"Me perguntou, se lembra
Um quarto em Atenas
Correndo por palácios
Pinturas obscenas
Em tetos de capelas, no céu da minha boca
Na cidade dos anjos ou queimando Roma
A gente tem um charme especial
Todo mundo quer parar pra ver
Cada festa, cada praia
Os rolês na madrugada
A alma sempre sou eu e você
Tão estranho, nós estamos
Vivos nesses mesmos dias, nesses mesmos anos
Mesmo plano, hora exata
Você me ama, eu te amo
Alinhamento milenar
Você não acha?"
Eu posso me lembrar perfeitamente da primeira vez que vi Theodoro. Eu estava sentado no fim da escada do lado norte do colégio lendo sobre investimentos orgânicos. Ouvi seus passos se aproximarem e lamentei pelo fim da minha solidão, quase ninguém ia aquele lado do colégio, eu gostava de ficar sozinho. Ergui meus olhos, mas ao contrário do que poderia cogitar não era nenhum dos meus colegas já conhecidos. O rapaz diante de mim era alto, negro, o cabelo em corte militar, com um olhar curioso e um sorriso de escarnio nos lábios. Ele me encarou de volta por alguns segundos o que só me irritou.
- Perdido?
- Talvez. - ele chuta uma pedra imaginaria e acompanho como a calça do uniforme, e todo o restante o vestia bem.
- Novato?
- Depende pra quem. Você o que faz aqui sozinho? - Seu sotaque britânico evidente era bonito, mesmo eu estando aqui a tantos anos não possuía sotaque tão forte, acredito que por motivo de sempre conviver com alunos distintos, o colégio recebia alunos de todo o mundo. Ergo meu livro em resposta. Ele dá de ombros e volta a olhar ao redor. Suspeito.
- Não vai conseguir fugir.
- Eu posso tentar. - diz em desafio.
- Boa sorte, Ninguém conseguiu até hoje.
- Serei o primeiro.
- Então é mais tolo do que aparenta. - volto minha atenção ao meu livro.
- E você mais arrogante, senhor leio economia no meu tempo livre. Vocês de exatas são um porre.
- Exatas? O que você é um andarilho perdido?
- Um artista, a seu dispor. - ele reverência. Era um paspalho, atraente, mas idiota.
- E eu achando que já tinha conhecido todo tipo de aluno por aqui.
- Não se preocupe, serei passageiro. - pisca.
- A maioria são. - digo com mais pesar do que gostaria, ele me observa atento e não gosto disso.
- Muito tempo? - pergunta parecendo interessado.
- Uma vida. - respondo. Seus continuam a acompanhar o meu nítido desconforto.
- Quantos anos tem?
- O mesmo que você suponho.
- De vida concordo. De alma nem tanto. Você me parece está tão velho quanto essas paredes.
- Quase estive aqui quando foram erguidas. - digo e ele ri, verdadeiramente ele ri. Um belo sorriso.
- Você tem humor. Surpreendente.
- Minutos e já o surpreendi? Vitoria minha. - solto sem pretensão, não queria seguir por esse lado, mas seu sorriso cômico em resposta se vira para um mais galanteador, e sei que ele é uma aposta fácil. Ele se senta ao meu lado, talvez me ache mais interessante do que a idéia de fugir. Eu definitivamente preferiria fugir. - Qual sua história? - pergunto.
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Hold On
FanfictionHá dezesseis anos atrás, a cidade de Las Vegas contemplou o mais belo romance surgido nos últimos tempos. Natalie Witherspoon vem de uma das famílias mais importantes de Las Vegas, uma jovem garota de dezessete anos, melhor aluna da escola, a caçul...
