Capítulo 3. Conversas.

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Nathalie batia as unhas contra a mesa enquanto encarava Reid a sua frente. Estava diferente desde a última vez que o viu, obviamente. Tinhas os cabelos compridos e a barba levemente por fazer. Os anos passaram e era notório fisicamente para os dois. Ele tomou um pequeno gole do café e ela pode ver sua mão tremer levemente. Ele estava nitidamente desconfortável naquela situação. Ela também, apenas conseguia disfarçar melhor.

- Então...- pigarreia

- Eu quero explicações. – Começa calmo. – Por que nunca me contou que tivemos filhos? Por que não contou que estava grávida?

- Eu não podia.

- "Eu não podia" essa é sua resposta? Foram quinze anos! Quinze anos da vida dos meus filhos que você tirou de mim.

- Eu sei. E eu sinto muito.

- Eu não me importo se você sente muito ou não. – Fala e volta a olhar a xícara. – Você escondeu isso de mim e ainda deixou que outro homem os criasse.

- Chris foi um grande pai para eles...

- Exatamente. Ele foi um pai para eles enquanto eu nem sabia da existência deles. Você tem ideia do quanto isso...

- Te machuca? Sinceramente? Sim, e como eu te disse essa foi a minha decisão. E não me arrependo. Olha Spen....Reid, eu não sabia até você ir embora. – Tentava mostrar indiferença.

- A culpa é minha agora? Você me traiu! – fala tentando não se alterar.

- Não há necessidade de voltar nessa história. – Fala ressentida o que faz Reid estranhar sua reação.

- Eu não vou perder mais tempo, são meus filhos...

- O que quer? A guarda deles? Eu nunca permitiria. – E nunca mesmo deixaria ser uma alternativa.

- Eu posso, é meu direito. Eu teria grandes chances.

- Eu nunca deixaria. – Agora ela que alterava o tom de voz.

- O que faria. Subornaria todo mundo com seu dinheiro?

- E você Reid, ao menos teria um lugar decente para eles morarem? Aposto que mora num apartamento minúsculo fedendo a mofo com centenas de livros.... Você se casou? Tem namorada, amigos? Ou contínua o mesmo solitário de sempre? – ela não queria falar daquela maneira, não queria ser rude. Apesar de não poder julgá-lo se irritou com o modo com que ele falou.

- Claro eu nunca daria uma vida luxuosa. Mas com certeza eu daria todo meu amor, cuidados de pai que eu nunca pude dar, que você não permitiu eu dar. Você não entende isso, não é? Que dinheiro não é tudo.

- Estou disposta a um acordo. – Fala evitando o outro assunto. Ofensas não os levaria a nenhum lugar. Ah se ele soubesse o que ela realmente sentia.

– Eu estive pensando e não seria bom eles ficaram longe de você agora que..sabem. Podemos conversar como pessoas civilizadas? – a tranquilidade de Natalie irritava o gênio. Ele permaneceu calado consentindo que ela continuasse.

- Enfim. Tivemos uma conversa. Acho que está na hora de nos mudarmos. Será importante para eles ficarem perto do pai, de você. – A informação surpreende Spencer. Por que ela seria tão acessível? Culpa, claro. – Eles têm o colégio, têm que terminar o semestre. E é o tempo de resolver o resto.

- Está sugerindo se mudarem? – perguntava receoso das verdadeiras intenções da mulher. Ficava chocado como ela conseguia ser tão calculista, já planejara tudo.

- Olha, tenho a total dimensão da situação em que nos encontramos, não quero ter que entrar na justiça pela guarda de meus filhos, não quero que eles passem por isso. Eu vejo essa como a melhor maneira, será difícil no começo, mas podemos nos acostumarmos com Virginia.

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