos preparativos culinários misturava-se à leve melodia de nossas palavras, formando um cenário de conforto e cumplicidade. Embora as circunstâncias fossem desafiadoras, a cozinha se tornou um refúgio onde as preocupações podiam ser temporariamente esquecidas.

(...)

Sentamos para almoçar, e o aroma delicioso da macarronada ao molho branco preenchia a cozinha. Cada garfada era uma explosão de sabores, e o calor da amizade pairava no ar. Gwendoline, em sua segunda taça de vinho, elogiou com um sorriso sincero:

— Você cozinha maravilhosamente bem, Jenna. Obrigada mesmo, está divino! — ela elogiou meu macarrão.

— Ela arrasa mesmo, que delícia — Emma falou de boca cheia.

Os risos fluíam naturalmente, misturando-se aos sons dos talheres contra os pratos. Era como se aquele momento à mesa fosse um refúgio, um oásis de descontração no meio das tormentas emocionais recentes. A luz suave que atravessava a janela destacava os sorrisos compartilhados e as trocas amigáveis.

— Assim eu vou ficar me achando em?! — respondi limpando a boca e olhando para Gwendoline.

Estávamos almoçando quando meu celular, na bancada da cozinha, começou a tocar.

— Quem será que está interrompendo meu almoço? Tem que ser algo muito grave... —murmurei para mim mesma.

Ao me levantar e ver o nome no visor, meu coração deu uma pausa. "Mia Ortega", o nome da minha irmã, que eu não via desde o dia do evento na faculdade. Meu semblante mudou instantaneamente. Aquela ligação, com certeza, não era um bom presságio.

Gwendoline e Emma olharam atentamente para mim, tentando descobrir quem estava ligando. Limpei as mãos nas calças, respirei fundo e atendi a chamada.

Do outro lado da linha, Mia disse:

— Jenna, preciso que você venha até a filial da Ortega Pictures hoje, às cinco da tarde. Vamos nos reunir e vou apresentá-la a todos os nossos patrocinadores como diretora.

Fiquei paralisada. Não conseguia me mover, nem respirar. Senti como se meu mundo estivesse desabando. Minha cabeça parou de funcionar por alguns segundos. Meu maior pesadelo estava acontecendo. Estava sendo arrastada de volta para um mundo do qual havia lutado tanto para me afastar. E agora, teria que enfrentar tudo de novo.






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Hummm é só bomba encima de bomba rs
Nos vemos em breve babies! ❤️

My teacherOnde histórias criam vida. Descubra agora