Capítulo 15

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Jenna Ortega Point View

Enquanto Gwendoline não conseguia articular uma palavra, eu me mantinha firme, olhando diretamente para ela, tentando decifrar suas emoções. O silêncio se prolongava, e eu me perguntava quanto tempo já havíamos passado encarando uma à outra. Talvez ela estivesse tentando processar o que acabei de dizer.

Finalmente, um sorriso se formou nos lábios de Gwendoline, que colocou sua taça na mesa de centro e cruzou os braços, arqueando uma sobrancelha. Essa atitude deixou-me inquieta e apreensiva, aguardando ansiosamente sua resposta. A situação havia se invertido, e a intensidade do olhar dela me fazia sentir como se eu estivesse sob o microscópio.

Com um sorriso nos lábios, ela perguntou:

— Eu sou sua professora, espero que não esteja confundindo as coisas, senhorita Ortega, mas fiquei curiosa em saber, por que cogitou a minha pessoa?

Ao ouvir sua pergunta, uma risada escapou de mim, e eu balancei a cabeça, ainda sorrindo.

— Você precisava ver sua cara — disse entre risos, jogando a cabeça para trás. — Não sei definir que cor você ficou, mas garanto que se assemelhava a um tomate.

Gwendoline pareceu ficar ainda mais séria com minha reação e respondeu:

— Ortega, te chamei aqui para assuntos sérios e você fazendo piada com a minha pessoa?

Minha alegria momentânea foi substituída por uma expressão mais séria.

— Qual o problema de fazer uma brincadeira, Gwendoline? — perguntei com um tom mais sério também — Você é sempre assim, dura e arrogante o tempo todo? Jura que não tem nada de engraçado aí dentro?

O clima tenso persistia entre nós. Começo a me arrepender de ter tido aquilo, me sinto tão idiota, mas pelo lado bom, ela não me deu um fora nem nada do tipo.

Ao ver Gwendoline desmanchando a expressão séria e tomando mais um gole de espumante, percebi que ela estava ciente de minha observação atenta de suas ações. O clima tenso ainda persistia, e eu podia sentir meu coração batendo mais rápido, nervosismo tomando conta de mim. Cada gesto dela parecia carregar um significado oculto.

Ela se aproximou lentamente da mesa de centro, espalmou suas mãos nela e me encarou de perto, a apenas alguns centímetros de distância. Seus olhos me perfuravam com uma intensidade ameaçadora.

— Eu sou muito mais do que você imagina, Ortega — disse ela, sua voz soando fria e cortante. — Grossa, arrogante...

Gwendoline pausou por um momento, seus olhos nunca deixando os meus, como se tentasse me enxergar além da superfície.

— Sem coração, sem graça, sem amigos e tudo de ruim que você imaginar.

Minhas mãos ficaram geladas e meu nervosismo só aumentava. Essa não era a direção que eu esperava que a conversa tomasse. Eu queria esclarecer as coisas, descobrir se havia alguma possibilidade de termos uma conexão além do relacionamento aluno-professora, mas agora parecia que Gwendoline estava se fechando ainda mais.

Engoli em seco, lutando para encontrar palavras enquanto seu olhar penetrante me deixava desconfortável.

— Gwendoline, eu... Eu não quis dizer isso — tentei explicar, minha voz um pouco trêmula. — Eu só achei que, talvez, poderíamos nos entender melhor fora do ambiente escolar, como pessoas reais, sabe? Além do mais iremos trabalhar juntas.

Ela permaneceu em silêncio por um momento, seus olhos ainda me examinando. Parecia haver uma batalha interna acontecendo dentro dela. Finalmente, ela suspirou, desviando o olhar por um instante antes de fixá-lo em mim novamente.

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